Tudo é amor.


►Leia ao som de Antologia, Shakira.◄

Shakira parece cantar as minhas dores em Antologia. Enquanto ouço a sua voz excêntrica recordo de como a vida parecia mais fácil na adolescência. O futebol era certo, a festinha no final de mês no refeitório da escola, os pôsteres da boyband do momento ou assistir a reprise de Lagoa Azul na sessão da tarde. Tudo parecia tão certo. A vida caminhava em linha reta até então. Mas aos poucos a vida foi tomando outro rumo, o coração que se apaixonava pelo loirinho da bandinha pop agora dava espaço para outro rapaz, e outro, e outro, e outro.

Coração costurado. Cheio de cicatrizes dali então.

O guri de olhos verdes e cabelo de índio. O loiro de olhos castanhos e a boca carnuda. O rapaz de nome esquisito que era chamado por um apelido de pagodeiro. Alguns tão importantes ao coração. Outros nem tanto. Alguns dolorosos. Outros indiferentes para mim. Parece que o coração é quem escolhe por quem sofrer. Esse não, esse sim, talvez esse, quem sabe aquele. E por aí vai.

Saudade de responder cadernos de perguntas. De olhar as respostas daqueles que tinha interesse. De ver meu nome ali na lista das “maismais”. De ir assistir ao futsal pra ver quem acelerava meu coração fazer um gol e olhar em minha direção. De ir ao show de pagode – mesmo sendo metida a roqueira – só para dar aquela força a quem eu amava. Amores. Amores. Amores. Todos amores e quem há de dizer que não?

A gente só entende lá na frente. Lá adiante. Que tudo era amor, que tudo era sentimento, que tudo era válido. A gente só enxerga quando deixamos a emoção calar, quando olhamos para o outro – com suas qualidades e defeitos – e percebemos que há em nós muito sentimento para abraça-lo. Quando olhamos para nossas misérias e para o que o outro nos fez de bem, de mal e conseguimos dizer: “valeu a pena!”.


Tudo é amor. E mesmo que haja a dor nós sabemos onde ele está. Seja em um canto empoeirado, nas gavetas cheias de cartas amarelecidas, nos cadernos de perguntas, em uma conversa arquivada no whatsapp ou – quem sabe – apenas dentro de nós. Em nossa imaginação. Tudo é amor. E quem haverá de dizer que não?


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