O abajur aceso iluminava o livro que recém havia adquirido e em minha mente fervilhava milhares de pensamentos. Eu desejava ser a personagem daquele livro, porque tudo que é escrito é mais bonito, as pessoas "embonitam" os sentimentos de tal modo que é impossível não desejar vivê-los. E então, eu te sonhei, ali com o livro na mão, exatamente na página 21.

Quando li que: "e eles sabiam exatamente o que sentiam, não era necessário nada além de palavras e silêncios muitos." Eu suspirei. Porque eu sabia que o que eu sentia era só meu, que ninguém poderia destruí-lo e que as tuas palavras que me é conforto são tão minhas, que tu não podes - mesmo se quisesse - arrancá-las de mim. E eu ficava pensando até quando isso se faria em mim. Sabe, doce, você me veio com um propósito, o de me mostrar os caminhos, de sacudir-me quando necessário, de me fazer enxergar aquela bendita luz no final do túnel.

E você faz isso tão bem que eu me espanto, porque por vezes eu penso se tu não lê os meus pensamentos, porque eu penso em ti e tu me vens. Assim. Devargarzinho e me fazes, de todas as formas. E esses dias em que eu não consigo te pensar com tanta frequência por me doer. Eu tenho a necessidade de dizer que há em mim sentimento. Só que eu o desconheço por completo. É querer. Sabe eu nunca te pedi mais do que tu podias me dar, o que tu me ofereces me é suficiente, porque eu acredito que o "nosso" amor sempre será assim. Um completando o outro de diversas formas sem saber e se satisfazendo com isso. Eu me satisfaço.

E esses dias que tu me vieste como anjo eu descobri: que não importa o que teu coração pede no momento, não importa se nossos caminhos não sejam os mesmos, que não andemos de mãos dadas por aí. O que realmente importa é que nós fazemos bem, um ao outro. E isso sim é amar.

Ninguém precisa saber que a gente se completa em algum sentido. E tenho certeza, que esse sentimento eu não precisarei esquecer. Porque tu me é mais amigo que muitos por aí e mesmo que fique só para mim, tu sabes o que significa e o que é em minha vida.

Eu te quero bem.

(Se amanhã não for nada disso/ Caberá só a mim esquecer
(mas isso vai doer)/ O que eu ganho, o que eu perco/
Ninguém precisa saber.)