"A paixão pode ser avassaladora. Muitos amores começam logo os gatos saem a noite, e acabam-se com o canto do cotovia. Postagem coletiva de amigos."

22:35 pm

A luz neon escondia o seu rosto, mas não o bastante para Johnny não notá-la. Lá estava ela, talvez a mulher mais bela de toda a pista, todos os olhares voltados para ela. Sua expressão era dura, inacessível. Mas ela não o conhecia, pensava ele.
Aproximou-se rompendo a barreira que ela mesma impora aos demais. Vários olhares foram de encontro aos dois, ele apenas segurou-lhe a cintura olhando-lhe os olhos e não foi necessário uma palavra sequer. Os olhos trataram de falar o que o corpo desejava. Sussurrava-lhe palavras doces, elas escorriam-lhe fáceis como o mel derramado de um pote. E ela não se moveu. Continuou lá sendo levada pelo ritmo quente, que os envolvera. Salsa. E a voz doce do rapaz que lhe falava ao ouvido: caliente. O rapaz lançou-lhe um olhar hipnótico e perguntou-lhe seu nome, tampouco seu nome lhe interessava naquele momento, não sabia sequer se estava acordada. Permanecia em estado letárgico. Ele era tão, tão – e tentava encontrar um adjetivo para definir o que ele era.

03:40 am

A luz não era mais neon, tão pouco clara. Tudo era escuro, opaco. Não sabia ao certo como todas as pequenas luzes haviam desaparecido. Alguns degraus atrapalhavam-lhes a subida, não estavam embriagados, embora quem os visse acreditasse piamente. Sapatos foram deixados na sala de estar, e tantos outros acessórios que demonstravam a paixão iminente naquela casa.
- Beatriz....- A sua voz soou sôfrega, e ela repetiu mais algumas vezes. Esse era seu nome. E ele simplesmente olhou em seus olhos, e disse: - Johnny, às suas ordens.
Deleitaram-se, amaram-se tanto quanto puderam. Ela não conseguia organizar as suas ideias, somente sentia que não era normal tanto desejo, estava em ebulição. Gostava daquilo. Encaixava-se tão perfeitamente como se tivessem sido feitos sobe medida, suas mãos, bocas, entrelaçadas ali.
Beatriz com certeza havia encontrado um amante, o melhor homem que ela conhecera em suas vidas, e sim. Ele era real, não havia lhe tentado com versos ensaiados, fora necessário apenas o toque. Sim. Caliente como ele havia pronunciado, ele era quente.

06:45 am

O despertador tocara ensurdecendo-a. Mas, Beatriz continuou com os olhos fechados, milhares de imagens passavam-lhe pela cabeça, ele com os braços envoltos em sua cintura na pista de dança, as suas mãos segurando-lhe com força enquanto tentava abrir a porta de sua casa, e finalmente os ombros nus sobre a sua pele seminua. Sussurrando-lhe mil desejos e vontades, e lembrava-se de cada gesto, toque, movimento.
Decidiu então, abrir os olhos e posou a mão sobre o lado esquerdo da cama, estava vazia, desarrumada apenas. Levantou-se de súbito, os olhos negros reclamando algo, como se alguém a tivesse roubado. Não havia sinal dele, as roupas já não estavam mais espalhadas pelo chão. E Beatriz chorou um mar inteiro.

Nunca havia vivido uma noite de verão.


Desafio coletivo "Uma noite de verão".
Outros amores de Alan Félix, Andrey Brugger,
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