Eu preciso ir embora.

18:14


Eu preciso ir embora.
Não porque não exista amor da minha parte ou porque não receba o mesmo afeto de você. Preciso ir embora, porque não consigo enxergar um amanhã em que não soframos por alguma razão. Porque não consigo admitir que você abra mão de tudo o que conquistou até aqui. Porque a minha insegurança (ou a segurança de ser quem sou) não me permite dizer adeus às coisas que a vida me concedeu até aqui.

Eu preciso ir embora.

Porque não dá para viver mergulhado em devaneios. Porque dentro de mim pulsa a urgência de viver um amor real, em sua totalidade, um amor pertinho, mansinho e bem facinho de viver. Preciso ir embora antes que seja tarde demais, antes que eu me perca no labirinto que há em teus braços. Preciso partir enquanto a raiz não está tão profunda (acredito eu).

Sei que não é a primeira vez que parto por medo. Mas é a primeira vez que vou embora querendo ficar. É a primeira vez que faço as malas chorando por saber que é real, recíproco e, ainda assim, impossível de acontecer. Quisera esbarrar no amor que Cazuza cantava: “um amor tranquilo com sabor de fruta mordida”. Só que meus pés parecem caminharem sempre no sentido oposto. Tropeço nos próprios pés emaranhados de sonhos impossíveis.

Sei lá.

Acho que preciso ir embora logo. Abrir mão de você, do que sonhamos, para – quem sabe, algum dia abraçar algo concreto. Desculpe. É que infelizmente, os sonhos que sonhamos até aqui são tão intangíveis e surreais que consigo vê-los dobrando a esquina do meu coração sem dizer adeus. Mais uma vez.

Eu preciso ir embora porque não suporto mais essa minha obsessão por amores platônicos e porque percebi que por mais que eu queira que você me resgate da torre; não devo mais me comportar como uma princesa à espera de um príncipe e um cavalo alado. Porque, no final das contas, eu sei e você sabe que finais felizes exigem de nós uma coragem que não temos.

Nem eu.
Nem você.

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Ser bonzinho demais é bom para quem?

17:13


Fechei os olhos e tentei ignorar a dor que sentia. Olhei para o teto e respirei calmamente contando até dez. As lágrimas molhavam meu travesseiro e minha respiração entrecortava. Eu sentia muita coisa e ao mesmo tempo não sentia nada. Eu repetia na minha mente: tem dia que é assim mesmo, nem sempre é dia de sol – mesmo que ele esteja queimando lá fora –, tem dia que é de chuva, de tempestade, dentro de nós.

Olhei para o espelho e solucei um pouquinho ao ver meu rosto inchado. Meus ombros pesavam demais e a vontade de voltar para a cama era imensa. Enxuguei os olhos, peguei a toalha e fui para o banho. A água do chuveiro se misturava às minhas lágrimas levando-as ralo abaixo. Elas pareciam gentis demais. Enxuguei o cabelo, troquei de roupa e voltei para a cama. Meu telefone sinalizava várias notificações. Virei a tela para baixo e silenciei.

Mergulhei em um sono sem sonho – os meus pensamentos usurparam seu lugar. Eles pululavam na mente cansada, repetindo que eu deveria me amar mais, que deveria parar de colocar os outros no colo, de tentar ser a salvadora da pátria, de entrar no fogo sem proteção. Abri os olhos com o coração pesado por entender que até o meu subconsciente tenta me avisar que bondade em excesso é prejudicial à saúde. Ser bonzinho demais é bom para quem?

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