Da devassidão.

Chilli,

10:56

Minta sem reservas, carinho. Porque a paixão que sinto em seus braços esvanece qualquer coisa absurda que você me diga. Não ligo. Eu quero o momento, as carícias, quero ouvir o teu sussurar latino nos meus ouvidos. Caliente. Eu quero o teu corpo junto ao meu com esse misto de paixão e doçura. Pode mentir que eu não ligo, quero apenas que invente desejos. Que me engula com teus lábios, me sugue para dentro.

Eu quero o teu jeito de desengonçada de coar café. A tua toalha molhada sobre a cama e ainda assim não me importar. Eu quero ouvir Je t'aime moi non plus e cantar sussurando ao seu ouvido cada sílaba pausadamente. Eu quero enroscar os meu pés nos teus. Eu quero o suor, a respiração, a força. Eu te quero ser enquanto nos for permitido. Eu quero tecer uma história contigo sem medos. Quero apenas aproveitar o Sol lá fora e talvez algumas luas e estrelas vezenquando.

E, por todas essas razões, não me importo que mintas. Desde que seja sincero quando os meus lábios estiverem nos teus. Que seja real e intenso e que me faças acreditar no agora, que afastes os meus medos. Que sejas o meu amante latino e que me toque bem fundo no coração.
Apesar de.

Das paixões.

Das manhãs ensolaradas.

11:15

O café, apesar de amargo, não amargou os lábios está manhã. Porque o doce dos teus lábios ainda estava impregnado nos meus. E eu te invento poesia para poder fantasiar um pouco mais, não que o real não esteja bom é que tu conheces a minha mania de embonitar as coisas. Então, eu te "embonito" somente para que tu saibas que até em minhas linhas você está presente.


Enquanto eu como aquelas rosquinhas de polvilho que tu dizes não gostar por sujar os dentes, eu penso como a minha rotina mudou desde que você entrou em minha vida. O amor deixou de existir apenas em minha mente, tornou-se real e de certa forma palpável: com tuas ações, teus gestos, teus toques. Dessa forma. Acho gostoso esse amor inventado, sem medidas, sem ter que pesar. É tão estranho se encontrar dentro de alguém da forma que me encontro dentro de você. É estranho pensar que estivemos longe por tanto tempo, sem saber da existência do outro e ainda assim conseguir viver.

Eu já te contei que tudo é possível, amor? Nesta ciranda que é a vida. Nessa roda-gigante que insiste em rodar incessantemente?
Então, apenas feche os olhos. Assim como aquela criança que sente segurança na voz do pai, que mesmo correndo o risco de cair continua em frente por saber que se cair terá o pai para levantá-la.


Ouça a minha voz.
Sinta o vento no rosto.
Veja os olhos das crianças querendo algodão doce.
Olhe o vendedor com suas bexigas coloridas.
E se você conseguir encontrar poesia em tudo isso.
Saiba que não me enganei quando te disse: sim.

Das paixões.

O amor é a nova onda.

09:07

Três de Janeiro de Dois Mil e Onze. Sentou-se na cadeira habitual e folheava seu livro. Nada incomum. Tudo aquilo que ela sempre faz todos os dias. Deslizava os olhos sobre as desventuras da menina que insista em alimentar-se de palavras furtadas. Havia uma angústia a cada palavra lida, esperava-se o pior para aquela menina ossuda. Não dá para se esperar algo melhor para alguém que vivia na Alemanha nazista. Entre suspiros e lágrimas que aos poucos formavam-se nos cantos de seus olhos ele aparecera.

Ele. Uns 7 anos mais velho. O tempo exato de sua última aparição. Não havia mudado quase nada. A não ser o rosto com linhas de expressão mais fortes. Ele esboçou um sorriso nos lábios e sentou-se ao seu lado: "Bom dia, moça. Que milagre é esse!" - Disse-lhe com um sorriso estonteante. Devolveu-lhe um sorriso amarelo, mais pela timidez do que qualquer outra coisa. Ele tinha o dom de desconcertá-la desde sempre. Ela, porém, limitou-se a assentir com a cabeça. Fechou o livro em seguida e fitou-lhe os olhos. Mergulhou por um instante.

- Pego carona com meus pais até aqui. Há alguns meses. - Por algum motivo ela sentiu-se envergonhada após dizer isso. E o silêncio reinou entre os dois naquele momento, ela pensou em pegar o livro novamente e folheá-lo, mas desistiu quando ele lhe perguntara:
- Posso ligar pra você essa noite? - Com um sorriso largo ele lhe perguntou.
E ela apenas assentiu e lhe passou o seu novo número. A parada seguinte era do moço de olhos verdes e cabelo militar. Cinco minutos após sua descida ela recebera um torpedo.
- Não é por acaso que nos encontramos. Até à noite. Marcos.
Ela sorriu e pensou: "Que 2011 seja diferente!".
O cobrador vendo seu sorriso disse: "Parece que alguém usou rosa na passagem do ano."
Ela apenas sorriu. Era hora de descer.

Feliz DoisMileOnze!

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