O cravo e a rosa.

Bernardo não era o tipo de Clarisse. E tudo o que ele queria mesmo era conquistar o coração dela. Ela, por sua vez, o ignorava. Achava-o mal-educado e que seus modos não condiziam com um rapaz da sua idade. – Grosseiro. Ela repetia.

E todos os dias enquanto Clarisse se dirigia a escola no centro da cidade, Bernardo a acompanhava de bicicleta, lhe oferecia carona, ela dizia que não podia amassar sua roupa, pedia para levar seus livros e ela rejeitava dizendo que não eram pesados. Clarisse sequer lhe estendia o olhar, talvez nunca tivesse visto de fato o seu rosto, seu olhar piedoso e cheio de amor. Ela nunca lhe dera uma chance.

E os dias seguiam calmamente. Clarisse já esperava ser acompanhada por Bernardo até a escola, mesmo que não lhe devotasse qualquer sentimento, ela sentia-se segura. Talvez, Bernardo tivesse conquistado um pedaço de seu coração, afeto ou algo do tipo. Mas ainda assim, Clarisse desconhecia.

E então, numa sexta-feira dessas bem claras, o sol estava quente, e as flores tão vivas. Clarisse nunca se esquecera daquela primavera. O dia convidava-a a alegria, dançar, e ela assim como a manhã vestiu-se de primavera. E decidiu que aquele dia seus olhos encontrariam os de Bernardo pela primeira vez, esperou alguns minutos e saiu de casa. Pelo mesmo caminho que costumava ser seguida por seu pretendente, mas ele não apareceu.

Entristeceu-se. Imaginou que ele havia dormido demais, tinha perdido o horário, talvez o encontrasse na saída. E assim esperou, contando os segundos juntamente com o relógio que estava pendurado no centro da classe, primeiro, segundo, quinto período e o sinal finalmente tocou. Saiu desesperada e enquanto andava, olhou alguém muito familiar. Estava encostado em uma motocicleta, e os braços envoltos em uma moça vestida de rosa. Era linda, e seu cheiro era tão adocicado e gostoso que ela pôde sentir de longe.

Ainda assim, sua cabeça em Bernardo, fervilhava. Onde estaria o menino? E quando passou perto do casal. Uma voz cantou seu nome:

- Clarisse, belo vestido.

O rapaz encostado na moto sorriu-lhe amigavelmente. Era Bernardo, reconheceu somente pela voz, pois seus olhos nunca haviam encontrado a sua face anteriormente.
E nesse dia, Clarisse viu que ela que não era o tipo de Bernardo, mas porque ela desejou assim.

Para a bonita da Maria Fernanda que me inspirou o texto.

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13 comentários

  1. Digo aqui o que te disse ontem: muitos amores se perdem por puro orgulho. E, quase sempre, é sempre tarde demais.

    _
    Que feliz ter inspirado um texto teu :)

    Beijo amada

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  2. Teu texto tem gosto de algodão doce!

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  3. Pâmela, Pâmela, vou me roubou suspiros.
    Lindo, lindo! Clarisse foi uma boba, mas que bom que Bernardo (adoro esse nome!) ainda estava lá quando ela caiu em si. Às vezes os Bernardos vão embora e o final não é feliz.

    Ainda hoje vou ler as cartas que você escreve no outro blog! *-*
    Beijos, flor :)

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  4. Texto muito bom e legal.
    Linguagem simples e fácil.
    E o tema é bem interessante.
    Amores perdidos por puro descuido e orgulho.
    Muito bom.
    :)

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  5. Incrível que seus textos geralmente trazem um amor perdido ou uma ilusão...

    Já me disseram muito para olhar quem está em volta... aí pode morar o grande amor. Foi o caso de Clarisse, uma pena.

    Beijo, Pâm!

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  6. é isso aee Bernado... a fila anda!!! rsrs

    :-P

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  7. Acho que já fui Clarisse e já fui Bernardo, também. Lindo texto, gsotei muito!
    voltarei mais vezes. =*

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  8. Me vi um pouco nessa história, sabe? Mas com um final diferente.
    Passei um ano estudando na mesma sala de aula com meu atual namorado, chegamos a ficar no mesmo grupo de trabalho por seis meses - por falta de opção, tanto que ele trocou de grupo no semestre seguinte. Não nos falávamos direito: ele me achava uma reclamona estressada e eu o achava um idiota sem conteúdo. Começamos a conversar mais esse ano, nos tornamos amigos e estamos namorando há quase sete meses. Às vezes eu paro pra pensar e vejo que nunca me interessei por garotos do tipo dele e que eu não pareço ser o tipo de garota pela qual ele se interessaria, mas nós nos encaixamos muito bem um no outro e isso vale mais do que tudo.

    Enfim, belo texto!

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  9. Oii, muito bom o seu texto, ameei *--*
    Existem muitas histórias assim, acho que na verdade essa história de 'não fazer meu tipo' só existe até vc encontrar alguém completamente de vc mas que te completa como nenhum outro completaria!!
    Muito bom o texto e o blog!

    Beijoos'
    Obgigada pela visita ;)

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  10. Clarisse, putz fez jogo duro e tal maneira que perdeu talvez um amor que merecia ter respirado um só dia, poxa!

    Charlie B.

    Obrigado pela visita =D, volte mais vezes!

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  11. "E do amor amuleto que eu fiz
    Descuidei dele, quase larguei, quis deixar cair..
    tsc tsc
    Mas não deixei, peguei no ar!
    E hoje, eu sei: sem você, sou pá furada"


    ;* lindissima!

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  12. É eu já cheguei perder um amor por puro orgulho =/

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