"Aquela história de até que a morte nos separe não devia ser levada ao pé da letra."

Versão contada por ele em: Palavras e Silêncio da Fê.

O dia amanheceu claro e podia ver os raios solares entrando por algumas frestas de minha janela. O canto dos pássaros nunca me fora tão belo como hoje, contraltos, sopranos, em uma sinfonia que fazia meu coração dançar suavemente.

Levantei-me e enquanto olhava no espelho lembrava que os meus olhos para ti havia estrelas, uma constelação cujo nome você dera. E sorria boba. Porque na noite anterior me chamastes de princesa.

Enquanto penteava os cabelos lembrava os teus dedos entrelaçados em meus fios loiros, cacheando e desmanchando os meus cachos. O cheiro do teu doce perfume em teus ombros e o doce sabor de tua boca. Sabia que assim que eu terminasse de me arrumar, me encontraria contigo, assim como todas as manhãs. No mesmo lugar e andaríamos de mãos dados como namorados que éramos.

As horas passavam lentamente e eu ouvia cada tique-taque do relógio, cada som martelava meu coração, deixando-me ansiosa. Faltavam alguns minutos – eu pensava.

Desci em direção à praça, sentei-me e fiquei observando os transeuntes passando, eles me olhavam, era impossível não notar o meu sorriso, era tão largo, claro e aberto, que não tinha como ser indiferente a minha felicidade.

(...) Mas as horas foram se passando, amor. O sol do meio-dia ardia em minha cabeça e os meus olhos já não tinham mais alegria, o coração apertou no peito. Já não via os transeuntes, já não ouvia os passos. Não via ninguém, tudo porque meus olhos estavam inundados assim como dentro de mim. Chuva dentro de mim. O crepúsculo se aproximara e nada de você aparecer, eu continuava imóvel. A sua espera.
Que esperança tola – eu chorava.

E você não apareceu.
Continua.