Eu sabia que nossos nomes eram associados escondido. E eu me deliciava com a hipótese de pertencermos de fato um ao outro. E você me alegrava com os teus poemas explícitos, com a tua gargalhada alta e gostosa e com todos os seus devaneios e assuntos que não condiziam com a nossa realidade.

Tu gostavas de falar de política para me irritar, ensaiava piadas para alegrar-me e eu sorria abertamente. Tu desenhavas o meu melhor sorriso, sem saber que não era necessárias falácias, pois tudo o que havia dentro de mim já era teu.

E eu, moça bonita, lia aquele romance que tu insistias em decorar as falas. Dizendo-me, que maior amor não houvera no mundo. Romeu e Julieta tiveram apenas um flerte, querida. Se tu soubesses o que há dentro de mim para ti, teria plena convicção disso que te afirmo. E hoje, tenho plena certeza disso que te falo: eu te amo. E os meus lábios desejam os teus como o orvalho se entrega ao amanhecer, às folhas, as flores silvestres. E os meus braços te esperam como se soubessem que o teu corpo se encaixaria perfeitamente em meu abraço.

Mas, amada, o telefone insiste em chamar. A tua voz do outro lado diz apenas que devo deixar um recado após o Bip, e minha respiração ofegante não deixa que eu inicie qualquer frase. Meu coração sempre fora teu, amor. Embora, não estivesse claro em mim e então eu deixei você partir.

Eu sei que já é madrugada, que o teu telefone insiste em tocar. Atenda. Imploro-te. A tua janela está acessa, eu te vejo a silhueta daqui, por que insistes em dar voltas e voltas em teu apartamento? Basta arrancar do gancho e não ensurdecerá. Tudo bem, amor. Amanhã será um novo dia, ligo para você de outro telefone que não reconheça o número. Sim, não vou desistir de você.
"Para Poliane Marques que riu
de meu choro desesperador ao assistir
Romeu & Julieta aos 16 anos."