Ontem ouvi alguém dizer que atraímos aquilo em que pensamos. Que os pensamentos têm força, que a mente chama para perto aquilo que insiste em habitar o coração. Talvez por isso eu tenha passado boa parte do dia mergulhada em perguntas sem resposta, revivendo silêncios, repassando lembranças e tentando compreender os porquês que ainda permanecem suspensos no tempo.
Foi então que vi você.
Não por muito tempo. Apenas o suficiente para que algo dentro de mim se movesse. E, de repente, senti uma tristeza serena, dessas que não chegam fazendo alarde, mas se acomodam devagar no peito. Tentei desviar o olhar. Tentei convencer a mim mesma de que já havia virado a página. Afinal, é isso que fazemos quando a vida segue, não é? Viramos páginas, fechamos capítulos, guardamos histórias em alguma gaveta da memória.
Mas como se esquece alguém que admiramos profundamente? Como se abandona o carinho construído em tantos momentos, em tantas conversas, em tantos sonhos compartilhados, mesmo que apenas em pensamento?
Você parece distante agora. Como uma cena antiga vista através de uma película cinematográfica embaçada, com cores desbotadas pelo tempo. Ainda assim, existe algo que permanece. Um afeto silencioso. Uma chama pequena e discreta que insiste em arder, não com a intensidade de antes, mas com a teimosia das coisas que foram verdadeiras.
Quando te vi, por um instante, quis acenar. Quis sorrir. Quis agir como quem reencontra alguém querido depois de uma longa ausência. Mas me contive. Entre o desejo e o gesto existe um espaço onde moram as dúvidas, e eu permaneci ali.
Às vezes me pergunto do que exatamente sinto falta. Talvez seja do amigo que perdi pelo caminho. Talvez das conversas que não tivemos. Talvez da presença que costumava ser tão natural. Ou talvez eu sinta falta daquilo que imaginei que poderíamos ter sido. Da história que nunca chegou a existir por completo. Do amor que eu acreditava ver crescer, ainda que lentamente, ainda que sem garantias.
E essa talvez seja a parte mais difícil: não sofrer pelo que acabou, mas pelo que nunca chegou a acontecer. Pela possibilidade interrompida. Pela promessa silenciosa que existia apenas no território das esperanças.
Não há como saber o que sentirei no próximo encontro. Não há como prever se a dor será menor, se o tempo terá cumprido seu papel ou se o coração ainda encontrará maneiras de se surpreender. Algumas ausências não desaparecem; apenas aprendem a ocupar menos espaço.
Mas a idealização do quase... essa tem um jeito peculiar de permanecer. Porque o quase não tem fim definido. Não conhece despedidas claras. O quase continua vivendo na imaginação, inventando futuros que nunca chegaram, criando diálogos que nunca aconteceram, alimentando perguntas que talvez jamais tenham resposta.
E talvez seja justamente por isso que ele dói tanto.
Porque às vezes é mais fácil aceitar o fim de uma história do que conviver com a saudade daquela que nunca teve a chance de começar.

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