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sexta-feira, dezembro 25, 2009

Feliz Natal.




A menina pediu uma boneca
O menino pediu um carrinho
E ambos enviaram a carta para Pólo Norte
Papai Noel não recebeu
E eles esperaram ansiosos por sua chegada
Dormiram
Papai Noel não existia e eles não sabiam

Do outro lado da cidade a menino rezava na missa
Cantou parabéns para o aniversariante
E deixou um pequeno carrinho perto da manjedoura
Era o único que tinha, mas era aniversário d'Ele

Chegou a casa e em sua cama havia um pequeno presente
Com um laço azul um bilhete dizia:
Obrigado pelo presente, irmãozinho
E no final estava assinado: menino Jesus.

Feliz Natal a todos. E Feliz aniversário Jesus!!!

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Gérberas.

Os passos apressados era característica comum dela, andava a passos largos e em sua mão carregava um guarda-chuva preto, tentava se esconder da fina chuva que caia. Usava um salto agulha tamanho quinze, com uma roupa social que ela odiava usar, mas que hoje era indispensável: uma reunião de negócios. Ela precisava fechar um contrato, o que lhe renderia um aumento e uma posição privilegiada na empresa. Há duas semanas vinha trabalhando em seu projeto, estava exausta, havia perdido a noção de tempo e espaço.

Chegando a seu trabalho, eufórica, correu em direção à sala de reunião. Todos os acionistas da empresa a esperavam ela, por sua vez, mostrou-se calma e exemplificou todas as idéias, sendo aplaudida com louvor – contrato fechado. Virou-se em direção a sua sala, exausta. E olhou para o porta-retrato que estava sobre a mesa: eles. Em uma época em que se pertenciam que eram felizes. Chorou. Sua mente estava voltada para o trabalho nos últimos dias, isso a preenchia de fato, mas agora que havia conquistado queria sentir-se feliz, mas não conseguia. Estava vazia de novo. Não havia contrato para preenchê-la. Só um vazio imenso, saudade.

Engolia as lágrimas tentando mostrar-se forte, alguns amigos a cumprimentavam pelo sucesso, e ela sorria, mas seus olhos sempre voltados à foto. De repente a sua amiga e recepcionista entra e lhe diz: – Feliz aniversário, Letícia. Acho que alguém também se lembrou disso. – E um senhor já idoso adentrou a sala e em suas mãos havia flores, gérberas amarelas, lindíssimas. Ela com um coração quase na boca e as mãos trêmulas pegou-as delicadamente, havia um pequeno cartão dentro as flores.

– Meu aniversário? – Ela havia esquecido completamente disso. E sorriu com esperança nos olhos.

E sentiu-se gelada ao mesmo tempo, pois teve medo. As pessoas estavam ao seu redor, olhando-a ansiosas também, flores em ambiente de trabalho era novidade e sempre motivo de fofoca. Mas desta vez, eles desejavam que as flores trouxessem felicidade à moça. Ela desejava que as flores e o cartão fossem dele. Tinha medo da decepção. Abriu o cartão com delicadeza, leu e suspirou. Era do seu melhor – não do dono de seus suspiros doces, mas de seu amigo: Bernardo. Ela não conseguiu ficar triste, como imaginava, sentiu-se alegre.

Talvez o moço não soubesse o seu valor, mas alguém sabia. Sorriu. Uma lágrima fugidia caia de seus olhos castanhos, mas não teve sabor amargo quando encontrou seus lábios.

sábado, dezembro 05, 2009

Romeu & Julieta.

Eu sabia que nossos nomes eram associados escondido. E eu me deliciava com a hipótese de pertencermos de fato um ao outro. E você me alegrava com os teus poemas explícitos, com a tua gargalhada alta e gostosa e com todos os seus devaneios e assuntos que não condiziam com a nossa realidade.

Tu gostavas de falar de política para me irritar, ensaiava piadas para alegrar-me e eu sorria abertamente. Tu desenhavas o meu melhor sorriso, sem saber que não era necessárias falácias, pois tudo o que havia dentro de mim já era teu.

E eu, moça bonita, lia aquele romance que tu insistias em decorar as falas. Dizendo-me, que maior amor não houvera no mundo. Romeu e Julieta tiveram apenas um flerte, querida. Se tu soubesses o que há dentro de mim para ti, teria plena convicção disso que te afirmo. E hoje, tenho plena certeza disso que te falo: eu te amo. E os meus lábios desejam os teus como o orvalho se entrega ao amanhecer, às folhas, as flores silvestres. E os meus braços te esperam como se soubessem que o teu corpo se encaixaria perfeitamente em meu abraço.

Mas, amada, o telefone insiste em chamar. A tua voz do outro lado diz apenas que devo deixar um recado após o Bip, e minha respiração ofegante não deixa que eu inicie qualquer frase. Meu coração sempre fora teu, amor. Embora, não estivesse claro em mim e então eu deixei você partir.

Eu sei que já é madrugada, que o teu telefone insiste em tocar. Atenda. Imploro-te. A tua janela está acessa, eu te vejo a silhueta daqui, por que insistes em dar voltas e voltas em teu apartamento? Basta arrancar do gancho e não ensurdecerá. Tudo bem, amor. Amanhã será um novo dia, ligo para você de outro telefone que não reconheça o número. Sim, não vou desistir de você.
"Para Poliane Marques que riu
de meu choro desesperador ao assistir
Romeu & Julieta aos 16 anos."

sexta-feira, dezembro 04, 2009

O cravo e a rosa.

Bernardo não era o tipo de Clarisse. E tudo o que ele queria mesmo era conquistar o coração dela. Ela, por sua vez, o ignorava. Achava-o mal-educado e que seus modos não condiziam com um rapaz da sua idade. – Grosseiro. Ela repetia.

E todos os dias enquanto Clarisse se dirigia a escola no centro da cidade, Bernardo a acompanhava de bicicleta, lhe oferecia carona, ela dizia que não podia amassar sua roupa, pedia para levar seus livros e ela rejeitava dizendo que não eram pesados. Clarisse sequer lhe estendia o olhar, talvez nunca tivesse visto de fato o seu rosto, seu olhar piedoso e cheio de amor. Ela nunca lhe dera uma chance.

E os dias seguiam calmamente. Clarisse já esperava ser acompanhada por Bernardo até a escola, mesmo que não lhe devotasse qualquer sentimento, ela sentia-se segura. Talvez, Bernardo tivesse conquistado um pedaço de seu coração, afeto ou algo do tipo. Mas ainda assim, Clarisse desconhecia.

E então, numa sexta-feira dessas bem claras, o sol estava quente, e as flores tão vivas. Clarisse nunca se esquecera daquela primavera. O dia convidava-a a alegria, dançar, e ela assim como a manhã vestiu-se de primavera. E decidiu que aquele dia seus olhos encontrariam os de Bernardo pela primeira vez, esperou alguns minutos e saiu de casa. Pelo mesmo caminho que costumava ser seguida por seu pretendente, mas ele não apareceu.

Entristeceu-se. Imaginou que ele havia dormido demais, tinha perdido o horário, talvez o encontrasse na saída. E assim esperou, contando os segundos juntamente com o relógio que estava pendurado no centro da classe, primeiro, segundo, quinto período e o sinal finalmente tocou. Saiu desesperada e enquanto andava, olhou alguém muito familiar. Estava encostado em uma motocicleta, e os braços envoltos em uma moça vestida de rosa. Era linda, e seu cheiro era tão adocicado e gostoso que ela pôde sentir de longe.

Ainda assim, sua cabeça em Bernardo, fervilhava. Onde estaria o menino? E quando passou perto do casal. Uma voz cantou seu nome:

- Clarisse, belo vestido.

O rapaz encostado na moto sorriu-lhe amigavelmente. Era Bernardo, reconheceu somente pela voz, pois seus olhos nunca haviam encontrado a sua face anteriormente.
E nesse dia, Clarisse viu que ela que não era o tipo de Bernardo, mas porque ela desejou assim.

Para a bonita da Maria Fernanda que me inspirou o texto.

quinta-feira, novembro 26, 2009

Bonita,

Já te pintei algumas vezes estrelas nos olhos. E confesso que os teus melhores sorrisos foram àqueles bordados como se bordam ponto cruz, preciso, perfeito e todo meu. E todo o meu romantismo – piegas, talvez – te encantava. Sempre fui teu. E assim desejava ser, para sempre.

Mas nós andávamos de mãos dadas e a festa na cidade estava cheia demais. Eu apertava a tua mão, como quem segura uma criança para que ela não se perca. Sim. A tua mão quente e macia envolvida na minha, menina. Eu tinha medo. Eu via tantos rostos indo e vindo, alguns empurrões, estava apertado. Queria tirar você dali, sentia o teu sufoco. Você procurando ar para se libertar.

Então, eu vi. Aquela criança que chorava encolhida em um beco da última avenida. Olhei para você e com um olhar doce me assentiu. Sim. Soltei a tua mão e fui ao encontro do menino. Estava apenas assustado, pobrezinho. A sua mãe estava com os outros foliões, me avistou e veio ao nosso encontro.
O abraço do pequeno em volta de sua mãe foi consolador. Eram amor e saudades entrelaçados ali. Eu chorei feliz. E tão logo te busquei com os olhos, mas eu não te encontrei, doce.

E os meus olhos pesaram. A rua estava cheia. Tantos olhos, nenhum deles havia estrelas, assim como os teus.

E eu me perdi.

quinta-feira, novembro 12, 2009

Abraço eterno; - Fim.

“O amor não morre desde que permaneça vivo em nós."

Versão contada por ele em: Palavras e Silêncio da Fê.

Eu continuei sentada naquele banco de praça e os meus pés queriam ficar ali, enraizados como o Ipê de flores tão amarelas quanto o seu sorriso de estrelas que sombreava a praça. Queria fincá-los ali, até você surgir de uma esquina qualquer, me abraçar e novamente ouvir-te falar: - minha princesa.


Mas as horas foram se passando e as badaladas do relógio central da praça eram excruciantes, esmagavam meu coração dolorosamente. E os meus olhos de nuvens pesadas acompanharam a chuva agourenta que de repente insistiu em cair. E eu era toda tempestade.

Levantei-me lentamente e com dificuldade me arrastava até meu prédio. Assim que entrei porta adentro, deixei um rastro de água, imensas poças se acumularam no chão da minha sala e seguiam até o telefone. Não eram apenas água de chuva, era lágrima, tristeza, decepção.
Como pôde fazer isso comigo? – Eu me perguntava.

Logo notei que a secretária eletrônica piscava, sua luzinha vermelha indicava que havia algumas mensagens. Eu desejava que houvesse uma explicação, que ele me dissesse que o carro havia quebrado, que houvera um imprevisto e antes mesmo de verificar as mensagens meu coração se confortara um pouco mais, a esperança que criara em minha mente fez com que meu corpo se aquietasse um pouco mais.


Destemida apertei o botão e ouvi a primeira mensagem, não era dele, era mais um lamento. Um choro, que dizia: - sinto muito. E as outras seguiam da mesma forma, bem chorosas, mas que não diziam nada. Fiquei sem entender.
A notícia de meu abandono se espalhara tão rapidamente pela cidade? Fiquei irritada e coloquei o telefone no gancho.

Dirigi-me ao banheiro, troquei de roupa e fui escovar os cabelos. O sentimento de tristeza me abandonara deixando espaço somente para o de abandono. De repente olhei para porta e minha mãe estava lá, com um olhar pesaroso e lágrimas nos olhos. Não entendia o que havia acontecido, ela veio ao meu encontro abraçou-me e disse: - Sinto muito, bebê.
Por que todas as pessoas que conheço sentem muito por um bolo? Acontece. Não deveria ter acontecido, mas aconteceu. – Pensei enfurecida.

E o seu abraço esmagador, com soluços, me disse:
- Ele está num lugar melhor e te amava muito.
Entregou-me uma caixa em que sua mãe depositara todas as cartas e bilhetes que ele escrevia para mim. Tão amorosas e tudo que era nosso. E o meu coração quis parar também naquele momento. Assim como o dele.

"É tão estranho
Os bons morrem jovens
Assim parece ser
Quando me lembro de você
Que acabou indo embora
Cedo demais."

Love in the afternoon – Legião Urbana

Baseado em fatos reais.

quarta-feira, novembro 11, 2009

Abraço eterno;

"Aquela história de até que a morte nos separe não devia ser levada ao pé da letra."

Versão contada por ele em: Palavras e Silêncio da Fê.

O dia amanheceu claro e podia ver os raios solares entrando por algumas frestas de minha janela. O canto dos pássaros nunca me fora tão belo como hoje, contraltos, sopranos, em uma sinfonia que fazia meu coração dançar suavemente.

Levantei-me e enquanto olhava no espelho lembrava que os meus olhos para ti havia estrelas, uma constelação cujo nome você dera. E sorria boba. Porque na noite anterior me chamastes de princesa.

Enquanto penteava os cabelos lembrava os teus dedos entrelaçados em meus fios loiros, cacheando e desmanchando os meus cachos. O cheiro do teu doce perfume em teus ombros e o doce sabor de tua boca. Sabia que assim que eu terminasse de me arrumar, me encontraria contigo, assim como todas as manhãs. No mesmo lugar e andaríamos de mãos dados como namorados que éramos.

As horas passavam lentamente e eu ouvia cada tique-taque do relógio, cada som martelava meu coração, deixando-me ansiosa. Faltavam alguns minutos – eu pensava.

Desci em direção à praça, sentei-me e fiquei observando os transeuntes passando, eles me olhavam, era impossível não notar o meu sorriso, era tão largo, claro e aberto, que não tinha como ser indiferente a minha felicidade.

(...) Mas as horas foram se passando, amor. O sol do meio-dia ardia em minha cabeça e os meus olhos já não tinham mais alegria, o coração apertou no peito. Já não via os transeuntes, já não ouvia os passos. Não via ninguém, tudo porque meus olhos estavam inundados assim como dentro de mim. Chuva dentro de mim. O crepúsculo se aproximara e nada de você aparecer, eu continuava imóvel. A sua espera.
Que esperança tola – eu chorava.

E você não apareceu.
Continua.