Eu fixava os meus olhos naquele “A” vermelho enorme e a figura que o ilustrava eram duas pessoas em um abraço afetuoso e diziam que o “A” era de amor. Então, em minha cartilha eu aprendi o significado da palavra. Achei que amar era apenas abraços e à medida que fui crescendo aprendi que havia outros sentimentos e ações interligados a ela. Descobri então o beijo, o afago e infelizmente a dor. E eu imaginei que amar era mais isso. Descontentamento. Porque eu amava com os meus lábios, muitas vezes, mas meu coração não sentia. E então eu feria.

E o tempo foi se passando e acabei descobrindo várias derivações da palavra e quanto mais eu conhecia, mais mergulhava naquele mundaréu de sentimentos. E então eu ouvi o primeiro: “eu te amo.” Mas eu não acreditei. E quando eu disse a três anos que eu amava alguém soou falso. E senti vazio depois disso. Porque eu vi que realmente lia muito sobre o amor, mas eu não sabia de fato o que era. E então eu te conheci. E eu não queria amar ninguém porque sempre me achei superior quando falava de amor, pois conseguia falar de dor sem sentí-la de fato. E você apareceu na minha vida e os meus pés começaram a pisar cuidadosamente, porque no dia que eu conversei com você eu já sabia que me apaixonaria. E algum tempo depois eu vi que não estava errada. Só que hoje os meus pés já não sabem onde pisar, já não quer pisar em lugar algum, porque você me machucou.

E eu vi que falar de amor não é amar. Por que diabos você veio naquela noite de Maio? E por que diabos você destruiu aquilo que eu inventei para nós. Você me quis ferir e eu senti muito – tanto que o dia que estava quente e claro naquela manhã que tinha tudo para ser de festa acabou tornando-se nebulosa e minha cama estava tão aconchegante que eu quis ficar ali deitada com as minhas lágrimas e soluços, mesmo com o sol a pino. Tudo tornou-se frio porque eu lembrava de cada caractere. E então as minhas convicções tornaram-se falhas, desacreditei naquilo que tinha em mente de que eu te amava só em palavras porque era bonito te escrever, mas eu já não quero escrever sobre você e ainda assim eu te amo. Eu me recuso a pensar em você, eu já não sonho mais com você, meu coração não acelera mais só de ouvir teu nome e ainda assim eu sei que amo você. E pela primeira vez na vida, em 23 anos, eu tenho certeza de que o que falo é real. Não é fantasioso. Não está apenas em poemas e contos que você não é somente personagem e combustível para os meus textos. Que você é o amor que eu sempre quis, mas que me magoa terrivelmente. Sim. Magoa quando bem quer.


“Dias esquecidos
No verão que eu inventei
Eu sei que você vive
Das mentiras que eu acreditei.”
Capital Inicial

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