Antes mesmo que a data marcasse o início do verão, eu já o tinha dentro de mim. Porque tu és o meu sol nos dias de chuvas e nos outros também. E este sol que me queima a pele, que instiga os sentidos nada é parecido com o que tu me provocas. Porque se antes de ti o azul tinha minha predileção, hoje funde-se o vermelho e o amarelo em tons iguais, casados, vivos e ardentes. Porque você me é fogo, nos dias em que há gelo ao redor de mim. E essa comparação com fenônemos da natureza, seres inanimados e outros adjetivos "criados" me vem à cabeça somente para dizer o quanto você vive em mim, é bom saber que a gente mora vezenquando dentro de alguém.
Gostar de você é doce, fácil e hoje se faz tão necessário, que há muito não consigo lembrar como era quando você não existia- aqui dentro - é que minhas recordações são tão vagas, incompletas, quase inexistentes. Mas eu penso que inconscientemente você já morava em mim, de memórias antigas e esvanecidas, e se eu acreditasse em amores passados tu com certeza seria o meu, porque eu te tenho cá dentro como se outrora existissimos assim: um com ou outro.
E eu vou ouvindo Nando Reis cantar suas músicas que mais parecem poemas, daqueles que meu coração escreveriam facilmente para ti, porque as palavras me vem facéis quando tu és o destinatário e eu não preciso de nada, olhar horizonte ou imaginar rimas, porque tu me és por completo, inteiro e até quando a minha está alheia aos teus movimentos, você está dentro de mim - de alguma forma. Seja nos meus pensamentos, na música que tu gostas, no meu livro que tu insistes em criticar, nos palavrões que não saem da tua boca e que agora - incrivelmente - não saem da minha. É fácil. Eu digo.
Porque as letras do alfabeto tornam-se tão atraentes aos meus dedos quando eu penso no teu nome, assim no meio, quando te envolve até Mr. Bean poderia se tornar atraente e tu sabes o quanto detesto e acho patético ele. E eu vou acredito, bonito, que a vida torna-se mais verão quando tu estás por perto, quando tu insistes em iluminar os meus dias cinzas. Pinta-me por inteira sempre, amor. E eu não sei, deveras. O que deu para te escrever assim, demasiadamente, hoje. Mas ocorre-me que tu és bem mais do que eu possa expressar e ainda assim eu não me canso em escrever-te, descrever-te.
Sabe que o teu sorriso, um que tive há alguns meses, ele não sai do meu pensamento. Porque eu em mil anos não poderia desejar nada, além de ter aquele sorriso gravado não só em minha memória para que todos os dias eu te olhasse e com suspiro profundo te amasse ali. Com a minha visão.

Amo-te com toda doçura e calor de minh'alma. Sou-te por inteira. Sempre.