O céu estava bem claro, o sol latente sobre a cabeça dos transeuntes e eu divagava em milhares de sensações presentes em mim. O ônibus deslizava rapidamente pela rodovia, eu lia – como de costume – um livro de meu autor preferido que me faz pensar em você. Sim. Talvez por ele ser tão inconstante, medroso e por falar de amor apenas em letras. Assim como eu o faço.

E então eu avistei ao longe uma fileira indiana de eucaliptos, e me dei conta de que eu penso em você todas as vezes que eu os olho. Não. Você não parece um eucalipto – me escute. É que quando eu era criança achava-os tão majestosos, imponentes e costumava deitar sob a sua sombra, achava uma delícia, amava aquela sensação. A mesma que sinto quando eu penso em você, sabe?

Então, eu fiquei imaginando o que você pensa quando os vê também. Sim. No caminho de sua casa. Você já observou que fazemos a mesma trajetória em direção a nossas casas? Exceto por você ir para outra direção, entrar em outra curva. Assim, como acontece com a gente. Sempre caminhamos em direções opostas, infelizmente. Queria saber se será sempre assim, se não mudará. Você poderia me responder?

Olhe pra mim, por favor. Seus pés são mais interessantes do que o meu rosto? Tudo bem. Não precisa olhar para mim - Pare. Não enxugue as minhas lágrimas, eu gosto dela. Do sabor delas. Elas me dizem que você é real em mim. Então não as tire de mim, por favor.

Sabe, essas coisas que tento te dizer não se dizem costumeiramente. E eu reconheço que vivo falando por metáforas, mas você não me ajuda também. Essas analogias que eu crio para te levar a entender o que se passa dentro de mim é chato. Eu sei. Mas me cale a próxima vez que eu tentar falar dessa forma, não sei. Encoste-me na parede. Não, não faça isso.

Tudo bem então. Esqueça tudo o que eu disse. Que tal falarmos de música, literatura – tudo bem sei que não gosta dos meus livros, mas podemos falar sobre O grande sertão veredas. Ta, confesso, eu não li. Mas você podia fazer uma resenha pra mim, né? Eu só escutaria. Sabia que Plutão deixou de ser planeta? É, verdade. Já tem quase um ano.

Só me fale alguma besteira, para romper esse silêncio em nós.