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quarta-feira, junho 13, 2018

TANTAS VEZES MORRI DE AMOR


A gente passa por cada decepção nesta vida e até chega a pensar que não aguentará e que morrerá de desgosto. Mas a gente não morre, a gente supera, a gente cria cicatrizes e aprende a não ser tão bobo. Aprende a olhar melhor o outro, a reparar com calma e extrair a verdade dos olhos e da fala. 

Já morri de amor tantas vezes. De desgosto muito mais. A vida é assim: morte e ressurreição. Nesse mundo de desilusão a gente é fênix, minha gente. A gente sempre ressurge das cinzas. A gente sempre levanta do tatame e recomeça, pois a batalha não acaba em uma luta. Não é um round que define os nossos caminhos.

Tantas vezes eu morri de amor. Tantas vezes eu morri de desgosto. E hoje eu olho para cada cicatriz e relembro os lugares que passei. Olho com pesar e gratidão para cada pedrinha que me fez tropeçar. A gente cai e pragueja, mas lá adiante a gente agradece. São as quedas que nos tornam fortes. São elas que nos direcionam ao caminho certo. Cair dói. Isso é indubitável. Permanecer no chão, beijando o solo, acariciando a pedra, é opção nossa. 

A gente tem a mania besta de cutucar a ferida para que ela não sare. Porque a gente tem medo de não ter mais machucado para cuidar. A gente faz dos ferimentos “bichinhos de estimação”, porque é mais fácil conviver com uma ferida antiga. A gente tem medo de se machucar de novo, então nos abraçamos aos machucados antigos. 

Então, para hoje, eu só peço que cada baque nos torne pessoas mais atentas, que cada tombo nos fortaleça um pouco mais. Decepções são involuntárias. A gente não tem controle sobre as ações das pessoas. O que nós podemos fazer é decidir como reagiremos a elas. Que a gente reaja sempre muito bem. Amém.

segunda-feira, maio 14, 2018

Sobre você



Acho engraçado como você pega a comanda e coloca no bolso para que eu não pague o lanche. Mas acho tão bacana porque você não se irrita quando, por um descuido, eu passo a comida no débito. Você ri e diz que sou geniosa, mas que está tudo bem eu ser uma baixinha encrenqueira. Que não dá pra mudar esse meu instinto de ser livre e que me gosta assim, de asas abertas, pronta para dar rasantes no céu.

Acho tão bom quando você me abraça do nada e me chama de coisas que só você entende. Ainda fico na dúvida se ser chamada de Filezinho de Merluza é bom ou ruim. Acontece que tudo soa tão bem vindo dos seus lábios, tudo é dito com tanto carinho, que não há como não sorrir e agradecer por ter você em minha vida. Às vezes me pego pensando nas reviravoltas que o mundo dá. Os caminhos que somos obrigados a percorrer para, no final das contas, regressarmos à largada inicial.

Acho tão bonito como você me inclui nas suas coisas, naquilo que não havia necessidade de eu estar. Daí você me lembra que não há segredos, que sempre há espaço para mim em seus sonhos e que onde você estiver eu estarei. Sorrio do teu jeito de ver o mundo e me encanto com a maturidade que você encara os desafios da vida. Acho incrível quando estou prestes a explodir e você me pega pela mão, me faz respirar devagar e olhar o problema por outro ângulo. Há sempre uma saída sem estresse, você diz. E eu sempre alcanço ela ao seu lado.

Acho tão fantástico o modo como você me vê. Talvez eu não tenha a mesma sensibilidade que você. Acho mais sensacional ainda lembrar a quantidade de qualidades que você me enumerou enquanto eu insistia em contar sobre os meus defeitos. E o modo como você me disse, olhando em meus olhos: o que é defeito para uns é qualidade para os outros. Não se deixe medir pelos olhos alheios, de quem não te ama e não te vê.

Acho incrível o modo como você vê a vida, eu repito.

Mas acho mais incrível ainda o modo que você me leva a me enxergar em você.

quarta-feira, março 07, 2018

Eu não perdi minha esperança

Sexta-feira passada meu coração me deu um falso alerta: eu estava morrendo. Respirei fundo. Contei até três e repeti a mim mesma que não, eu não estava morrendo. Era só a minha ansiedade batendo à porta. Entrei no banheiro, liguei o chuveiro e enquanto a água caía eu repetia: eu estou bem, eu estou bem, eu estou bem. Nada novo sob o céu. Há alguns anos venho lidando com essa visita desagradável e sempre inesperada. Nunca sei quando vou ter um surto. Sempre é doloroso. O ar me falta, meu coração acelera e a mente fervilha. Tão doloroso parecer uma bomba-relógio prestes a explodir.

De sexta para cá me isolei o máximo que pude. Tenho mais de cem mensagens para responder e a vontade que eu tenho é só de descansar. Às vezes a cabeça da gente pede descanso; ela pede silêncio. A minha vem pedindo paz. É como se ela dissesse: "tira férias, se cuida um pouco". E há alguns dias venho me permitindo desligar o celular ao chegar em casa, tomar um banho, assistir a novela com minha família ou simplesmente ir dormir.

Acontece que nem sempre dá para sumir por completo. A vida pede que a gente olhe com responsabilidade para as nossas obrigações. Então, aos poucos eu vou me obrigando a cuidar daquilo que é primordial. Este texto nem deveria ser tão pessoal, afinal o blog não é um diário. Mas ele acaba sendo reflexo daquilo que sinto. A gente escreve aquilo que há em nós. E há alguns dias venho lutado com esse desespero que se instalou dentro do meu peito.

Antes que você pense: "ela perdeu as esperanças". Eu quero te dizer que não perdi. Eu só compreendi que não dá para ser forte o tempo e que eu posso sofrer também. Que eu posso chorar no colo de Deus e dizer que eu não aguento. Que eu posso olhar para mim mesma e me abraçar como se fosse uma criança que acabou de se machucar ao cair. Que eu posso sim dizer que não quero falar com ninguém, que quero meu espaço e sofrer calada. Que eu posso entender a minha humanidade e ser um pouco vulnerável vez em quando. 

Esses dias eu decidi que caminharia devagarinho e que não maltrataria mais meu coração por causa das escolhas alheias, que não deixaria a minha mente me sabotar por quem sequer teve cuidado comigo, por quem nunca me amou ou por outros motivos mais que me assombram. Esses dias eu decidi que só me cabe aquilo que está sob meu controle e aos poucos vou percebendo que me abraçar foi a melhor decisão que eu tomei nos últimos tempos.


sexta-feira, dezembro 29, 2017

Você merece o amor


Abrace os seus ideais e não se preocupe se as pessoas acharão que é loucura. Faça uma aula de dança, de mergulho, de patinação ou de violão. Dance na chuva de terno e gravata ou vá até o Jalapão curtir o calor de Tocantins. Beije o seu amor de forma inesperada e com os olhos diga o quanto ele é especial. Abandone seu emprego se ele não te fizer feliz, agarre novos sonhos e não tenha medo de recomeçar. A maioria das pessoas só percebem que estão infelizes quando não há mais tempo para mudar; mude.

Viaje sempre que quiser.
Conheça novos lugares, pessoas e culturas. Desbrave o mundo e construa a sua história em cima daquilo que você acredita. Colecione bilhetes de ônibus, carimbos no passaporte, check in's em suas redes sociais. Vá atrás daquilo que move o teu coração e não se importe com o apelido de andarilho. Acumule experiências. Seja rico de memórias.

Ame sempre. 
Não tenha receio de se doar por medo de que não haja reciprocidade. A maioria das pessoas fecham seus corações por experiências mal sucedidas; não tome para si o mesmo destino. Abrace o amor que bater à sua porta e não se esqueça de retirar os entulhos do relacionamento anterior. Todo mundo é um ser único, é um universo inteiro de possibilidades, não defina o seu futuro baseado em uma experiência ruim. 

Planeje-se.
Há um velho ditado que nos diz que quem muito quer acaba ficando sem. Anote em um caderninho suas prioridades e tente separar apego de necessidade. Carregamos muitas coisas desnecessárias conosco: amores antigos, caos interno, problemas não resolvidos. Olhe para dentro de si, analise o seu interior e pergunte ao seu coração quais os seus sonhos. A nossa vida começa a andar quando paramos, por um instante, para nos indagar se estamos no caminho corre.

 Ame-se.
Tenha carinho pela pessoa que você é. Saiba se olhar com mais gentileza e perceber que até as tuas imperfeições te fazem um ser único. O nosso primeiro amor deve ser aquele que nos encara todos os dias no espelho. Não tenha medo de se amar do jeitinho que você é. Você é, escute com muito amor o que irei dizer, alguém que merece o amor.

quinta-feira, dezembro 21, 2017

Eu superei você



Gozado olhar para trás e perceber que aquele medo de te perder não fazia tanto sentido. Às vezes eu olho para a nossa antiga relação com um certo pesar. Fico lembrando da minha insistência e esforço para te manter confortável em minha vida, das horas conversando sobre um futuro, do incentivo diário e da fé que tinha em você; lembro das tuas causas que abracei e das vitórias que aplaudi. Tudo isso me causa um certo desconforto, uma espécie de dormência. Não porque não deveria ter amado, apoiado ou estado ao teu lado, mas por olhar para nós e não reconhecer quem éramos. Por constatar que me dediquei a alguém que vivia com o pé na porta e que nunca havia desfeito as malas na intenção de permanecer em minha vida.

Não sinto saudades.

E isso sai tão facilmente da minha boca que me assusta. Esses dias me perguntaram sobre você e, por incrível que pareça, não me doeu dizer que não sabia. É estranho como as coisas se acalmaram dentro de mim e como o seu nome já não me causa arrepios. Aqui dentro tudo dorme. Há poucos vestígios da tua presença e os dias parecem tão distantes que me pergunto se eles realmente existiram. Tempos atrás a possibilidade de viver sem você me assustava e me causava calafrios. Hoje vejo que tudo na vida tem jeito. É como dizem por aí: só não há jeito para a morte.

Olhar para dentro de mim e perceber que você não me dói mais é libertador. Sinto que as amarras já não existem e que o elo que nos mantinha conectados se rompeu. A vida é realmente um interruptor e eu desliguei você. Desliguei de mim. Dos meus dias. Da minha vida. E aos poucos vou desligando dos meus pensamentos. Confesso que sua lembrança vez ou outra povoa a minha mente, mas logo em seguida se esvai. Ela sempre vem acompanhada de suas palavras falaciosas e de mentiras que vou interligando. Tudo isso me deu e me dá forças para curar o meu coração.

Não dói mais.

E perceber isso me traz um alívio tremendo, porque pela primeira vez - de todos os relacionamentos que tive - eu consegui me recuperar rapidamente. Não houve tanto choro e lamentações. Houve apenas a constatação de que não era para ser. De que você não quis ou se esforçou para ser. Às vezes a gente só precisa se olhar com mais amor e perceber que vale muito. Às vezes a gente só precisa concordar com as decisões do outro. Olhar para você, para todas as tuas dúvidas, todas as tuas desculpas e para todas as tuas invenções só me deram forças para seguir em frente sem olhar para trás.

Aqui dentro está tudo okay e está tudo definido dentro de mim. Tenho procurado me permitir mais e conhecer novas pessoas. Tenho aprendido a receber elogios, reaprendi a flertar e tenho amado todo esse começo de paixões. Venho estendendo as mãos novamente e me permitido caminhar ao lado de quem sabe onde está andando. Dúvidas demais não me comovem e entendi que não tenho e, nem preciso ensinar ao outro seus caminhos. A vida tem me presenteado com boas gargalhadas e com amores recíprocos. 

Tempos atrás a possibilidade de viver sem você me assustava.
Hoje olho para nós e percebo que superei você.



segunda-feira, dezembro 04, 2017

Pare de stalkear quem não mais pertence a você



►Leia ao som de Tchau, Luciana Mello◄


Confesso que demorei um pouco para cortar o vínculo. Eu ainda queria saber se ele estava bem, se ainda mantinha os mesmos hábitos e se sentia a minha falta. Religiosamente eu ia lá e dava uma checadinha, batia o velho ponto, abria a  janelinha para ver se estava online e, consequentemente, ficava arrasada. Eu sempre voltava destruída de lá. Perdi as contas de quantas vezes vomitei após ver algo que me desagradasse, de quantas lágrimas eu derramei enquanto via seu status, de quantas noites eu fiquei em claro me questionando o porquê de tudo ter chegado ao fim.

Até que um dia, após uma conversa com minha irmã ela me perguntou: como você se sente depois que vê as coisas dele? Eu, prontamente respondi: acabada. Essa pergunta foi crucial para que eu mudasse esse meu velho hábito, para que eu soltasse as amarras que ainda me mantinham presa a ele. Tem dor que a gente cuida como se fosse animal de estimação; cuidamos, alimentamos e tratamos com muito cuidado. Eu não queria voltar de lá destruída. Eu não queria mais chorar por quem não me amava. Eu não queria me manter refém de um sentimento tão doloroso. E assim o fiz.

A princípio foi doloroso. Eu pensava: o que será que ele está aprontando? Será que está se alimentando direito? Será que ele está bem? E, então eu fui me educando e mudei as perguntas: como estou me sentindo? Eu estou bem? Como eu voltarei de lá após uma espiadinha? A partir daí, após os meus questionamentos, eu entendi que uma olhadela não valia um dia péssimo ou uma noite em claro. Que não valia o almoço que eu colocaria para fora após uma gastrite nervosa. Que não valia o meu descontrole emocional após uma crise de ansiedade.

A gente precisa se cuidar assim como cuidamos dos outros. Precisamos olhar com mais gentileza para o nosso coração e reparar bem aquilo que faz mal e aquilo que faz bem. Separar o joio do trigo, se é que me entendem. A partir do momento que eu decidi por mim comecei a negar informações que terceiros traziam dele, comecei a dizer: não é por nada não, mas deixa ele ser feliz de lá e eu feliz de cá. E desde então venho sendo feliz. A minha curiosidade já não me maltrata mais, porque aprendi a colocar minha felicidade à frente dela.

No final das contas a gente só precisa entender quem somos, o que merecemos e o quanto podemos contribuir para que a vida seja a melhor possível. Alguns sofrimentos são completamente desnecessários e sofrer por quem decidiu, de livre espontânea vontade, sair de nossas vidas é um deles. A gente só mantém em nossos corações aquilo que desejamos e eu escolhi manter no meu somente aquilo que me faz bem. 

Stalkear nem sempre é estar dois passos à frente de tudo, às vezes é só mais um gatilho apontado para a sua cabeça, às vezes é só uma arma esperando o momento certo para matar você. E de tudo que espero do mundo, que peço aos céus, morrer não está na lista. E por essas e outras eu também te digo: pare de stalkear quem não mais pertence a você. 



segunda-feira, novembro 20, 2017

Eu aceito


Eu aceito.

Aceito a sua escova de dente ao lado da minha e a sua bagunça pela manhã ao escolher uma roupa para trabalhar. Aceito o seu revirar de olhos ao ser contrariada, as caretas que me manda substituindo emojis e os áudios enormes me desejando um bom dia de trabalho. Aceito o teu carinho ao me aninhar enquanto assistimos os casos policiais do canal de investigação. Aceito o seu chocolate amargo, as suas receitas loucas e os seus pratos sem carboidrato. Aceito os seus pés gelados encostando na minha costela às 3 da madrugada. Aceito o teu cabelo desgrenhado e os teus olhos cheios de areia pela manhã.

Eu aceito.

Aceito ver o pôr do sol ao teu lado, enquanto você arranha algumas notas em seu violão. Aceito o som da tua gargalhada, o teu coração como a minha morada e a tua mão como a minha única direção. Aceito as tuas meias de bichinhos, o teu vestido rasgado que você usa para dormir e aceito, ainda, te emprestar as minhas camisetas quando ele não estiver por perto. Aceito dividir os meus dias, as minhas horas e os meus minutos com você.

Eu aceito.

Aceito ver a vida através dos teus olhos. Aceito abraçar o que o destino nos oferecer daqui em diante, seja uma vida simples em uma cidade pequena ou uma cheia de luxo em uma grande metrópole. Sim, eu aceito! Desde que seja ao teu lado. Aceito comer pequi com frango, doce de buriti e essas coisas estranhas que você tanto me oferece. Aceito deitar na sua rede, na varanda, enquanto ouvimos o canto dos pássaros ou os guris da tua rua jogando bola.

Eu aceito.

Aceito viver a tua vida, segurar a tua mão e caminhar rumo ao desconhecido. Aceito ir a outro estado só porque você gosta de comer coxinha. Aceito tirar mil selfies contigo, mesmo não tendo nenhuma rede social. Aceito ler os teus textos e corrigi-los se preciso. Aceito estar ao seu lado nas suas grandes conquistas, me orgulhar das tuas pequenas vitórias e te abraçar quando, por ventura, algo te entristecer.

Eu aceito.
Aceito essa nova vida e todo o amor que vem junto com ela. Aceito ter você como melhor amiga, como amante e mulher. Aceito tudo que estamos construindo. Aceito, no final das contas, tudo o que vier. Eu aceito.

Sim.
Aceito.


segunda-feira, novembro 06, 2017

Deixe cicatrizar



►Leia ao som de Part of me, Katty Perry ◄

Há alguns anos me neguei a aceitar o término de um relacionamento. Eu acreditava ter encontrado o amor da minha vida, por isso me negava a aceitar o término. Então passei, a partir daquele momento, a vigiar cada passo dele para entender o que havia ocasionado o nosso rompimento. Cada vez que eu acessava uma rede social ou tentava ir atrás de alguma informação dele cutucava a ferida. Eu não permita que ela cicatrizasse. Ia até amigos em comum para saber se ele estava bem ou se sentia saudades de mim.

Muitas vezes alimentei esperanças ao saber que ele sentia muito por nós. Por dizer aos nossos amigos que havia se arrependido e que deveria ter ficado ao meu lado. À época eu me alegrava com cada resquício de saudade, me alimentava com as migalhas afetivas que ia encontrando pelo chão, me satisfazia com alguma notícia vindo dele. Até que, em um momento de sanidade, eu percebi que estava me fazendo mal, que estava sabotando a minha felicidade e que estava vivendo a vida dele ao invés da minha.

Às vezes nós ficamos tão cegos de “amor” por alguém que deixamos o nosso amor-próprio de lado. Nenhum amor deve ser maior do que a nossa razão, do sentimento de afeto que temos por nós mesmos. Se alguém decidiu deixar de caminhar ao seu lado é porque não deseja sua presença, logo você não precisa acompanhar a vida do outro como telenovela. O tempo que você perde indo atrás de notícias poderá ser empregado de uma forma mais proveitosa.

Com o tempo eu aprendi que o outro tem o poder que nós damos a ele e compreendi que meu coração não é casa mal-assombrada para ser habitada por fantasmas. Hoje olho para esse episódio e me questiono o porquê de ter dado tanto tempo a quem não merecia, o porquê de ter permitido que eu me sabotasse tanto. Contudo, olhar para trás me fez entender melhor como agir diante dos meus relacionamentos futuro. A gente não precisa beber veneno para saber que mata, não é mesmo?


segunda-feira, outubro 30, 2017

Uma carta para te agradecer

► Leia ao som de Cor de Marte, Anavitória ◄

Você me toca os lábios e me diz que não se agradece o amor. Eu te olho nos olhos e ainda assim rendo gratidão através do meu olhar. Obrigada por me estender a mão, me levantar do chão e limpar as minhas feridas. Obrigada por caminhar comigo me apontando o norte. Obrigada por não me encher de perguntas e por me fazer enxergar o daqui pra frente. Obrigada por me fazer sorrir nos momentos em que eu desejava apenas chorar. Obrigada por me enxugar as minhas lágrimas no momento de dor. Obrigada, mas muito obrigada, por me fazer reacreditar no amor.

A vida não é uma matemática exata, eu bem sei. E isso se prova a cada dia. Olhando para trás eu jamais imaginaria como a vida se modificaria nos últimos tempos. Obrigada por ter me devolvido o coração. Obrigada por ter me provado que há pessoas que acreditam e vivem o amor. Obrigada por me cantar canções de esperança. Obrigada por me sustentar quando me falta um pouco de fé. Obrigada por me elevar, me mostrar o meu valor e se orgulhar das minhas conquistas. Obrigada por me proporcionar sentimentos bons.

Você me olha nos olhos e eu esqueço que um dia estive triste. Esqueço que algum dia meus olhos se encheram de lágrimas. Tudo o que vem de você me abraça de uma forma tão consoladora que não consigo lembrar – nenhum minuto sequer – o que é sofrer por alguém. Obrigada por me mostrar que não devemos sofrer, independente do que trazemos no coração. Obrigada por me mostrar que o amor vale a pena. Obrigada por encher minha vida de momentos únicos. Obrigada pelo teu sorriso largo e bonito que me leva ao Senhor.

Obrigada.
Muito obrigada.
Por ser você.




segunda-feira, outubro 23, 2017

Obrigado por me deixar em paz


► Leia ao som de Let her go, Passenger  ◄

Deitei e fiquei observando o teto. A playlist é aquela mesma de sempre. Aquela que colocava para nós enquanto conversávamos sobre a vida. Muita coisa mudou de uns tempos pra cá. Só não o meu gosto musical. Vez ou outra alguma música me lembra você. Dia desses ouvi uma canção que te deixava meio aérea, com aquela cara de boba. Você é tão musical. Você é tão parecida comigo em diversos aspectos. É a quarta música que toca e ainda assim te vejo nela. Será que você continua fechando os olhos quando ouve Alphaville? Ou fica eufórica ao ouvir qualquer música do Roxette?

A minha playlist continua a mesma. Meus gostos não mudaram, apesar da vida ter mudado bastante. A vida parece ter ser apequenado a ponto de caber numa caixinha de fósforo. Você está guardada em algum lugar dentro de mim. Ou talvez não esteja. Soube que você vestiu luto pelo amor que sentiu por mim e pela primeira vez percebi que alguém poderia morrer em vida. E pelo visto fui eu quem morri. Não sei o quanto me dói ou se me dói. Talvez a vida seja mesmo isso aí: morrer para alguns e nascer para outros. Quem sabe um dia eu renasça. Ou talvez eu descanse em paz assim como te pedi. Obrigado por ter me deixado em paz. 

A vida se desenha de uma forma diferente do que havíamos planejado. Aliás. Você planejava tantas coisas e eu nunca pude, de fato, corresponder. A gente espera ter controle sobre a vida, mas só depois percebe que ela é um carro desgovernado em uma descida. A ladeira da vida é bem mais perigosa do que imaginamos. Ouço a tua música preferida e sinto uma espécie de enjoo. Nem sei dizer se é amor ou qualquer outro tipo de sentimento. Sei que me deixa inerte e me adormece por dentro. 

Duas horas de música ininterruptas e todas falam de você. Desde o country do Alan Jackson até um rap nacional que você conhecera através de mim. Tudo me remete a você. Tudo me leva de encontro ao seu coração partido. A vida não é como imaginávamos, não é mesmo? Mas é tudo o que podemos e podíamos viver. Hoje eu sou alguém que magoou seu coração e hoje você é mais alguém ferido por mim. Passenger canta, neste momento, que "o amor vem devagar e se vai muito rápido". Você veio na velocidade da luz e foi embora com ela. Bom pra você. Bom pra mim. Ótimo para nós.

Que bom que você me deixou em paz.


segunda-feira, outubro 16, 2017

Te beijo!


►Leia ao som de Je t'aime moi non plus Serge Gainsbourg

Ligo as pintas que há em teu peito e vejo se formar uma constelação. Você é universo a ser desbravado. É manhã de sol que clama o verão. Nossa pele juntas queimam. Disputam com o sol a sua quentura. Você me acende e eu sou vela acesa a queimar – vagarosamente – em teus braços.

Beijo tua fronte, os teus cílios gigantes e me encho de ternura ao te ter entre meus braços. Te olho no olho e sinto me perder na profundidade do teu castanho. Te olho no olho e me vejo cair dentro de você. É caminho sem volta, você me diz. Eu meio escaldada pelas topadas da vida fico em silêncio te vendo sorrir.

Te ouço sorrir e fico encantada pela melodia da tua gargalhada. Não há no mundo quem não se contagie com o som da tua voz. Te ouço sorrir e minha alma sorri junto. Te ouço sorrir e parece que não há nada neste mundo que possa me ferir. Te ouço sorrir e sinto vontade de gravar a tua risada e usá-la à noite para conseguir dormir.

Tu adormeces em meu peito e te vejo indefeso. Tão novo é esse sentir e essa querência. Nós que não éramos hoje somos. Nós que sempre fomos e agora somos mais que reais. Te olho no olho e vejo a minha história a se projetar. Vejo a minha mocidade através deles. Meus cabelos negros e longos. Minhas poesias e desenhos. Vejo conversas e várias canções tocadas na velha praça. Te olho no olho e percebo que às vezes é bom olhar para o lado.

Beijo os teus lábios, me enrosco em tuas pernas, me desnudo de mim mesma e percebo que casa nem sempre é lugar fixo. Beijo os teus lábios e entendo que querer é decisão e me permito te querer. Beijo os teus lábios e entendo tantos jargões e provérbios. Percebo que a gente é poesia a se escrever. Beijos os teus lábios e me perco em você. Na Via-Láctea que há em teu peito. No vai e vem dos nossos quadris. Na profundidade de teus olhos castanhos. No som gostoso do teu sorrir.



segunda-feira, outubro 09, 2017

Ficar



►Leia ao som de Ficar, Anavitória◄

Eu amo o teu sotaque e a forma que você puxa o érre. O modo como você me abraça e cheira os meus cabelos. Amo a forma que você me tem em seus braços, o abraço que me envolve e parece não mais querer largar. Eu amo pentear a  tua sobrancelha. Eu amo os acordes do teu violão. Amo as canções que você me canta, mesmo de forma desafinada. Amo quando você diz que está pensando em mim. Eu amo acordar e ter seu bom dia e amo, mais ainda, ter seu beijo na hora de dormir. A verdade é que, em todos os momentos da vida, eu amo estar com você.

Eu amo a forma como você me puxa para dançar e as piruetas que fazemos. A forma como você me conduz pela cintura e o seu queixo repousando sobre o meu ombro. Amo a forma como você me olha e me beija os olhos. Amo a forma que você me tem desde o primeiro dia que nos vimos. E amo, mais ainda, esse reencontro que sempre me diz que é a primeira vez. Amo a forma como você pega minha blusa e limpa os seus óculos. A forma como você vê a vida e me pinta estrelas nos olhos.

Eu amo cada abraço de saudade e beijo de despedida. Amo quando você me manda mensagem dizendo: estou na porta da tua casa. Eu amo teus sequestros repentinos. Sejam eles para tomar sorvete na cidade vizinha ou para ver o sol se pôr na Orla do Lago. Amo quando você me faz suas pequenas surpresas. Quando me traz os chocolates que, segundo você, são ruins. Amo todo o cuidado que você tem comigo. A forma como você me olha no olho e me diz que é um cara de sorte.

Eu amo a forma como nos respeitamos até aqui. E amo, mais ainda, saber que você sempre esteve aqui. Amo cada detalhe teu, cada gesto pequeno, as piadas idiotas que você faz e o compromisso que você tem com a minha felicidade. Amo a tua devoção a Deus e a fé que você tem na vida. Amo até as tuas broncas e a forma como você me convence que tristeza é coisa banal e que não pertence à minha vida. 

Eu amo olhar para o lado e saber que você existe. E amo, mais ainda, a vida por ter me feito te enxergar. Amo saber que a sua mão está estendida para me ajudar a atravessar a vida. Amo, mais ainda, a tua coragem ao andar de carona comigo. Amo tudo o que você é, e tudo o que somos desde sempre. Amo o destino, esse cupido, que em quinze anos não deixou você ir.

Eu amo saber que você está aqui. E amo, mais ainda, saber que você quer ficar. 



sexta-feira, outubro 06, 2017

Aqui você jaz



Achei que contaria ao mundo sobre nós. Sobre o romance que tivemos, sobre as verdades que vivemos e sobre toda aquela suposta reciprocidade que acreditava que tínhamos. Tão doloroso constatar que você é igual aos outros. Tão excruciante olhar para você e não te reconhecer. Tão desesperador olhar para trás, lembrar meus questionamentos, ligar pontos e descobrir mentira atrás de mentira. Tão assustador perceber que amei apenas uma ideia do que você era. 

Olho para trás e não consigo lembrar do meu melhor amigo, da pessoa que se importava comigo ou que motivava a caminhar. Olho para trás, fecho os olhos e ouço a sua voz me chamando de amor de um jeito amargo. O doce já não existe. Olho para dentro de mim e percebo que todo o amor que existia se tornou rancor. Tão triste olhar para você e ficar atônita, não ter reação, me  sentir dormente. Tão triste olhar para o que fomos, sentir pesar e não saber distinguir a mentira da verdade.

A gente sempre espera o melhor dos outros. Em você eu ancorei meu coração sem medo de ser feliz. Em você eu depositei todas as minhas fichas. Desenhei o rosto do meu filho a partir dos teus traços, imaginei um futuro que poderia ser bom para nós dois. Cresceríamos. Seríamos grandes. Daria apoio a você no que precisasse. Éramos um time, pensava eu. Fiz do teu mundo o meu. Tentei me inserir no teu para que pudéssemos caminhar lado a lado. Pensei e repensei como seria a minha vida ao seu lado. Doeu um pouco, a princípio. Não seria fácil, mas você era o amor da minha vida.

Você era o amor da minha vida, mas eu nunca fui o seu. 

Tão difícil constatar que as desculpas escondiam mentiras. Que as demonstrações de afeto eram veladas, para que outra pessoa não descobrisse. Que você dividia o seu "amor" comigo e a cama com outra pessoa. Que triste olhar para nossa história e perceber que você nunca fizera questão de nós. Que triste lembrar das conversas, das indagações e descobrir a sua infidelidade. Infidelidade comigo. Infidelidade com ela. Infidelidade com você.

Essa é a última vez que escrevo sobre você. Esse é um texto fúnebre. Esse é o seu enterro em minha vida, em minha história. Há dias que venho pensando sobre o que essa história me trouxe e acredito que as lições que aprendi com ela já bastam. Não há porque remoer mais nada ou relembrar qualquer coisa. Eu já não tenho lembrança dos seus olhos ou de sua voz. Eu já não lembro como era ouvir seu bom dia ou boa noite. Tudo se evaporou. Reduziu-se a pó. A nada.

As músicas já não me doem mais. Tiago Iorc toca e não me atinge. Ivo Mozart é indiferente. E tantas músicas que eram nossas hoje são apenas músicas. Não me causam mais nada. Não me causam açoite. Não me emocionam. Não me apertam o coração. Não dá para dizer se te amo ou não. Sei apenas que as suas lembranças se foram de mim.

Tão difícil olhar para a nossa história e perceber que ela era um castelo de areia construído por uma menina boba e cheia de sonhos. Tão difícil olhar para você e não enxergar verdade em suas palavras. Tão difícil olhar para mim e perceber que não existe mais nada de bonito que te envolva. Tão difícil olhar para o meu peito e não enxergar um coração de carne. Tão difícil olhar para você e perceber que você é tão igual aos outros.

Essa é a última vez que escrevo sobre você. Esta é a sua lápide. Aqui você jaz. Jaz com todas as suas mentiras, com todas as suas canções, com todos os áudios de voz mansa, com o meu apelido e nossas selfies. Jaz com a sua namorada ou amante. Jaz com tudo aquilo que um dia fingiu sentir. Jaz com todas as desculpas sobre dificuldades e adversidades que na verdade escondiam, apenas, uma outra mulher. Aqui você jaz. Para mim. Para os meus sonhos. Para a minha boca. Para minha vida.

Aqui você jaz.




segunda-feira, outubro 02, 2017

Você não é responsável pelas atitudes dos outros





►Leia ao som de Traição, Ana Carolina.◄

Tenha em mente que você não pode se responsabilizar pelas atitudes dos outros. O que o outro julga ser correto, mesmo que lhe magoe ou te fira, não te diz respeito. Não é culpa sua. No final das contas o que sobrará é quem você foi dentro da relação e a forma que você se comportou diante das adversidades. A gente não pode, em hipótese alguma, achar que o problema estava em nós ou nos martirizar por isso. 

Há um tempo atrás minha avó disse: não sofra por quem não te merece, minha filha. Ao ouvir aquilo fechei o coração e os ouvidos àquela advertência. A gente não entende os sinais, o amor cega nossa visão e não deixa que enxerguemos aquilo que está evidente diante de nossos olhos. Por isso, e por mais outras, que eu repito: você não deve se culpar por aquilo que você não tem controle.

Algumas pessoas vêm para nos mostrar o quão sinuosa é a estrada da vida, o quão malignos são seus caminhos e o quanto devemos ter cuidado. E, acredite: essa passagem é necessária para todos nós. Nenhuma dor é em vão. Já diz um velho provérbio que tudo nessa vida se torna lição. Aprenda a enxergar os sinais, a extrair o melhor do pior, a ter resiliência mesmo diante do perverso. Porque no fim das contas o que vale não é como o outro se comportou diante dos seus sentimentos, mas a sua verdade diante do que você viveu.

Não se martirize por quem, diante de seu amor, escolheu retribuir com ingratidão, desprezo ou traição. Importe-se apenas com o seu eu, com a sua doação e com a sua consciência. A gente não tem que abraçar as atitudes alheias ou pensar que fomos responsáveis por aquilo. Cada pessoa é um universo e cada um encara a vida de forma adversa. O que para você é traição para o outro é apenas mais uma escolha. É como dar bom dia a um transeunte na rua.

E, diante disso não há o que se entristecer ou praguejar. A gente precisa somente agradecer aos céus pela benção que é acordar em uma manhã e descobrir que, apesar do que nos ofereceram, nós demos o nosso melhor. Que não faltamos com o respeito àquilo que temos como verdade, que fomos fiéis às nossas ideologias e ao amor que sempre dissemos sentir. Porque, no final das contas, nós somos responsáveis apenas pelos nossos atos. E, é somente por eles que iremos responder perante a vida.




segunda-feira, setembro 25, 2017

Moça de vermelho.





►Leia ao som de Lady in red, de Chris de Burgh◄

Lady in red toca na Antena 1 e a moça, que estava lendo distraída, se desconcentra e volta à adolescência. A voz açucarada de Chris de Burgh leva a moça aos seus quinze anos, à vontade de desbravar o mundo e viver um grande amor. Ela suspira profundamente e ri de si mesma, agradece a Deus pelos anos percorridos até ali e se descobre muito feliz. Não viveu um grande amor, mas viveu histórias que lhe trouxeram lições. Tornou-se uma mulher bem-sucedida, escreveu alguns livros dessas lições e, compreendeu que a vida nem sempre é como queremos: ela pode ser melhor do que imaginamos.

A moça abandonou seus cabelos castanhos, longos e encaracolados e hoje se mantém loira. Tanta coisa mudara na vida dela. Tanta coisa boa e bonita lhe aconteceu. Tantas quedas a vida lhe causara. Cicatrizes benditas e repletas de bençãos. Hoje ela aprendera que cair é para quem caminha, só cai quem dá passos ao futuro, às suas vontades. Ela cai, mas sempre se ergue. Sempre mais forte, sempre mais madura. Quedas benditas, bendiz ela.

Lady in red no final das contas, naquele carro, naquela rádio, não é somente uma música. É um hino de superação. É um voltar de olhos ao passado e vislumbrar todas as armadilhas, todas as lágrimas e poder abençoar aos céus pelo cuidado até aqui. Lady in red não é uma promessa de dias felizes ou de um amor avassalador. É somente uma lembrança bonita de que tudo na vida é lição, de que nenhuma queda fora capaz de fazê-la permanecer no chão.

Lady in red é amostra de superação. 
Ela sempre se supera e, no final das contas, é feliz.




terça-feira, setembro 05, 2017

Eu amo cada pedaço teu.



Eu amo cada pedaço teu. Cada pintinha desenhada em teu rosto. Cada pelo espalhado por tua pele. E gosto da forma como você me olha e, sem esforço algum, me desvenda. Gosto de me olhar dentro dos teus olhos e saber que o motivo da tua felicidade ou de alguma risada gostosa tua sou eu. Gosto quando me cantas, mesmo que desafinadamente, canções para me enamorar. Gosto das tuas pequenas-grandes declarações de amor. Gosto de como o meu nome sai macio da tua boca. Como as sílabas soam doces. Gosto quando você chega ao pé do ouvido e me chama de linda. Gosto, mais ainda, quando você sobre mim me fita os olhos. Gosto do nosso enroscar de pernas. Do nosso entrelaçar de vidas. Do nosso enlaçar de almas.

Gosto de me fundir em você.

Eu amo cada verso teu. Aqueles que se transformam em poema quando tu me amas em silêncio. Gosto da forma que você se faz poeta para me fazer musa tua. Gosto de saber que você é mais feliz desde que cheguei. Gosto de saber que você é diferente depois que me fiz em você. Gosto de saber que construímos uma história e que vamos construindo, apesar de todas as adversidades, um enredo tão bonito que é digno de películas cinematográficas. Gosto quando tu me abraça a alma e me faz pequena em teus braços só para me aninhar igual uma criança. Gosto quando tu me exalta e me faz grande só para admirar o meu talento. Gosto quando você me promove. Gosto, mais ainda, quando você se envolve. Quando faz dos meus sonhos os teus. Quando também me permite abraçar os teus sonhos.

Gosto de estar com você.

Eu amo cada dia ao teu lado. Dos azuis aos cinzas. Dos dias ensolarados aos dias de chuva. Gosto como você me pega na mão e me aponta o caminho. Gosto, mais ainda, quando você me dá a mão e caminha ao meu lado. Gosto de olhar pra você e perceber que a história se desenha para nos fazermos mais fortes. Gosto de olhar para nossa história e perceber o quanto crescemos. Gosto de olhar para o que vivemos e perceber que tudo na vida há uma razão. Gosto de saber que sou amada. Gosto de ver em teus olhos que sou amada. Gosto de sentir em teus lábios que sou amada. 

Eu amo cada pedaço seu.


sexta-feira, julho 21, 2017

Mocinho do cinema


Leia ao som de Mocinho de Cinema, Ivo Mozart.

Tem horas que meu coração fica pequeno, moça. E isso acontece toda vez que eu entro no meu quarto, ligo o computador e deixo a playlist rolar. Você vem cantando alguns hits internacionais da juventude da sua mãe. Ou vem sussurrando em meu ouvido aquela nossa melodia predileta. Eu tento desviar os pensamentos, mas quando dou por mim estou dentro de você. Dos seus olhos castanhos. Agarrado em teus lábios. Te vendo se dependurar em meu pescoço e acariciar a minha barba. É meio surreal a forma como me desconecto do mundo, nesses instantes, para me conectar a você. 

Tem horas que a vida fica pequena, moça. Para o tanto de coisas que eu ainda quero lhe falar, para as inúmeras canções que ainda tenho a lhe dedicar. A vida é pequena demais. E eu percebo isso todas as vezes que olho para os teus vestígios em minha estante. "Para grandes viagens" é o que meus olhos leem todas as manhãs. Viagens que sempre planejei ao teu lado. Respiro fundo, fecho os olhos e te vejo tímida olhar em minha direção. Coração acelerado ao me abraçar. Mãos trêmulas a me puxar em direção ao guichê do aeroporto. Tontinha, tu. Doidinha, sempre. 

Tem horas que a noite fica pequena, moça. E são nessas horas que, entre uma canção e outra, eu fito os teus olhos e com meu olhar eu digo: "não fique nervosa, tá tudo bem". E são nessas horas que mando os meus sinais de fumaça para que você compreenda que aqui dentro o coração bate/apanha e, é massacrado pela tua ausência. Te dedico uma música e espero que você veja. São elas que nos mantêm conectados, acredito. São elas que cuidam de levar o meu afeto e todo o amor que falta transbordar de mim.

Tem horas que a madrugada fica pequena, moça. E eu acordo, olho por ventilador e vejo você caminhar de um lado para o outro como uma barata tonta. 'Cê me deixa tonto, sabia? Mas, acima de tudo, me deixa feliz. Feliz com o teu caminhar, com a tua forma bonita de ver a vida, de me beijar os olhos e estender as mãos em minha direção. De me escrever poesias e me embonitar, eu que nem sou mocinho de cinema, em teus versos. Você me deixa feliz pelo simples fato de olhar em minha direção e não desviar, em hipótese alguma, o teu olhar. Mesmo eu não merecendo tanto. Mesmo eu te ferindo, vez em quando.

Tem horas que meu coração fica pequeno, moça. E são nessas horas que eu penso, paro e vou ao teu encontro. Desatar o laço é tão difícil. Ainda mais quando a vontade que sinto é de amarrar. Transformar em nó e não te deixar partir. Meu coração fica pequeno quando imagino que a vida é tão ingrata, quando eu te olho nos olhos e constato que você é, como sempre te disse, a minha felicidade. Quando caminho sem direção, dia após dia, um dia de cada vez, para não imaginar que algum dia você se dependurará no pescoço de outro alguém. Tem horas que meu coração fica pequeno, moça. E só eu é que sei.

segunda-feira, julho 10, 2017

Quando você vem.



Quando você vem o dia fica mais comprido e as horas passam vagarosamente. Tudo para me matar um pouco mais de saudade. Tudo para me vestir de criança que espera Papai Noel em noite de Natal. Quando você vem e me enlaça num abraço as horas deixam de ser preguiçosas e correm apressadamente. Tudo para me vestir de criança birrenta que rola no chão do supermercado fazendo raiva à mãe. É que eu quero atrasar o relógio, mas o tempo não deixa. A vida diz que há pressa e que a gente não pode viver um único momento.

Quando você vem meu coração se torna escola de samba. 
E batuca saudade, amor e muita vontade. Vontade de ser. Vontade de ter. Vontade de fazer. 
De me fazer.

Quando você vem a vida parece ter mais cor e os dias cinzas ficam para trás. Quando você o meu amor já não é tão sozinho. E na matemática da vida passamos a ser um, dois e até mesmo - se a vida permitir - três. Quando você vem eu aprendo a ser plural e ao mesmo tempo singular. Eu aprendo linguística, astronomia, biologia em tuas curvas, em teus lábios, em toda essa imensidão bonita que é você.

Quando você vem o meu coração se torna cama, as minhas pernas tua morada e os meus braços tua rede. Quando você vem esqueço que sou uma e descubra que sou muitas. A amiga conselheira, o amor cuidadoso, a amante avassaladora. A ouvinte. A mandante. A mandada. Quando você vem eu me descubro e redescubro. E me cubro do teu amor.


quarta-feira, julho 05, 2017

Não vou colecionar lembranças, moça.


►Leia ao som de Forever Young, Alphaville◄

Não vou colecionar lembranças, moça. Mas é tão estranho olhar para as inúmeras recordações e saber que você não está mais aqui. Eu ouço as mesmas playlist's de sempre. Não há como não ouvir aquelas músicas da década de 80 ou até algumas mais recentes e não pensar em você. Ouço a nossa trilha sonora e em seguida - quase que de supetão - troco a faixa. Não tenho coração para ouvir o brasiliense - ô ironia! - cantando que amou te ver. Eu também amei. E talvez ainda ame. Desde a primeira vez. Aquele em que você apareceu timidamente do outro lado da tela. Até quando meu olhar cruzou com teu olhar desesperado no aeroporto. É, eu amei te ver. E amei entrelaçar os meus dedos nos teus. Fazer cafuné no sofá da sua sala. Caminhar de mãos dadas pelo shopping, pelo lago Paranóa, pela tua vida.

Não vou colecionar lembranças, moça. Ou não pretendo. Ou eu não sei o dia de amanhã. Só sei que Renato Russo parecia prever a gente - antes mesmo de nos conhecermos - quando cantava: onde está você além de aqui dentro de mim. Por onde será que você tem andado? Você tem se alimentado direito? Tem conseguido estudar como havia planejado? Tem brincado com os seus sobrinhos que tanto os amo? O que você tem feito? Tem pensado em mim? Eu não vou colecionar lembranças, moça. M-O-Ç-A, não me soa tão bem te chamar assim. Mas é o que me restou. Vez ou outra ainda penso em te chamar de amor. Mas será que você ainda é o meu amor? Mas será que ainda sou o seu amor? 

Não vou colecionar lembranças, moça. Só que vez ou outra aparece alguma notificação aqui e o coração aperta. Será que aperta aí também? Eu me questiono se o nosso fim era esse mesmo ou se tomei apenas uma decisão errada ou se peguei um atalho que não devia. Você ainda é a moça que enroscou o cabelo no meu colar? Você ainda é a moça que eu dava "bom dias" todos os dias querendo me aproximar? Você ainda é a moça que pisca os olhos dengosa só para me apaixonar? Você ainda é a moça que eu fazia carinho na tela do telefone? A mesma moça que vi dentro dos olhos a minha felicidade? Ainda é você? 

Não vou colecionar lembranças, moça. Só que de vez em quando eu abro o celular e meu coração pesa um pouco. Onde foram parar os meus bom dias? Por onde andam os meus "dorme com Papai do Céu". Tudo parece tão surreal. Como é que a gente tem alguém na vida e perde assim? Como é que a gente ama e deixa alguém partir? Tenho ouvido música demais. Nenhuma romântica demais. Tenho escutado algumas músicas que não me lembrem de você. Vez ou outra a faixa pula sem querer. Alphaville tocou esses dias e eu fiquei pensando como você ficava linda e desconcentrada ouvindo ela. Forever Young. Como você fica bonita cantarolando ela. Forever Young. Como você parece feliz ao escutá-la.

Não vou colecionar lembranças, moça. Chamar você de moça me dói igual você me chamar pelo meu nome. Só não dói mais do que não ter você para me chamar pelo nome. Não ter áudio ofegante de quem sobe escadas. Não ter "bom dia, amor" mesmo quando eu não merecia ser chamado assim. Não ter boa noite ou suas selfies de olhos revirados. Não ter suas fotos com seu vestido surrado. Não ter você sem vergonha ou medo de ser quem é. Eu não vou colecionar lembranças, amor. Ou talvez eu vá. 

Talvez.


segunda-feira, julho 03, 2017

Tudo é amor.


►Leia ao som de Antologia, Shakira.◄

Shakira parece cantar as minhas dores em Antologia. Enquanto ouço a sua voz excêntrica recordo de como a vida parecia mais fácil na adolescência. O futebol era certo, a festinha no final de mês no refeitório da escola, os pôsteres da boyband do momento ou assistir a reprise de Lagoa Azul na sessão da tarde. Tudo parecia tão certo. A vida caminhava em linha reta até então. Mas aos poucos a vida foi tomando outro rumo, o coração que se apaixonava pelo loirinho da bandinha pop agora dava espaço para outro rapaz, e outro, e outro, e outro.

Coração costurado. Cheio de cicatrizes dali então.

O guri de olhos verdes e cabelo de índio. O loiro de olhos castanhos e a boca carnuda. O rapaz de nome esquisito que era chamado por um apelido de pagodeiro. Alguns tão importantes ao coração. Outros nem tanto. Alguns dolorosos. Outros indiferentes para mim. Parece que o coração é quem escolhe por quem sofrer. Esse não, esse sim, talvez esse, quem sabe aquele. E por aí vai.

Saudade de responder cadernos de perguntas. De olhar as respostas daqueles que tinha interesse. De ver meu nome ali na lista das “maismais”. De ir assistir ao futsal pra ver quem acelerava meu coração fazer um gol e olhar em minha direção. De ir ao show de pagode – mesmo sendo metida a roqueira – só para dar aquela força a quem eu amava. Amores. Amores. Amores. Todos amores e quem há de dizer que não?

A gente só entende lá na frente. Lá adiante. Que tudo era amor, que tudo era sentimento, que tudo era válido. A gente só enxerga quando deixamos a emoção calar, quando olhamos para o outro – com suas qualidades e defeitos – e percebemos que há em nós muito sentimento para abraça-lo. Quando olhamos para nossas misérias e para o que o outro nos fez de bem, de mal e conseguimos dizer: “valeu a pena!”.


Tudo é amor. E mesmo que haja a dor nós sabemos onde ele está. Seja em um canto empoeirado, nas gavetas cheias de cartas amarelecidas, nos cadernos de perguntas, em uma conversa arquivada no whatsapp ou – quem sabe – apenas dentro de nós. Em nossa imaginação. Tudo é amor. E quem haverá de dizer que não?