"Beije-me sob o crepúsculo.
Leve-me pra fora, no chão iluminado pela lua.
Levante sua mão aberta, faça a banda tocar
e faça os vaga-lumes dançarem.
A lua prateada está brilhando, então me beije."
(Kiss-me Sixpence None The Richer)

O crepúsculo aproximara-se e nós estávamos sentados, a beira de um precipício. A vista era linda, embora embaixo houvesse muitas pedras, o barulho do mar nos convidava a um mergulho. E os teus pés estavam descalços assim como os meus, e em tuas mãos havia um violão – o meu, que comprara na intenção de aprender algo e embora tentasse, não conseguia avançar às notas. Sempre tive problemas com minha coordenação motora e tu bem sabias disso. Tu cantavas que: garotos não resistem aos mistérios de meninas, que muitas vezes são mulheres. E eu tentava desvendar naqueles teus acordes, e palavras que saiam fáceis se algo era para mim. Enrubesci. E os meus olhos fitavam as fitinhas de Bom Jesus da Lapa que estavam no seu pulso recém-adquiridas em sua última viagem. E você ria do meu rosto vermelho.

– Mel, tu sabes que os acordes mais sinceros são vindos do coração, não é?
E tuas palavras eram tão doces, que meu nome realmente parecia escorrer por tua boca, tal qual num favo de mel. E então eu apenas assenti com a cabeça, faltava-me ar, fôlego. E eu apenas fitava os teus olhos de avelã.
Então você me deu o violão e disse: – Cante o que teu coração mandar agora. E eu engoli seco. Relutei, pois mal sabia as notas.

E pousei sobre o colo o violão com as cordas voltadas para as minhas pernas, pensava em levar a conversa para outro lado, afim de que você se esquecesse da tal música. Apesar de cantar sempre, sabias que eu era tímida por completo. E mostrei-lhe os vaga-lumes, que mais pareciam estrelas baixas – eles dançavam. E você aproximando-se de mim disse: Vê como a lua prateada nos declama poesias, doce. E inebriada fiquei, tensa também. Não compreendia bem as tuas palavras, nós sempre tão amigos e sem pretensões. Sempre devaneei palavras assim, vindas de teus lábios que me são tão apetecíveis, e agora te olhava boba sem palavras.

E você deitou-se sobre a grama, que agora iluminada pela lua tinha um tom verde brilhante, e com a voz doce apenas disse: cante-me. E eu fechei os olhos e disse: – Não ria dos meus olhos fechados, me é constrangedor cantar-te e veja, vou tocar sendo que sou estabanada e mal sei alguns acordes. E você me soprou um beijo e disse: – Quero-te cantante, assim como a tua fala. E eu estremeci.

Ré sustenido era a nota inicial, seguida de outros acordes que fui lembrando aos poucos, meu inglês um pouco enferrujado era tímido. E você olhando-me com olhos atentos traduzia mentalmente o que eu cantava e o meu canto era um leve balbuciar. E você aproximava-se de mim aos poucos e eu era toda nervos. A música foi interrompida por teus lábios que cantavam e agiam conforme a letra que dizia: beije-me.

Outros beijos: Alan, Andrey, Camila, Carla, Charlie, Du, Fernanda,
Luciana, Maria Fernanda, Natália, Nathália,
Raquel, Tiago.

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