Senta aqui. Vou te contar algumas coisas que não se dizem costumeiramente - é que normalmente ficam aprisionadas, debatendo-se nas paredes de meu estômago e martelam vezenquando em minha mente cansada. Vem cá. Se eu te olhar nos olhos você irá entender melhor? Por favor não me peça que os olhos fiquem encontrados, mirados, enquanto eu estiver falando. Não há mentira no que eu vou dizer, mas se você me obrigar a continuar olhando em teus olhos creio que as palavras não sairão facilmente. É que você me intimida.
Olhe. Eu irei usar de palavras sinceras e sem muito enfeite, porque preciso esvaziar-me um pouco. Porque eu estava ouvindo uma baladinha antiga e imaginei que a gente podia curtir juntos sem preocupações ou mesmo obrigações. É que você me vem a mente com tanta frequência que eu já imaginei diversas possibilidades de nos ficarmos juntos e todas elas me assustam. Porque eu estou insegura - eu sou insegura. Eu tenho medo de te magoar, porque eu sou muito boa nisso.
E então. É que eu queria dizer que eu vez ou outra sinto vontade de pegar a tua mão e andar por aí, de deitar sobre a grama em algum parque e ficar olhando o céu azul, de pegar em teus cabelos e cheirá-los, de beijar os teus olhos e dizer que são meus. Na verdade, eu queria mesmo dizer sem reservas o quanto há de você em mim. Eu queria que você soubesse assim, pela minha boca, que eu te sou e que você me é. Dá para entender?
É tão complicado dizer essas coisas abertamente e mesmo que eu tente, diversas vezes, sempre haverá uma falha, algo que não será dito, porque as palavras deixam os sentimentos mais bonitos, embora eu acredite que verbalizados tenha efeito maior. E eu fico pensando até quando? Porque eu juro que todas as noites antes de dormir eu faço a mesma pergunta a Deus:"onde vai parar esse sentimento? Até quando ele existirár?" E, sabe, não há resposta. Só um grilinho que insiste em embalar o meu sono e pode acreditar: este já virou meu amigo.

Poxa, me demostra só um pouquinho que o que sinto não é assim de todo errado, não é em vão. Me faz feliz um pouco.