"Guardo para te dar/ As cartas que eu não mando/ Conto por contar/ E deixo em algum canto"

Tais palavras ardem a garganta e insistem em não sair, bonito. Então, escrevo em papéis os sentimentos que me moram, doem vezenquando. Porque são palavras bonitas que não são ditas, estão caladas, desejando-te ardentemente. Há várias delas espalhadas por aqui, tão perto de ti em alguns momentos e tão longe em outros. Penso que o amor é sempre assim: descontentamento. Mas, por hora, penso que o amor é sentimento vacilante, medo – sim, o meu é -, é ficar na dúvida. Não saber qual será a reação, o que vem depois, se haverá uma mudança, se as palavras serão as mesmas, se pisaremos em “ovos” dali em diante. Por isso me calo, porque não há sentimento pior para mim do que a contenção – sei, isso não é sentimento, mas deixe-me adjetivá-lo assim – é que eu não quero falar dos meus sentimentos abertamente e ter a limitação das palavras. Você dizer:”oi, tudo bem?” e o papo encerrar ali. Porque somos tão falantes não é mesmo? Que me dói.

Bonito, esses dias eu pensei que o sentimento não seria escrito novamente. Porque me angustia a possibilidade do não ter eterno e de tuas palavras simplesmente sumirem da minha vida. A gente é só isso, palavras contidas, palavrões-brincalhões e eu não quero perder isso. Não agora. Então, ocorre-me hoje, dizer-te o que há nas cartas é o mais puro amor, aquele que Nando Reis canta na música “Pra você guardei o amor...” e tantos outros sentimentos, há também a amizade que eu acredito que seja o nosso maior laço, porque eu sei que a gente se gosta, que este sentimento é recíproco. Esse sim. Mas são tantos outros sentimentos que me impedem de dizer o que sinto por ti, então eu vou escrevendo, te escrevendo, me escrevendo, nos escrevendo e eu, sinceramente, não sei até quando continuarei com esse círculo vicioso. Talvez, até você se cansar de mim. Se é que não cansou.
Eles também não mandam: postagem coletiva.