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quinta-feira, março 05, 2015

Querido Nando,

A onda do mar já lambeu os meus pés umas trezentas vezes e eu ainda te espero chegar. O amor é uma doce espera. E eu continuo, em meus dias de sol, te esperando nas varandas da vida, nas praças que abrigam os amores serenos, nos parques que recebem as famílias aos domingos. O dia  mal amanheceu e eu já me apaixonei doze vezes por você e sei que este número será multiplicado tantas vezes mais até o pôr-do-sol. 

A vida é uma doce aventura. Os dias correm tão depressa quando você está, e tão lentos quando insistes em se ausentar de mim. Observo ao longe a imensidão deste mar de águas cristalinas e percebo a dimensão daquilo que guardo no coração para ti. A gente entende, observando o céu acima de nós, que há um porquê de poemas bobos e rimados na adolescência. Nós compreendemos que o amor é para quem é tolo, uma tolice é sadia e abençoada, mas ainda sim um disparate.

Os grãos de areia já beijaram as mãos umas dez vezes só esta manhã. Enquanto escrevo os nossos nomes, desenho as nossas iniciais e assisto as ondas - grandes e ciumentas - a nos levarem para o mar. Há quem diga, supersticiosamente, que o mar leva para sempre. Eu acredito que ela leva e abençoa. Modifica, une e nos torna enormes. Gigantes quanto a sua infinitude.

Há de crescer.
Hei de te esperar.

terça-feira, outubro 15, 2013

Azul

É azul.

A vida anda pintando tons diversos desde que aprendi a enxergar você. Ando desenhando a tua face por aí nesse céu de brigadeiro que os dias de Brasília vêm nos presenteado. E, aprendido também a entender que as pessoas são o que são. Com seus defeitos, seus medos, suas histórias e seu passado. O céu que me apaixona os olhos traz uma nostalgia não vivida. Uma prece que os dias corram devagar e que corramos juntos em direção aos nossos sonhos. É azul. Isso que me invade e traz ao meu coração uma paz e o anseio de que sejamos um. É a cor que vem adjetivando as minhas vontades. E tudo isso vem acontecendo sem ao menos – propriamente – acontecer. Mergulho em tons azulados e te encontro a cada céu-mar.

É azul.
Você é.


Você dobrou e desdobrou o meu coração com a facilidade de alguém que brinca com origamis. Veio sem razão aparente sambar bonitinho dentro do meu coração. Onde versam prosas sem nexos e poemas sem pretensões. Sei que é azul. Porque sinto do azul brotar o amor.  O amor que o vermelho esconde tantas vezes.

quarta-feira, outubro 02, 2013

Guerra ao coração

A vida ensina a cada minuto o que devemos fazer, mas não estamos atentos aos sinais. Preferimos observá-los de rabo de olho e dizer: "isso não é para mim." E, desse modo, aceitamos as coordenadas que o nosso coração nos dá. O coração é enganador, meu caro. Vive sob efeito letárgico das paixões e emoções que afloram dentro de nós. E não se dá conta do perigo iminente correndo mais rápido que um guepardo em nossa direção. E o maior problema de tudo isso é que o coração, alimentando assim o amor, nos dá uma coragem tremenda de enfrentar tudo e todos. Só que nem sempre ganhamos essa guerra.

segunda-feira, setembro 30, 2013

Ah, a felicidade!



Aprenda que você veio ao mundo sozinho e, por isso, não depende de ninguém para que ela faça sentido. A felicidade não deve estar amarrada a  alguém. Você tem que se bastar. O problema é que depositamos todas as nossas fichas em pessoas que sequer compreendem a grandeza daquilo que sentimos. E não, não podemos exigir que estes nos amem de volta. Afinal, as expectativas são criadas por nós em nossas mentes e corações. Dê asas ao seu amor, deixe que ele voe, o que há de ser seu encontrará o caminho de volta. Mas, por favor, ame-se primeiro. O que vier será consequência desse seu amor.

terça-feira, maio 28, 2013

Do inesperado.

Em parceria com a bonita da Juliane Rodrigues.


Eu não pretendia encontrar o amor ali e, ainda assim, em meio a tantas equações e orações subordinadas ele me apareceu. E sem pretensão alguma ele se alojou em meu coração. Foi necessário apenas algumas palavras bobas de adolescentes açucaradas. E, antes mesmo que o visse, meu coração já havia escancarado as portas para que ele viesse. E veio.

Primeiro dia de aula, expectativas, ansiedade, coração acelerado, uma curiosidade aguçada por querer saber, ver e conhecer o menino, que antes mesmo de nos encontrarmos, já despertava em mim o sentimento mais bonito. Borboletas no estômago se ouriçaram no momento em que o vi entrar vindo em minha direção. Mal sabia eu que dali, daquele dia em diante o destino se encarregaria de unir os nossos caminhos.

Com o passar dos dias eu me encantava mais, ao observá-lo. Olhos escuros, sorriso largo e um jeito meio desengonçado que acabou chamando minha atenção. Definitivamente eu não me reconhecia mais, tudo em mim parecia estar mudando, sentia como se estivesse a ponto de explodir, frenética. Sabe o contato visual? Então, acho que a partir do dia que o vi, conheci o verdadeiro significado dessa expressão.

Amor à primeira vista existe? Até o presente momento não acreditava. E achava uma babaquice toda essa história de que o cupido vem e solta a flecha, de que o amor vem e nos assalta. Mas era impossível lembrar de todos os meus conceitos, ideologias, diante daquele sorriso que era capaz de derreter uma geleira. O meu coração encontrava-se em estado de liquidificação. Eu sentia que era ele, só podia ser ele.

domingo, março 24, 2013

Das vontades.


Em parceria com a bonita da MF.



Entoava Cazuza na voz rouca da magnífica Cássia Eller em minha mente “eu quero a sorte de um amor tranquilo, com saber de fruta mordida...”. Botei o pensamento no repeat e cantei em silêncio esta mesma música quase a transformando num mantra. Minha testa gelava a medida em que ficava com ela apoiada no vidro da janela. Eu observava a quietude da rua, a noite alaranjada, os pontinhos de luz nos prédios como vaga-lumes que não piscam, a chuva que lavava o asfalto e esfriava gradativamente o mormaço da vida.
Eu desejava viver a música em sua integralidade. Sonhava em ter realmente um amor quase que sobrenatural, algo como Eduardo e Mônica ou até mesmo Romeu e Julieta, e a cada palavra cantada eu juro que rezava para que algum milagre acontecesse e a minha mente divagava em possíveis situações que me faria conhecer alguém. Confesso até que imaginei na clássica esbarrada derrubando livros e a fatídica troca de olhares e de tanto imaginar me doeu um bocado, porque eu via que sonhara demais e que histórias assim são muito hollywoodianas para uma vida normal.
Qual era o problema comigo, afinal? Ou melhor, qual era o problema do mundo? Que mal há em se querer um amor doce, um felizes para sempre bordadinho de clichês? Ando cansada dos quereres e chateada pelas recriminações silenciosas que recebo dos olhares de outrem, só por eu ser sonhadora e amar de mais. E eu amo. Eu amo aquele que não conheço, eu amo aquele que ainda não me descobriu e eu amo o amor que posso inventar para “nós dois”, esse nós que sequer existe.

segunda-feira, março 11, 2013

Fé no amor.



"Never had much faith in love or miracles 
Never wanna put my heart on the line 
But swimming in your world is something spiritual 
I'm gonna get every time you spank the night"
— Bruno Mars.



É a cara de chateação quando a "mizinha" do seu violão quebra, é a sua voz embromando -, mas ainda sim perfeita -, em inglês britânico, é o seu coração que bate compassadamente com o meu quando estamos abraçados, é o teu cabelo despenteado ao acordar, é a tua mão pousando sobre o meu ombro de leve ao pôr-do-sol, é a tua voz baixa ao cantar "more than words" para me apaixonar, é o teu amor enroscando-se ao meu em cada sonhar.

Eu que  não rezava há tempos e, tampouco, acreditava no amor descobri que ainda era possível. Porque você veio plantar flores dentro de mim e, dessa forma, zilhões de borboletas foram atraídas até mim. Eu que não entendia sobre galáxias, hoje consigo enxergar milhares dentro dos teus olhos, eu que não me enamorava das estrelas, trago-as aos meus lábios cada vez que beijo os seus cílios, experimentando um céu inteiro em um ósculo quase santo.

Nós que não éramos e hoje somos, nós que deixamos de ser dois e tornamos um, nós que aprendemos a amar até mesmo a indelicadeza do outro, nós que não tínhamos pretensão alguma de ser, nós que andamos por aí de mãos dadas e com um sorriso nos lábios, nós que compreendemos que a felicidade está em ser e não em ter, nós que entendemos que a poesia é a vida que ninguém vê, nós que decidimos ter fé e acreditar. Acreditar que o amor é só isso: esse ser e estar.

terça-feira, maio 22, 2012

Costura-se um coração

Eu queria ter o coração imaculado dos meus cinco anos de idade. Aquele que ainda não havia sido cerzido diversas vezes, que não tivesse marcas de costura. Contudo, o coração já anda tão desgastado que eu penso: - será possível ainda sofrer? E então, como não obtenho respostas vou me aventurando por aí. Afinal, meu coração é meio boêmio, gosta de aventura, das ondas molhando os pés as duas da madrugada. Concluindo: é meio vagabundinho.


Só que ando meio cansada de toda essa libertinagem. Essa história de não ter lugar onde pousar, não ter raízes - ou melhor-, não ter terra profunda o bastante para que elas se fortaleçam. E então, eu penso que ando fora do tempo, que já sou um pouco antiga, que não tenho mais idade para [re]começar.


E enquanto eu olho para o reflexo no espelho, mudo a tonalidade de voz para alcançar meu próprio coração, com tons que mudam de manso a severo. Complicado é convencer "alguém" tão genioso a fazer o que a cabeça acha que é correto. Difícil é entender o que se passa dentro, quando não se sabe o que acontece fora. E nesse emaranhando de confusão, acho que na verdade queria algo [ou alguém] que me completasse.



E mais uma vez eu respondo um questionamento com a palavra: difícil.

quinta-feira, outubro 13, 2011

Não há coração que resista.

E a história começou com os créditos subindo naquele telão preto do cinema. Não
deu tempo de se envolver, de emocionar os telespectadores, porque ela começou
pelo final.



Eu me apaixonei, perdidamente, por ela. Ela não entendia como em tão pouco tempo um sentimento dessa forma havia se instalado aqui dentro e eu, inutilmente, tentava lhe explicar. Ela tinha o coração tão duro e era sempre tão ríspida com as palavras, sempre me desencorajando. Dissera que não poderia corresponder qualquer sentimento, porque não tinha mais espaço para amores em seu coração. Sempre lhe lembrava o real motivo de estarem ali e repetia inúmeras vezes a mim: FOCO, tenha foco. E isso me magoava deveras. Porque ela sempre conseguia me desconcertar com o olhar tímido e me desmontar com os seus nãos consecutivos e ainda assim eu continuava lá.


Por quê? Porque ela me fizera experimentar uma das sensações mais incríveis, que há muito eu havia esquecido: ser um adolescente apaixonado. Ela não entendia. Eu não queria mais explicar, queria apenas que ela sentisse que era real. E eu a olhava ininterruptamente por horas enquanto ela, sequer, me devolvia o olhar. E eu pensava: poxa, como ela é difícil. Eu sempre querendo agradá-la e ela sempre esquivando. Eu dizendo que estava apaixonado e ela apenas pensativa, eu dizendo que a amava e ela assustada pedindo para eu pisar no freio. E eu sem saber o porquê dela ser assim, tão desconfiada, tão dura consigo mesmo.


Sempre achei que as mulheres desejassem ter alguém aos seus pés, que lhe contasse os sentimentos inconfessáveis, mas ela era diferente. Ela não queria. Ela que tem palavras tão bonitas, que escreve poesia e fala de amores, se recusava a ouvir que eu a amava, que eu a queria. Não deu para entender ainda o desfecho disso tudo. Ela simplesmente pediu que eu a abandonasse, que não a procurasse e assim eu fiz. Ela não sabe, mas sinto falta de dormir conversando com ela. Ou melhor, de ficar esperando uma resposta e receber às 4 da madrugada um sms dela dizendo: eu dormi.


Ela não sabe, mas está me fazendo falta.

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Das manhãs ensolaradas.

O café, apesar de amargo, não amargou os lábios está manhã. Porque o doce dos teus lábios ainda estava impregnado nos meus. E eu te invento poesia para poder fantasiar um pouco mais, não que o real não esteja bom é que tu conheces a minha mania de embonitar as coisas. Então, eu te "embonito" somente para que tu saibas que até em minhas linhas você está presente.

Enquanto eu como aquelas rosquinhas de polvilho que tu dizes não gostar por sujar os dentes, eu penso como a minha rotina mudou desde que você entrou em minha vida. O amor deixou de existir apenas em minha mente, tornou-se real e de certa forma palpável: com tuas ações, teus gestos, teus toques. Dessa forma. Acho gostoso esse amor inventado, sem medidas, sem ter que pesar. É tão estranho se encontrar dentro de alguém da forma que me encontro dentro de você. É estranho pensar que estivemos longe por tanto tempo, sem saber da existência do outro e ainda assim conseguir viver.

Eu já te contei que tudo é possível, amor? Nesta ciranda que é a vida. Nessa roda-gigante que insiste em rodar incessantemente?
Então, apenas feche os olhos. Assim como aquela criança que sente segurança na voz do pai, que mesmo correndo o risco de cair continua em frente por saber que se cair terá o pai para levantá-la.


Ouça a minha voz.
Sinta o vento no rosto.
Veja os olhos das crianças querendo algodão doce.
Olhe o vendedor com suas bexigas coloridas.
E se você conseguir encontrar poesia em tudo isso.
Saiba que não me enganei quando te disse: sim.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

O amor é a nova onda.

Três de Janeiro de Dois Mil e Onze. Sentou-se na cadeira habitual e folheava seu livro. Nada incomum. Tudo aquilo que ela sempre faz todos os dias. Deslizava os olhos sobre as desventuras da menina que insista em alimentar-se de palavras furtadas. Havia uma angústia a cada palavra lida, esperava-se o pior para aquela menina ossuda. Não dá para se esperar algo melhor para alguém que vivia na Alemanha nazista. Entre suspiros e lágrimas que aos poucos formavam-se nos cantos de seus olhos ele aparecera.

Ele. Uns 7 anos mais velho. O tempo exato de sua última aparição. Não havia mudado quase nada. A não ser o rosto com linhas de expressão mais fortes. Ele esboçou um sorriso nos lábios e sentou-se ao seu lado: "Bom dia, moça. Que milagre é esse!" - Disse-lhe com um sorriso estonteante. Devolveu-lhe um sorriso amarelo, mais pela timidez do que qualquer outra coisa. Ele tinha o dom de desconcertá-la desde sempre. Ela, porém, limitou-se a assentir com a cabeça. Fechou o livro em seguida e fitou-lhe os olhos. Mergulhou por um instante.

- Pego carona com meus pais até aqui. Há alguns meses. - Por algum motivo ela sentiu-se envergonhada após dizer isso. E o silêncio reinou entre os dois naquele momento, ela pensou em pegar o livro novamente e folheá-lo, mas desistiu quando ele lhe perguntara:
- Posso ligar pra você essa noite? - Com um sorriso largo ele lhe perguntou.
E ela apenas assentiu e lhe passou o seu novo número. A parada seguinte era do moço de olhos verdes e cabelo militar. Cinco minutos após sua descida ela recebera um torpedo.
- Não é por acaso que nos encontramos. Até à noite. Marcos.
Ela sorriu e pensou: "Que 2011 seja diferente!".
O cobrador vendo seu sorriso disse: "Parece que alguém usou rosa na passagem do ano."
Ela apenas sorriu. Era hora de descer.

Feliz DoisMileOnze!

segunda-feira, dezembro 20, 2010

A flor.

“Existe uma flor que me desperta desejos. Ela tem a sua face quando eu a
observo. Consigo enxergar além do pólen e suas pétalas. As cores lilás e branca me remetem a um vestido seu de renda.”


Eu via seus pés sujos de terra branca. Aquela que está ao redor do parquinho. O seu vestido de renda parecia dançar com a brisa de um jeito tão sereno, que me lembrava uma criança. Lembro-me que dissera quando criança havia ganhado de sua mãe um vestido de crochê rodado e que fica por horas dançando. Como se fosse realmente uma dançarina, o ritmo da lambada fazia com que as suas rodadas fossem tão incríveis e perfeitas, sei que apesar da pouca idade você já via poesia ao dançar.

É engraçado como consigo projetar essa imagem da cabeça, mesmo não estando lá. Vejo você dançando e ao redor várias pessoas batendo palma no ritmo da música, encorajando-a, dando forças para continuar. E em seus lábios o sorriso infantil e a cinturinha requebrando sem maldade, dançando apenas sonhos. Tudo é tão preciso até mesmo aquela flor enorme de maracujá que você insistia colocar no cabelo. Dizia que precisava ficar tão exuberante quanto às dançarinas profissionais. Ora, moça quanto anos tinha?

Fico rindo imaginando você com toda sua doçura tentando ser mulher. Então, crio situações em que “você-criança” veste as roupas de sua mãe, calça os sapatos, usa seus colares e pinta seu rosto com maquiagem. Até olhar para o espelho e fazer o trejeitos de sua mãe, como a cara de zangada que ela sempre faz ou de piedade quando você se machuca. Moça, não estive na sua vida por muito tempo, mas a minha imaginação faz-me te conhecer tão bem. Perfeitamente.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Senta aqui.

Senta aqui. Vou te contar algumas coisas que não se dizem costumeiramente - é que normalmente ficam aprisionadas, debatendo-se nas paredes de meu estômago e martelam vezenquando em minha mente cansada. Vem cá. Se eu te olhar nos olhos você irá entender melhor? Por favor não me peça que os olhos fiquem encontrados, mirados, enquanto eu estiver falando. Não há mentira no que eu vou dizer, mas se você me obrigar a continuar olhando em teus olhos creio que as palavras não sairão facilmente. É que você me intimida.
Olhe. Eu irei usar de palavras sinceras e sem muito enfeite, porque preciso esvaziar-me um pouco. Porque eu estava ouvindo uma baladinha antiga e imaginei que a gente podia curtir juntos sem preocupações ou mesmo obrigações. É que você me vem a mente com tanta frequência que eu já imaginei diversas possibilidades de nos ficarmos juntos e todas elas me assustam. Porque eu estou insegura - eu sou insegura. Eu tenho medo de te magoar, porque eu sou muito boa nisso.
E então. É que eu queria dizer que eu vez ou outra sinto vontade de pegar a tua mão e andar por aí, de deitar sobre a grama em algum parque e ficar olhando o céu azul, de pegar em teus cabelos e cheirá-los, de beijar os teus olhos e dizer que são meus. Na verdade, eu queria mesmo dizer sem reservas o quanto há de você em mim. Eu queria que você soubesse assim, pela minha boca, que eu te sou e que você me é. Dá para entender?
É tão complicado dizer essas coisas abertamente e mesmo que eu tente, diversas vezes, sempre haverá uma falha, algo que não será dito, porque as palavras deixam os sentimentos mais bonitos, embora eu acredite que verbalizados tenha efeito maior. E eu fico pensando até quando? Porque eu juro que todas as noites antes de dormir eu faço a mesma pergunta a Deus:"onde vai parar esse sentimento? Até quando ele existirár?" E, sabe, não há resposta. Só um grilinho que insiste em embalar o meu sono e pode acreditar: este já virou meu amigo.

Poxa, me demostra só um pouquinho que o que sinto não é assim de todo errado, não é em vão. Me faz feliz um pouco.

terça-feira, janeiro 05, 2010

Ocre.

Eu preciso da nicotina em minhas veias, porque me entorpece deixando-me mais leve. Eu necessito dessa dose a mais, porque ela emaranha os meus sentidos separando o que é real do fantasioso. Está vendo? Na verdade eu sempre precisei daquilo que é palpável e que você não pôde me dar. E em cada tragada e gole eu te encontro. E você me é melhor assim: “engarrafado”. Porque eu te bebo e vou sentindo você deslizar dentro de mim.

E meu batom, que outrora era cor-de-rosa, hoje é vermelho. Porque vermelho é a nova cor para mim, nada de azul que me remetem ao céu, de verde esmeralda que me lembra a verde grama, do marrom que me lembram os teus grandes olhos. Nada disso. Quero o vermelho que dá raiva no touro, que o incita ao ódio, que machuca e fere. Porque nada mais me importa, sabe. Porque eu não sinto, mesmo sentindo. Porque há em mim um misto – que não é bom. É nada, misturado com coisa nenhuma, enroscada em ausência. É oco, é árido. Terra seca sem vida. E eu gosto, quer dizer, assim prefiro.

Porque azul me dá náuseas, verde não me comove e o marrom tampouco me importa agora. Porque você para mim era caixa de lápis de cor e hoje só quero saber de canetas. Isso. E embora você não tenha culpa, eu me tornei assim, amarga. E a minha cor de hoje é ocre.
E não queira saber o que essa cor significa pra mim.

(Postagem coletiva de amanhã nesse blog - Post Coletivo. Visite e saiba como participar.)

terça-feira, dezembro 29, 2009

Todo azul do mar;

Há muito havia me esquecido como era ouvir o meu nome saindo de teus lábios: doce - como havia de ser. E eu não esperava você, não daquela maneira, naquela circunstância. E você me veio naquela tarde cinzenta e sentou-se ao meu lado. Ali no chão. E eu usava um jeans surrado e você disse: - esse jeans tem história. E eu ri. E os seus dedos percorriam o meu pulso brincando com a fitinha de Bom Jesus da Lapa que recém-adquiri. E eu não disse nada. Apenas assenti. Porque as tuas mãos sempre me foram refúgio e os teus abraços sempre me envolviam quando eu queria - e quando quero. Mas eu não te chamei e mesmo assim tu vieste ao meu encontro. E aquela grama parecia tão verde, assemelhava-se a cor dos teus olhos. E eu disse: - tom verde grama. E você deu de ombros: - eles mudam vezenquando. Nós rimos porque era gostoso você me ter e vice-versa sem obrigações, sem pedir nada em troca. E nós éramos um do outro - sempre fomos, afinal.

E você me cantou todo azul do mar dizendo que era por causa da fitinha. Que a sua mãe gostava e que você, mesmo achando brega, gostava da poesia da música. Eu ri novamente. Porque você sabia que eu era bem boba com essas demonstrações de afeto e então corei. E nós nos fitamos por alguns instantes a mais. E o sol escondia-se atrás dos prédios anunciando que era hora de ir, mas você continuou ali. E eu sentia que as minhas emoções sempre mudavam quando te tinha por perto, mas não compreendia. E eu ficava me perguntando se a gente se amava, sem que os meus lábios se abrissem - apenas em pensamento. E você me lia claramente. E nossos olhos confusos e tímidos avistavam o nada, só o horizonte. E não precisamos dizer nada. E então eu lembrei que não houve um adeus, um até logo ou breve e que as despedidas nunca fizeram parte de nosso cotidiano. E a gente se pertencia e ponto final. Porque não tivemos um fim de fato.

E você me veio assim manso e sem pretensão alguma. Deitando-se em minhas pernas continuou ali por várias horas, até que a Lua estivesse no alto do céu. E eu te acariciava os cabelos negros como a asa de uma graúna e te cantava More than Words e a gente sempre se amava daquela maneira. Contida. Só com palavras, porque os gestos e toques já não nos satisfaziam mais. E naquela noite eu não te beijei e pela primeira vez vimos que era melhor assim. Porque não era necessário que nossos lábios se tocassem para que soubéssemos que éramos de fato um do outro.

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Dos encontros;

Passavam-se das dez e meia e a chuva ainda não cessara, obrigava-a continuar ali esperando. Impaciente como sempre, batia os pés descompassados, enquanto o relógio avançava às horas rapidamente. Encheu-se de coragem e partiu em meio à chuva que caia ferozmente, desejava ir para casa. Estava exausta, algumas reuniões e decisões haviam sido tomadas deixando-a com os nervos irritadíssimos. Seu destino não era longo, atravessou a avenida a passos lentos, estava molhada e pressa já não tinha mais.

Começou a devanear, em mente, o rapaz que lhe roubara os sentimentos. Estava tão absorta que não percebera a aproximação do carro que vinha velozmente, colocou os pés na pista e foi repelida para trás pela buzina ensurdecedora do Vectra verde. Xingou, murmurou alto. E o moço que dirigia abaixou o vidro do carro dizendo: - Mel, não te vi menina. Perdoe-me. De súbito ela reconheceu a voz, claro. Está estava tão impregnada em seus sonhos e pensamentos que lhe era impossível não reconhecer: Ele! - Pensou.

Gaguejou um pouco até recuperar o fôlego. Ela estava ensopada da cabeça aos pés e ele gentilmente abriu a porta do carona obrigando-a a entrar. Perdeu a voz. Ele retirou a blusa e lhe deu para que se secasse e ela enrubesceu. Observando a timidez da moça ele disse: - Não te acanhes, tão logo cheguemos a casa me visto. Ela apenas assentiu. E em pensamentos pensava: - Como assim chegar a casa? Não vai me deixar na minha casa? Somente pensou. Não quis perguntar, deixou que a noite fosse dele, assim como a direção.

Chegando a casa trocou-se e lhe ofereceu uma toalha. Ela olhou-o atônita. Ele sempre ligava para ela, mandava-lhe mensagens, mas ela não conseguia enxergar nada, além disso. Suas deixas sempre a deixava confusa e ela não sabia o quê de fato ele pensava. E agora eles estavam lá, calados, olhando um para o outro. Ele, por sua vez, cansado de todas as entrelinhas e indiretas disse-lhe: - Doce. Sou-te apaixonado, fato isso. O sorriso molhado da moça rompeu o silêncio que acabara de se estabelecer com essa revelação e ela que outrora era toda tristeza, não se conteve e beijou-o como desejava há tempos.

Depois em seu ouvido ele disse: - Viu que não precisava ter medo? Sempre fui teu. Mas a incerteza também me consumia hoje, porém, vendo-te ali. Criei coragem. E juro que se soubesse dos teus doces beijos teria dito antes. Gosto-te, pequena.
(Desativei o: It's a problem)

sexta-feira, novembro 20, 2009

Alan,

(...) nem as torrentes, das grandes águas, conseguirão apagar esse amor, pois suas chamas são fogo ardente, mais do que amor é bem mais forte esse amor. De abraço esmagante, de ausência torturante, de noite e luz e feito esse amor, de dor incomparável, consolo inestimável, de vida e cruz é feito esse amor. Nicodemos Costa ♫

Os meus olhos sentem saudade do teu sorriso claro e largo, amor. Daquele teu abraço que me afastava a tristeza e das tuas mãos que limpavam as minhas lágrimas. Hoje você me doeu, sabe? De uma maneira tão intensa que o meu corpo não quis levantar da cama, nem meu travesseiro conseguiu abafar os meus soluços que insistiam em demonstrar que havia algo errado dentro de mim. Sinto tanta falta de ti, do teu carinho, da proteção, de poder confiar em alguém.
Eu sinto falta de ser amada e sinto que o amor morreu contigo. E me dói.

Dói tanto que minhas lágrimas me escorrem pela face enquanto escrevo isso, tudo tão embaçado.
Dói-me sentir que os meses estão passando e em minha mente sua imagem está cada vez menos nítida, você está sumindo de mim e eu tento estender a mão e você não a alcança. Será que amar é sempre assim? Nunca ganhar, só perder?


Sabe eu me lembro dos teus telefonemas do nada só para dizer “oi”, do som de seu cavaquinho, de você rindo da minha dificuldade de fazer as notas no violão, de sua mão estendida para atravessarmos a rua. Sim, você era o único que não ria desse meu medo, compartilhava.
E eu me perdi, Alan. Desde que você me deixou, aqui sozinha. Só com a dor. Eu te via em meus sonhos diários e isso amenizava, mas de repente você sumiu de lá também. Ainda não sou forte o bastante para ficar sem você, por completo.

Eu queria hoje, principalmente, que você me enxugasse as lágrimas, beijasse a minha testa como você costumava fazer, me abraçasse e jogássemos dama. Queria que você me dissesse que eu não estou louca, que não estou perdida. E que eu não afasto as pessoas que eu amo, que não sou má, só um pouco desatenta e medrosa.

Mas você não vai me abraçar, né? Sim, eu sei.


Pâmela, a priminha.

sábado, novembro 07, 2009

O trem;

O trem está quase partindo, eu posso ouvi-lo a quilômetros, deslizando sobre os trilhos a uma velocidade razoável, creio que se você quiser, poderá me encontrar aqui se apressar o passo. Sim, os meus olhos vagam em todas as direções, como uma rosa-dos-ventos, na esperança de te ver surgir de alguma entrada, atrás de alguma pessoa, assim do nada.

Os segundos vão passando rapidamente e o trem não vai esperar você chegar, bonito.
Eu me agarro apenas a esperança de você ter reparado, captando tudo que sempre houve entre nós, as minhas entrelinhas e alguns deslizes que cometo, propositalmente, para que descubras o que há além das palavras, dentro de mim.

O trem apontou na curva, meu bem. E eu ainda não consigo enxergar o teu rosto entre milhares de rostos que circulam a estação. Os meus olhos se enchem de lágrimas, mal posso enxergar as letras garrafais de um pôster de que diz: “haverá sempre um amanhã para recomeçar”.

O trem chegou e eu continuo sentada em cima da minha mala cheia de esperança, sonhos e desejos. Bagagem essa que levarei não sei para onde, mas que não poderia deixar aqui contigo. É, bonito, você vai mesmo me deixar partir. Eu sei.

E meu peito aqui cheio e congestionado quer gritar, chorar. Queria que as coisas fossem diferentes, que quando eu colocasse os pés dentro desse trem eu te avistasse.

Adeus, meu amor.

E você permanecerá sempre dentro de mim, bonito. Porque em (...) "minha memória - tão congestionada - e no meu coração - tão cheio de marcas e poços - você ocupa um dos lugares mais bonitos".
Caio F. Abreu

quarta-feira, outubro 14, 2009

Samba do meu coração.
Tereza tinha nos olhos saudade.
Saudade daquilo que nunca foi.
Em seu peito guardava um amor de verdade.
Verdade que somente ela acreditou.

Deixa menina - seu coração se encontrar com meu.
E a verdade te mostrar como é.
Se aceitares um acorde de meu cavaquinho.

(...) terás lugar no samba de meu coração.


  • Meu coração canta e chora.
    É a saudade de tudo...

quinta-feira, outubro 08, 2009

E as linhas tortas já não são suficientes. Estar perto é tão necessário.
Que a palavra ausência me dói só em pensar que poderá algum dia haver entre nós.

(...) e o medo continua a me fazer de refém.