Erros e enganos.



Tantos erros e enganos somos nós. Somos a despedida de olhos marejados em uma quarta-feira fria. A vida se desenhou muito desde então. Deixamos de ser quem éramos. Passamos a ser quem hoje somos. Quando abrimos a porta de nossos corações não imaginamos ter que fechá-la algum dia. Você veio, se instalou de mansinho e aos poucos fui vendo os teus vestígios por toda a casa. Já não era apenas eu. Minha escova estava ao lado da sua. Minha gaveta comportou as tuas cuecas. O meu chão virou depósito de roupas embriagadas de amor. Nenhum cômodo era só meu. Nem mesmo a minha mente era só minha. Tudo exalava você. Tudo tinha um pouco de ti.

Tantas idas e vindas somos nós. Somos as ligações perdidas em madrugadas insones. O café que esfria, enquanto miramos a porta. A comida requentada que já não satisfaz o paladar. Somos um ontem sem tantas pretensões. E um amanhã que não tem ideia de como será. Somos um amontoado de e-mails não-lidos na caixa e milhares de mensagens sms não respondidas. Somos o sobejo de um amor que não vingou ou somos a felicidade de algo que teve fim?

A vida se desenhou da forma que quis. Deixamos de ser plural e voltamos a ser singular. Aprendemos a andar com nossos próprios pés. Descobrimos que havia vida após o término e refizemos as nossas vidas. Encontrei um, dois, três novos amores. Você encontrou dezenas mais. Me descobri menina na íris de um poeta e me enxerguei mulher nos braços de um pintor. A vida nem sempre é como imaginamos ou queremos. Às vezes ela pede um pouco de atitude, outras serenidade e, em outros momentos ela requer de nós apenas um pouco de paciência.

Paciência. 

Paciência para entender que pessoas vêm e vão como pássaros de verão. Compreensão para entender que algumas pessoas apenas nos ajudam a escrever nossas histórias. Hoje a minha vida é uma bossa antiga que fala de amores que se foram. Hoje a tua vida é uma vida boêmia de portas abertas a quem desejar aquecer a tua cama. Somos um amontoado de erros e enganos. E só compreendemos isso quando a vida nos cobra. Quando as portas se fecham e não mais encontramos suas chaves.




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