Eu estava deitada sobre o tapete amarelo de flores de ipês que a primavera confeccionara. Não havia ninguém ali. Exceto dentro de mim. Embora houvesse alguém aqui dentro, não havia sinal de vida. Era estranho. Estranho ouvir apenas um coração bater, sentir apenas uma respiração ao invés de duas, mas eu não estava triste.

Talvez o canto dos pássaros tivesse sufocado o som do teu coração, talvez a minha respiração estivesse ofegante demais para ouvir a tua. Tantas interrogações seguidas de talvez e nenhuma resposta para elas. O talvez me consumia.

Você deve me achar louca. Ora sinto, ora não. Se soubesse como é complicado para mim não sentir também, é a ausência de você que me esvazia de sentimentos. É que percebi que já estou tão dentro disso - que sinto - que mesmo que se desejasse não conseguiria sair.

Hoje eu não sinto. E sentir nada, me dói também.
Alice.