E os meus olhos estavam entreabertos, a preguiça forçando-me a continuar na cama, e meu celular despertando com um rock dos anos 80. Derrubei-o, cai da cama literalmente, xinguei. E ouvi-a cantar: “chorei por ter despedaçado as flores que estão no canteiro”. Eram 05:30 am e tenho certeza que os vizinhos reclamavam da tua cantoria, ainda assim, tu cantavas tão doce que meus ouvidos ficaram atentos e eu escrevia pra ti, dentro da cabeça poemas. Poli. Poli Pocket, Poli Chinelo e como o Alan costumava chamar-te Poli Grana, te amo tanto boneca. Desses amores que filmes norte-americanos costumam descrever, daquelas amizades que nascem assim ao acaso e tornam-se tão verdadeiras e sinceras.

Olhe. Já te impliquei tanto, peguei tuas coisas sem pedir emprestadas, te li os diários que me dizia: odiar. E chorei. Chorei por saber que eu te era tão insuportável. Daí em diante eu lembrei que costumávamos tomar banho de mangueira juntas, que a gente brincava de boneca, polícia e ladrão, que a gente era cúmplice, naquela época de 8 anos até os 10. E então, você me disse: “eu não gosto de suas festinhas, de seus namoradinhos, me deixe em paz”. E eu te achava tão antipática, e odiava meu pai dizer: se a Poli for, você pode ir. E eu já começava a soluçar e bater o pé firme, pois sabia que você não iria. Mas a gente cresceu, sabe? E começamos a dividir segredos e eu você me encobria o namoro, haha. E eu te amei tanto desde então. Porque nós começamos a pertencer uma a outra. E hoje, quando a gente confidencia as coisas sente na pele uma da outra, entende?

E eu vou te confidenciando os meus segredos, assim como quem despeja macarrão na peneira. E você ri da minha inconstância, dos meus chiliques, do meu jeito e a gente se completa tanto, amor. Que eu fico aqui imaginando: “se você não fosse minha irmã, com certeza seria minha melhor amiga.”
E hoje eu quis dizer que nem importo que você me acorde cantando às 03, 05 ou 06 da manhã, desde que você cante. E sabe de uma coisa, eu te amo mesmo.


Da sua irmã desmiolada,

Pâmela.
Hoje, dia 31 de dezembro, além de ser o último dia do ano é o aniversário do meu pai, Manoel ou como o chamam Jesus e queria dizer, "papito", que me alegro demais por ser sua filha e que mesmo com todas as nossas desavenças jamais eu desejei ter outro pai. Você é um máximo =D
Escrevi uma carta pra ele no meu outro blog. Quem quiser ler.
Te amo, meu velho.
Feliz aniversário =D