Escrito a seis mãos com a amora doce e do bonito Du.

Caminhava na praia, prestando atenção nas casas. Fascinava-me as cores e proporções que aquelas casas à beira mar possuíam, dignas de revistas de Arquitetura. Uma pequena realeza, numa praia pacata, de areia branca e ondas não tão amistosas. Tudo me convidava, inclusive a penúltima casa, não tão grandiosa, mas, ainda sim, bonita de muitas maneiras. E eles estavam lá. O casal de três pessoas. O homem com suas duas mulheres, deitados numa rede, balançando-se a brisa do mar.

Eles eram estranhos, confessos. Não entendia como era possível três pessoas que se amam viverem juntas. Elas o amavam, idolatravam. Ele parecia ser o amor da vida de cada uma delas e ele, entretanto, amava as duas. Igualmente! Isso era visível pelo brilho que emanava do olhar, sempre que olhava, seja para uma ou para outra. Doce. E não parecia haver atrito, ciúmes, competição. Se ele queria as duas, elas eram boas demais para deixar que ele fosse feliz. Um amor desses, não cabe descrição. Não cabe emoção. Senti inveja, não dele, por ter duas mulheres bonitas, mas deles, por viverem um amor tão impossível.

Helena, Caio e Lúcia eram seus nomes e esses nomes soavam como um só dita na frase, tal era a ligação entre os três. Pertenciam-se, fato. Ouvia-se dizer que Helena e Lúcia mudaram-se a fim de dar início a um pequeno empreendimento, eram artistas plásticas e escolheram aquela praia por causa da movimentação de turistas, mesmo fora da época de férias. Há três verões Helena estava em um posto de gasolina, quando voltava da loja de conveniência avistou-o. Ele com sorriso largo e claro pediu-lhe um cigarro, mal conseguia encontrar o maço dentro da sua bolsa imensa, mas não somente por isso, o sorriso havia deixado-a enervada. Estendido o maço em sua direção Caio com um sinal negativo disse: - Não fumo, bonita. Apenas tática para uma aproximação. – E sorriu. Helena derreteu-se daí então.

Helena apaixonou-se por Caio na primeira troca de olhar. E prometera parar de fumar, devota como era ao amado. Um dia, ela marcou jantar em sua casa, que dividia com Lúcia, e apresentou Lúcia a Caio. No instante que Caio trocou olhar com Lúcia, seu coração dividiu-se em dois pedaços iguais. Metade ele deu para Helena e a outra metade, para Lúcia. Caio foi um homem dividido ao meio, amando loucamente e igualmente duas mulheres prestes à entrar em pé de guerra. Quando viu a amizade que ruía, Caio se postou entre as duas e falou, com emoção: "Eu não posso me por entre as duas e nem quero que briguem por culpa minha. A vida me traiu e dividiu meu coração, dando metade para cada uma de vocês. Não posso sobreviver só com metade minha..."