4 de setembro de 2006.

Eu estava do outro lado da quadra quando a vi, aquele rosto não me era familiar e ainda assim prendeu a minha atenção de maneira peculiar. Ela tinha em suas mãos cadernos e usava uma calça jeans clara e uma rasteirinha, eu não vou me esquecer como ela estava, porque me apaixonei ali a primeira vista. Ela era pura poesia, dava para perceber, porque ela tinha os cabelos que Roberto Carlos cantava em debaixo dos caracóis e os lábios mais bem desenhados que os meus olhos já tiveram o prazer de ver. E eu timidamente aproximei-me dela que estava sentada naquele chão cantando com os olhos fechados e as mãos elevadas. E fingi esbarrar em seus cadernos que se esparramaram, ela olhou-me com seus olhos grandes e desculpou-se e eu ri somente, sentando a seu lado. Ela não afastou continuou sentada lá e eu apenas olhava para aqueles cabelos que eram negros e cheios, eles tinha o cheiro adocicado de baunilha, fazendo-me cócegas nas narinas. E eu pensei: ”como nunca vi essa menina por aqui.” E ela era puro sorriso nos lábios e tinha a voz mais doce que já experimentei ouvir, ela cantava com a banda e em seus olhos havia lágrimas, mas podia ver que eram de esperança e tinha certeza que caso encontrasse seus lábios teria gosto doce.

Ela não prestara atenção em mim, estava imersa em um sentimento que eu desconhecia. Ela era riso de orelha a orelha e levantando-se dançou alguns passinhos recém-coreografados por outras meninas e eu sonhei com ela ali. E quando tive a oportunidade de perguntar-lhe o nome descobri que ela tinha doce nele, ali no meio. Ela era doce desde a fala até os cabelos encaracolados. Ela me pegou pelo estômago e posso arriscar-me a dizer que pelo coração também. E eu quis saber mais sobre ela, o que ela fazia e descobri que cantava e gostava de poesias, que tinha fé e eu tive fé também. Fé em encontrá-la no dia seguinte, em poder ouvir novamente a sua voz aveludada, e ela me veio em sonhos. Eu não esqueci aquela moça e o seu nome era cantado em meus ouvidos suavemente. E assim que tivemos que ir a direções opostas perguntei se ela queria uma carona, desconfiada ela disse que seus amigos lhe deixariam em casa e ela foi. Deu-me um abraço que até agora posso sentir os seus braços frágeis envoltos nos meus, ela tão pequena e eu brutamontes perto dela. E essa noite eu sonhei com ela. Ansiando que ela me fosse presente de aniversário no dia seguinte. Sim, encontrei a moça que me deu o setembro mais inesquecível de minha vida um dia antes de meu aniversário.

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18 comentários

  1. certas pessoas nós nunca esquecemos, mesmo que elas tenham passado tão rapido quanto uma leve brisa.

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  2. Que doçura!

    Você esbanja delicadeza nas suas palavras, Pam.

    Beijo, no coração.

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  3. Que bacana!!
    É bom encontrar pessoas que nos marcam de uma maneira boa..
    gostei muito..
    bjos

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  4. Que lindo.
    Quase pude sentir a esperança que vinha dela. O cheiro de fé...
    E posso crer que ela ouvia - uma mpb calma, calma, algo como:
    "Em todas as mesas, pão
    Flores enfeitando
    Os caminhos, os vestidos, os destinos
    E essa canção
    Tem um verdadeiro amor
    Para quando você for"
    Marisa Monte

    Bjos

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  5. Gosto como descreves esses encontros casuais, com o contexto super leve, mesmo que o final não seja o que nós queremos ler. E não deixa de ter seu valor: doce e inquestionável!

    Beijos
    ;*

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  6. Parece até enredo daqueles filmes românticos que sempre me fazem chorar.

    Abraços!

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  7. 'que tinha fé e eu tive fé também"!

    Dooooce demais, pam!!

    Setembro é um bom mês! =]

    beijoos, os meus, doces.

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  8. Quanta doçura e quanta delicadeza em um texto só. Suas palavras nos fazem vivenciá-las. Linda a maneira como lida com as palavras.

    Um beijo.

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  9. Tive a impressão de conhecer essa garota. Essa doçura toda me soou familiar, sabe?
    Talvez tu seja ela... quem sabe? xD

    Lindo texto, Pâm.
    Beijinho.

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  10. Pâmela, sabe qual a impressão que tenho quando te leio? Que se trata de uma escritora experiente, com a escrita amadurecida e já formada.
    Passa-se um filme em minha mente, o roteiro é teu texto e eu o aprecio.
    Um sentimentalismo comovente, espetacular.
    Você é demais, Pâmela.
    Afogo-me em tuas palavras e saio mais vivo.
    Adoro você.
    Beijos.

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  11. Nem te conto que eu espiei isso tudo ali, ao lado dos dois. Por que? Tua escrita me foi transporte, moça. Linda que é.

    Um beijo.

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  12. eu já comentei o quanto os detalhes me encantam? e você sempre me enche deles, adoro!

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  13. estou curiosa para saber o que aconteceu depois de tanto tempo!

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  14. 'Nossa que incrível, incrível como vc faz o encanto acontecer simplesmente ´por escorrer os olhos em suas linhas... Maravilhosas Linhas!'

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  15. Esse texto foi um dos mais bonitos que já li. Imagino a tua sensação, ao tê-lo recebido...

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  16. "e quando tive a oportunidade de perguntar-lhe descobri que ela tinha doce nele - ali no meio"

    PÂ-MEL-A

    bacana.

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  17. Tem pessoas que a gente não esquece nem se esquecer!

    Mui lindo o texto, moça.
    =***

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