E então, a gente acorda no meio da noite com uma vontade de gritar. O travesseiro já não quer mais cooperar. Talvez não queira mais ser cúmplice de seus medos, talvez esteja cansado do salgado de lágrimas e deseje o doce de sonhos. Ela, porém, não dá ouvidos a ele. Acha-o traidor, como ousa abandoná-la assim dessa forma? Sempre lhe fora tão fiel. Droga de travesseiro. Judas - ela exclamava.

Levantou-se e com os olhos no espelho viu seu rosto amassado, a testa vincada mostrava preocupação, e as pálpebras inchadas denunciavam o que havia dentro dela. Tristeza.
Uma tristeza tão profunda que lhe faltava a respiração, como se o ar não fosse suficiente. Sentia o coração dilacerado por dentro, como se alguém estivesse esmagando-o. Não entendia o motivo. Só sentia. Forte.

Tentou ligar, escrever, mas a única coisa que conseguira foi um telefone mudo, uma folha borrada de tinta de caneta por sua lágrimas, que ridiculamente insistiam em dizer que havia um buraco dentro dela. Havia. Sentia como se estivesse com fome, mas sabia que não era tão simples assim. O que ela desejava não se vendia em lanchonetes, não se encontrava em geladeiras. Talvez, ela não soubesse o que queria.

Talvez ela só estivesse perdida.
  • Em resposta ao Anônimo.