As luzes amarelas e verdes do palco refletiam em meu rosto inexpressivo, toda aquela agitação passava despercebida por mim. Com os braços cruzados eu olhava para o alto, e para os lados na esperança vã de vê-lo surgir dentre a multidão. Só esperança, apenas.

Caminhando algumas pessoas esbarravam em mim, nem por reflexo eu conseguia me desviar, tudo estava tão pesado. E quando disseram o teu nome, meus olhos se encheram de uma espera infindável, logo veria o teu sorriso claro e largo. Eu bem que tentava convencer ao meu coração que você não estaria lá. De novo.

– Tolo! – pensei eu, ofendendo ao meu coração.
Coração difícil de convencer que deve trilhar outros caminhos, que deve esperar um pouco mais até encontrar o porto certo, mas quando ouvi o teu nome, ele soou tão doce e amoroso aos meus ouvidos, que meu coração palpitava descompassadamente, acompanhado do sorriso bobo que se formara em meus lábios.

Queria ver o menino que entrou em minha vida do nada, que conquistou meu coração cansado me transformando em uma pessoa mais doce e maleável. O menino que há anos está em minha mente e tão pouco tempo dentro de mim, preenchendo espaços inimagináveis.
Mas eu não te vi, a não ser dentro de minha mente, com meus olhos fechados e o pensamento longe. É sempre assim quando eu quero te ver, só fechar os olhos.

E minha noite foi de uma espera gostosa, mesmo sabendo que não te encontraria ali. Apesar de saber que você está bem mais presente em meus pensamentos, do que em qualquer outro lugar que esteja.