Do amor.

Em tempos assim.

16:01


Você me beija os olhos e me abraça como se a qualquer momento eu pudesse sumir dali. E eu vou compreendendo o que é amar através dos teus gestos despretensiosos e pequenos. Pelo modo em que você dedilha suas canções preferidas em minhas costelas. Não conheço muito bem essa equação que se tornou o amor e venho brincando, ultimamente, de esconde-esconde com todas essas incógnitas que são próprias dele.

Sei também que meu humor é de potencializar um bilhão de vezes mais o azedume de um limão, que as minhas palavras saem explosivas como aqueles vulcões em erupção do filme o Inferno de Dante, que eu sou a expressão numérica mais difícil que a vida te deu para resolver e ainda assim você se mantém ali, vivo e cheio de entusiamo.

Eu sei, meu amor, que as divergências são tantas e que os caminhos insistem em querer se descruzar. Que minhas manias são péssimas, minhas vontades são - muitas vezes -, apenas birras de criança. A gente sabe que a convivência é árdua, mas também sabemos que o amor é muito. E tanto. Às vezes me vejo pequeno e indefesa, outras vezes grande e monstruosa. Sei que você aprendeu a ler as fases da lua para me compreender e sei que todos os luares são nossos desde então.

Em tempos assim eu me recolho.
Em tempos assim eu me mostro (te mostro tua).

das decepções.

Seja livre.

12:23



Eu tive meu coração despedaçado inúmeras vezes ao longo dos anos. Algumas dores dilaceravam o meu coração e eu achava que não suportaria, mas a vida me provou através dessas decepções o quanto sou forte. Nós achamos que nossa dor é única, que ela é maior que qualquer outra e que não venceremos. Mas não, não é. Eu já chorei diversas vezes por amores que eu acreditava serem eternos, depositei todas as minhas fichas em relações falidas e sem perspectiva. Eu chorei um mar inteiro por pessoas que sequer se comoveriam por saber que eu estava triste.

E o que eu aprendi com isso tudo? Que ninguém irá te amar de verdade se você não se amar primeiro. Que o amor a gente não mendiga, não implora a ninguém, porque a essência do amor é a sua gratuidade. Aprendi que o amor tem que nascer de dentro para fora e que a partir do momento que eu me amar, outras pessoas verão o amor em mim.

É uma tarefa árdua, mas é necessário que nós coloquemos limites sobre o poder que o outro tem sobre nós. Todas as vezes que eu falo que temos que viver um amor livre é porque me recordo que já vivi em uma prisão. Não há nada pior que viver um relacionamento onde a desconfiança, a insegurança e o medo são os protagonistas. Todas as vezes que falo sobre isso é porque tenho propriedade, porque lembro que consenti ao outro a me aprisionar.

Eu quero dizer a você, meu leitor, meu amigo, que eu não sou tão resolvida quanto vocês pensam, que eu tenho sim os meus problemas e luto com alguns 'demônios'. Eu choro como qualquer outra pessoa, eu brigo com meu namorado, eu bato boca, mas algo que eu tenho comigo agora é que eu sou autora da minha própria vida, o roteiro da minha vida é meu. E ser dona do roteiro não quer dizer que eu vou seguir a risca tudo o que escrevi, quer dizer que eu escolho os personagens que se manterão em minha história.

Ninguém é obrigado a viver com quem agride, destrói e violenta o outro. E isso não se restringe a agressão física, mas a psicológica. Nós não podemos viver um amor de aparência, um relacionamento fictício, porque achamos que nunca encontraremos ninguém. Sempre há alguém. E mesmo que não haja é melhor viver bem com sua companhia a viver solitária ao lado de outra pessoa.

Quando um amor se vai.

09:17

— Vai passar. É só questão de tempo — disse com o coração.
Todas as vezes que alguém decide partir de nossas vidas nos afundamos em um sentimento de derrota. Tentamos descobrir o porquê da decisão do outro e, a maioria das vezes, vestimos toda  a culpa e achamos que o problema está em nós. Nem sempre está. 

Quando meu antigo relacionamento terminou eu tentei de todas as formas compreender o motivo. E embora todos me dissessem que eu não tinha culpa de nada, eu insistia em procurar razões dentro de minhas atitudes e achava que até um 'bom dia' poderia ter sido a razão. Ao longo dos anos, depois de alguns relacionamentos, nós vamos compreendendo que cada um tem uma maneira de observar a vida. E ela nem sempre condiz com aquilo que buscamos.

Todo término é doloroso. Ninguém começa namorar com alguém pensando em terminar amanhã — conheci uma exceção, mas não vem ao caso —, mas a vida tende a nos pregar várias peças. Quando eu chorei o fim do meu namoro sentia uma dor inexplicável dentro de mim. Não como se o mundo fosse acabar, mas uma dor que me dilacerava por dentro. Talvez alguns digam que foi exagero, mas eu lembro como me sentia e o quanto me doía. Nós não estamos preparados para o fim. 

O sentimento de negação esteve comigo por um longo período. E muitos amigos me disseram: "vai passar. É só questão de tempo". Hoje eu compreendo o quão verdadeira é esta frase. Nenhuma dor é eterna e muitas vezes não compreendemos o presente que a vida nos dá naquele momento. Todo fim traz uma lição e nos deixa mais preparados e reflexivos em relação a vida.

Hoje eu percebo através dos meus dias passados e dos atuais o quanto fui abençoada com aquele fim. Ninguém merece viver um relacionamento de aparência, viver subjugado, aceitar traições e viver de mentiras. A nós é dado o livre arbítrio, embora não compreendamos o real significado disso. Deixar ir embora, muitas vezes, é necessário não somente para o nosso crescimento, mas para a nossa saúde física e mental.

Ouvi muito dos meus amigos — até hoje eu ouço —, que Deus me deu um livramento. Em termos eu realmente concordo. Entretanto, prefiro acreditar que a vida me preparou para outra pessoa, me fez mais madura para compreender e ser compreendida. Prefiro crer que o destino apenas me moldou para poder receber aquele que me fará feliz para sempre.


@eupamelamarques

FANPAGE

DIREITOS AUTORAIS

Todos os textos publicados aqui neste blog são de minha autoria ou de autores convidados. As fotos e gifs foram retiradas de sites como Pinterest e Tumblr, sendo assim, para de fim direitos autorais, declaro que as imagens NÃO pertencem ao blog. Qualquer problema ou reclamação quanto aos direitos de imagem podem ser feitas diretamente comigo por meio do e-mail: adm.pamelamarques@gmail.com. Eu darei os devidos os devidos créditos.