Mocinho do cinema


Leia ao som de Mocinho de Cinema, Ivo Mozart.

Tem horas que meu coração fica pequeno, moça. E isso acontece toda vez que eu entro no meu quarto, ligo o computador e deixo a playlist rolar. Você vem cantando alguns hits internacionais da juventude da sua mãe. Ou vem sussurrando em meu ouvido aquela nossa melodia predileta. Eu tento desviar os pensamentos, mas quando dou por mim estou dentro de você. Dos seus olhos castanhos. Agarrado em teus lábios. Te vendo se dependurar em meu pescoço e acariciar a minha barba. É meio surreal a forma como me desconecto do mundo, nesses instantes, para me conectar a você. 

Tem horas que a vida fica pequena, moça. Para o tanto de coisas que eu ainda quero lhe falar, para as inúmeras canções que ainda tenho a lhe dedicar. A vida é pequena demais. E eu percebo isso todas as vezes que olho para os teus vestígios em minha estante. "Para grandes viagens" é o que meus olhos leem todas as manhãs. Viagens que sempre planejei ao teu lado. Respiro fundo, fecho os olhos e te vejo tímida olhar em minha direção. Coração acelerado ao me abraçar. Mãos trêmulas a me puxar em direção ao guichê do aeroporto. Tontinha, tu. Doidinha, sempre. 

Tem horas que a noite fica pequena, moça. E são nessas horas que, entre uma canção e outra, eu fito os teus olhos e com meu olhar eu digo: "não fique nervosa, tá tudo bem". E são nessas horas que mando os meus sinais de fumaça para que você compreenda que aqui dentro o coração bate/apanha e, é massacrado pela tua ausência. Te dedico uma música e espero que você veja. São elas que nos mantêm conectados, acredito. São elas que cuidam de levar o meu afeto e todo o amor que falta transbordar de mim.

Tem horas que a madrugada fica pequena, moça. E eu acordo, olho por ventilador e vejo você caminhar de um lado para o outro como uma barata tonta. 'Cê me deixa tonto, sabia? Mas, acima de tudo, me deixa feliz. Feliz com o teu caminhar, com a tua forma bonita de ver a vida, de me beijar os olhos e estender as mãos em minha direção. De me escrever poesias e me embonitar, eu que nem sou mocinho de cinema, em teus versos. Você me deixa feliz pelo simples fato de olhar em minha direção e não desviar, em hipótese alguma, o teu olhar. Mesmo eu não merecendo tanto. Mesmo eu te ferindo, vez em quando.

Tem horas que meu coração fica pequeno, moça. E são nessas horas que eu penso, paro e vou ao teu encontro. Desatar o laço é tão difícil. Ainda mais quando a vontade que sinto é de amarrar. Transformar em nó e não te deixar partir. Meu coração fica pequeno quando imagino que a vida é tão ingrata, quando eu te olho nos olhos e constato que você é, como sempre te disse, a minha felicidade. Quando caminho sem direção, dia após dia, um dia de cada vez, para não imaginar que algum dia você se dependurará no pescoço de outro alguém. Tem horas que meu coração fica pequeno, moça. E só eu é que sei.

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4 comentários

  1. Eu vou é começar a pedir texto todo dia. Porque não é possível.

    Pâm,

    Você viu o que você fez aí? Eu fiquei com um nó na garganta lendo. Tô aqui sentindo as lágrimas presas. Não sei ao certo que nome dar a essa emoção que teu texto me trouxe. Mas a verdade é essa: você tem esse fim de emocionar. Graças a Deus.

    É lindo. Sim.

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    1. Ai, amiga!
      Obrigada por insistir comigo. Sempre.

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    2. Resumindo esse texto me define hoje é difícil viver a vida pela vidraça.Pequenina menina minha escritora predileta acho que a única porquê não consigo ler uma vírgula de outros poetas.

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