Essa é a quinta xícara de café e a manhã ainda nem foi embora. Dizem que café não é bom para a saúde, mas às vezes ele me parece uma válvula de escape. É o meu cigarro. É aquilo que me satisfaz e me dá um pouco de paz. Os dias estão estranhos. Os anos parecem correr velozmente. Eu me olho no espelho e não me reconheço mais. Há quinze anos eu era uma moça que colecionava recortes dos Backstreet Boys, desenhava e passava a tarde assistindo os clipes da MTV. A vida parecia ser tão mais leve e sem preocupações. Os dias eram mais lentos. Eu vivia mais?

Há dias que a minha ansiedade me abraça de uma forma absurda. O meu estômago parece aquele vulcão enfurecido do inferno de Dante. A minha visão se turva, meus pensamentos ficam descoordenados e eu não consigo lidar com as minhas emoções. Sofro demasiadamente por coisas que em sã consciência eu não daria a mínima. Um pingo realmente vira uma tempestade. Eu me sinto uma formiga diante do que sinto. Tudo se torna absurdamente grande. Tudo tem parece gigante. A vida parece se tornar um lutador de sumô e eu me vejo como um peso pena deitado no ringue.

Queria conseguir controlar esse monstro que habita em mim. Mas o meu cérebro parece incapaz de conseguir, as minhas forças parecem insuficientes. É como se eu estivesse com as mãos atadas. Isso! É como se eu estivesse vestindo uma camisa de força sem poder me mexer. Às vezes eu penso que respirar um pouco mais resolveria, mas parece que o ar nunca é o suficiente. Sinto como se estivesse me afogando. Como se a água enchesse os meus pulmões impiedosamente.

Alguns dias são mais difíceis que outros, eu confesso. Hoje eu demorei um pouco mais para levantar da cama. A vontade de permanecer ali era enorme, mas quem disse que posso me dar ao luxo disso? A vida não espera a gente se recompor para continuar. Meu trabalho não irá esperar, os processos continuarão a chegar e minha caixa para análise continuará lotada. A vida não espera. A vida não espera. A vida não espera.

A vida não espera. E isso martela na minha cabeça insistentemente. E talvez essa seja uma das causas que têm me deixado tão fora de mim. Eu olho para a pessoa que eu era há alguns anos e sinto saudades dela. Tenho orgulho de quem sou hoje, mas parece que falta algo. Minha insegurança me atropela como um canhão em uma guerra declarada, meus medos me assombram como um fantasma que não arreda do meu pé. E nesses momentos eu me pergunto: quem sou eu? Quem eu deveria ser? Por quais caminhos eu deveria seguir?

Quem me roubou de mim? É uma pergunta que me faço constantemente. Será que foram todas as situações desagradáveis que passei nessa vida ou será que é a soma de todos os afetos que tive, perdi e que ainda busco? A vida tem dessas perguntas que a maioria das vezes são retóricas. Estão ali debaixo dos nossos narizes. Esses dias têm sido difíceis. E não tem ninguém para eu culpar a não ser eu mesma. É estranho olhar para toda essa confusão que há em mim e saber que tudo vem de dentro. Que é tudo interno. É duro olhar para a minha ansiedade e perceber que ela tá me derrubando no chão, que está arrastando minha cara na pirraça, que está bebendo todo o meu sangue.

Hoje é eu amanheci doendo um pouco por ser quem sou. Hoje eu fui atrás de resolver minhas questões existenciais e tratar da minha saúde. Hoje fiquei um pouco mais orgulhosa de mim ao compreender que não dá mais para brigar de cabo de guerra com a minha ansiedade. Fiquei feliz por dar o primeiro passo em busca da cura. Porque se ela existir, ah! Eu vou encontra-la sem dúvida.