Entendo perfeitamente como é fantasiar e devanear pessoas, sentimentos e possíveis acontecimentos. Eu, por minha vez, sempre crio situações das quais queria viver. Então, eu te li hoje pela manhã tão logo o sol apareceu em minha janela e tive raiva de ti. Desculpe, não sei quem é você, mas você acabou com o meu dia. Fato isso. Eu não queria ouvir que você tem amor platônico por mim, que te sou o sol, tampouco que pessoas como eu devem se idealizadas, admiradas por pessoas como você. Isso está errado, completamente.

Enquanto eu tomava banho um grito instalou-se em minha garganta, um nó tão grande que ainda me sufoca. Estou aqui inchando. Como se a qualquer momento eu pudesse explodir. Desculpe-me por não compreender o teu sentimento e sei que estou sendo egoísta, mas eu não sei – e nunca soube receber amor de ninguém. E isso me apavora.

E eu fico olhando para o meu celular pensando se eu apago ou não. E me dói. Dói porque eu já disse tantas coisas parecidas assim, já pintei sol e estrelas em luzinhas, vaga-lumes e adjetivei tantos outros objetos a fim de criar poesias e agora te condeno. Mas compreenda o que te digo: eu não sou apaixonável, baby. E eu não quero te magoar. E isso é aviso.

Definitivamente eu fui feita apenas para escrever de amor, vivê-lo me repele, me assusta. Perdoe-me, caro – seria fácil se você tivesse se identificado -, mas eu sou assim. Se te dei alguma esperança, mesmo que mínima peço-te perdão. Eu não nasci para amar. E a cada dia que passa me convenço mais disso. Sei sim falar de amor, talvez você tenha se encantado com isso, confundido. Só que o meu amor se restringe a páginas de cadernos e documentos do Word.

Atenciosamente,

Pâmela Marques.