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quinta-feira, março 12, 2015

(...) dos meus primeiros beijos.

Na infância temos uma visão muito limitada sobre o amor. Ele é inserido em nossas vidas através dos contos de fadas. Nos imaginamos como princesas e aguardamos, ansiosamente, por nossos príncipes encantados. Idealizamos um modelo perfeito de homem ideal. Aquele que desbrava sete mares, que enfrenta dragões, que escala torres em nossos cabelos, aquele que - por fim -,vem até nós de cavalo branco. O problema é que não somos da realeza, nossos pais não são reis e das fábulas herdamos apenas as tribulações e angústias das jovens princesas. 

Com o tempo os nossos olhos se descortinam e passamos a entender que o amor não habita na fantasia. Ele tem que ser palpável, ser exato em suas inexatidões, tem que ser sentido na carne.  O amor é o único que consegue nos massacrar, vilipendiar nossos corações e nos cicatrizar como se a dor fosse coisa boba, a toa. Ele nos leva do céu ao inferno em segundos. Só amor é capaz de nos transformar de forma involuntária e sem razões. 

Eu imaginei ter descoberto o amor na inocência dos meus primeiros beijos. Aqueles que dei ao primeiro garoto que entreguei de bandeja o meu coração. Aos doze anos você tem a convicção de que viverá tão bem quanto a Cinderela após o príncipe ter calçado o sapatinho de cristal em seu pé. Mas, a vida vai lhe mostrando que não é tão simples assim, que não nos apaixonamos de um dia para a noite, que a vida não é a quimera que imaginamos ser.

Um dia você também compreenderá que as classificações do amor são todas falhas e sem sentido. Talvez você fale sobre ele e discorra, assim como eu, em textos enormes, cheios de açúcar e esperanças. E, dessa forma, entenderá que falar sobre amor não é saber amar [e suplicará aos céus que a vida não seja uma farsa].

Há mais narrações em minha vida do quê, de fato, sentimentos.   

quinta-feira, março 05, 2015

Querido Nando,

A onda do mar já lambeu os meus pés umas trezentas vezes e eu ainda te espero chegar. O amor é uma doce espera. E eu continuo, em meus dias de sol, te esperando nas varandas da vida, nas praças que abrigam os amores serenos, nos parques que recebem as famílias aos domingos. O dia  mal amanheceu e eu já me apaixonei doze vezes por você e sei que este número será multiplicado tantas vezes mais até o pôr-do-sol. 

A vida é uma doce aventura. Os dias correm tão depressa quando você está, e tão lentos quando insistes em se ausentar de mim. Observo ao longe a imensidão deste mar de águas cristalinas e percebo a dimensão daquilo que guardo no coração para ti. A gente entende, observando o céu acima de nós, que há um porquê de poemas bobos e rimados na adolescência. Nós compreendemos que o amor é para quem é tolo, uma tolice é sadia e abençoada, mas ainda sim um disparate.

Os grãos de areia já beijaram as mãos umas dez vezes só esta manhã. Enquanto escrevo os nossos nomes, desenho as nossas iniciais e assisto as ondas - grandes e ciumentas - a nos levarem para o mar. Há quem diga, supersticiosamente, que o mar leva para sempre. Eu acredito que ela leva e abençoa. Modifica, une e nos torna enormes. Gigantes quanto a sua infinitude.

Há de crescer.
Hei de te esperar.

segunda-feira, março 11, 2013

Fé no amor.



"Never had much faith in love or miracles 
Never wanna put my heart on the line 
But swimming in your world is something spiritual 
I'm gonna get every time you spank the night"
— Bruno Mars.



É a cara de chateação quando a "mizinha" do seu violão quebra, é a sua voz embromando -, mas ainda sim perfeita -, em inglês britânico, é o seu coração que bate compassadamente com o meu quando estamos abraçados, é o teu cabelo despenteado ao acordar, é a tua mão pousando sobre o meu ombro de leve ao pôr-do-sol, é a tua voz baixa ao cantar "more than words" para me apaixonar, é o teu amor enroscando-se ao meu em cada sonhar.

Eu que  não rezava há tempos e, tampouco, acreditava no amor descobri que ainda era possível. Porque você veio plantar flores dentro de mim e, dessa forma, zilhões de borboletas foram atraídas até mim. Eu que não entendia sobre galáxias, hoje consigo enxergar milhares dentro dos teus olhos, eu que não me enamorava das estrelas, trago-as aos meus lábios cada vez que beijo os seus cílios, experimentando um céu inteiro em um ósculo quase santo.

Nós que não éramos e hoje somos, nós que deixamos de ser dois e tornamos um, nós que aprendemos a amar até mesmo a indelicadeza do outro, nós que não tínhamos pretensão alguma de ser, nós que andamos por aí de mãos dadas e com um sorriso nos lábios, nós que compreendemos que a felicidade está em ser e não em ter, nós que entendemos que a poesia é a vida que ninguém vê, nós que decidimos ter fé e acreditar. Acreditar que o amor é só isso: esse ser e estar.

terça-feira, janeiro 17, 2012

Do incêndio que se faz em você.






Eu tava ouvindo Tim Maia cantar algo do tipo: "que um nasce pra sofrer, enquanto o outro ri." Só que eu percebi que a gente anda fazendo isso demais, sabe? Não sofrer. Mas andamos rindo de tudo e todos. E algo meio que disparou o sinal vermelho, só que eu não quis correr como se corre de um incêndio, eu quis ficar ali observando e pedi para o circo pegar fogo. Eu quis pagar para ver. Eu quis te ver ali sorrindo para mim, daquele jeito que só você sabe, derretendo-me aos poucos.
Porque você sabe fazer isso com maestria, derreter-me, deixar-me boa. Talvez seja sintoma, daquele amor antigo que o tempo resolveu resgatar. Sabe aquele? Que deixei passar, que foi abafado aqui dentro desse coração? Reviveu. E me fez reviver aquela história já esquecida. Mais que isso, nasceu a vontade de criar uma nova, com um novo fim. Feliz.