"Meu primeiro beijo foi doce a atrapalhado. Meu primeiro beijo foi mágico, mas rápido." The Happy Losers.


A rua estava movimentada, várias crianças corriam desembestadas com balões coloridos. Era aniversário de sua irmã do meio e os pais resolveram comemorar chamando toda a vizinhança e parentes. Ela, por sua vez, havia pintado os olhos e usava um vestidinho preto recém-adquirido na última andança de sua tia à Goiânia. Todas as outras meninas entraram na onda e usavam a maquiagem de sua mãe, não passavam de 12 anos, bem meninas. A preocupação de sua mãe com os convidados deixou-a tranqüila quanto seu plano, planejara sair assim que as pessoas começassem a cantar parabéns. Imaginava que não daria falta de sua presença. E assim fez.

Ela saiu no tumultuoso quintal e dirigiu-se a saída, ouvia de longe o seu assovio. Ele sempre a chamava dessa forma. Quando ela o viu seus olhos encheram-se, lágrimas doces de excitação, felicidade, um misto que ela não compreendia. Naquele dia descobriu o significado de borboletas dentro do estômago, estava nervosa. Havia dito que precisava falar com ele, decidiu que não passaria daquela noite. Ele tímido sabia do sentimento que a menina nutria por ele, mas nunca dissera a ela que era recíproco, ela sabia através de terceiros, amigos, amigas.

Ela aproximando-se do rapaz disse: - Que bom que você veio. – E as palavras eram falhas, parecia que seu coração estava à mostra. Havia, tinha certeza, dentro dela uma escola de samba inteira. Ele riu, pegou em seus cabelos e timidamente disse: – Está linda, pequena. E eu tão desarrumado. E ele usava um jeans escuro, com uma camiseta branca estampada, seu cabelo meio molhado e o cheiro doce. Ela adorava.

Ela sabendo que a conversa não renderia mais que isso se ela não tomasse atitude disse: – Muito obrigada. E vamos ao que interessa, eu gosto de você, sou apaixonada por você e queria saber se você quer namorar comigo – A menina despejara um quilo de palavras, meio gagas devido ao nervosismo e ao final da frase suspirou, cansada. Ele olhou-a atônito e disse: – Sim. Eu quero.

E ficaram se olhando por alguns minutos. Ela impaciente como sempre indagou: – Você não vai me beijar? Ele sorriu envergonhado e deram ali o segundo-primeiro beijo de suas vidas. É, o primeiro será narrado outro dia.