Ao contrário do que você possa imaginar o dia havia amanhecido claro, limpo e podia ouvir as cotovias cantando no jardim de minha casa. Não havia nada de estranho ou perturbador, até esse exato momento. Ora, tomas os meus sentidos, faz-me pensar que sou bonita em teus olhos de estrelas e de repente arranca-me do peito a esperança.

Embora em meu peito alimentasse esse sentimento que não fora despertado com aquele beijo, mas sim com palavras sinceras e flertes trocados todo o dia, sempre soubera que o nosso sentimento não passaria disso. Palavras jogadas ao vento e entrelinhas mal interpretadas.
Se sabes que sou sonhadora porque me envolves dessa maneira? Que queres afinal, bonito? Enlouquecer-me em meio a tantos devaneios e ilusões?

Indagar-te não nos levará a lugar algum, bem sei. Não compreendo aonde chegaremos nós, serão sempre flertes não correspondidos, joguinhos e faz-de-conta?
O erro que descreves para mim foi o nosso melhor acerto até hoje. E denomino erro isso que fazes comigo agora, arrancando-me das mãos milhares de utopias. Sonho bom, sonho que era meu e você, com toda a sua frieza – como sempre, tirastes de mim.

Os lados opostos nos serão melhores de agora em diante. O que enxerguei até agora foram apenas as deixas que me deste, as lacunas que insistia que eu preenchesse, talvez a caneta que eu usasse para preenchê-las tivesse a tinta que corre nas veias de meu coração. Ledo engano o meu.

E não. Você não precisa de mim, nunca precisou, precisa apenas de você. De seu ego, de se encontrar. Estou cansada de tentar lhe agradar para que gostes de mim. Vã esperança minha. As coisas não serão como eram antes, pois você acabou com aquilo que mantinha sempre viva e acesa nossa relação: o meu amor.


Por favor, esqueça-me.
Sophia.