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quarta-feira, junho 20, 2018

Falso amor


Por você eu fui capaz de ficar feliz mesmo estando triste. Por você eu fui capaz de fingir estar forte mesmo estando machucada. Queria que esse amor fosse perfeito, mas se você não se esforça, por que eu tentaria?

Eu tentei ser uma boa garota... só para você. Eu tentei dar o mundo para você. Eu realmente tentei dar o mundo para você. Eu tentei mudar tudo só para você. Mas agora eu não mais me conheço. O que eu me tornei?

Um destino para nós eu criei, mas você não fez com que desse certo. Eu me mudei por completo para deixar você feliz e agora estou conversando com o espelho e me perguntando: Quem diabos é você?

Eu te amei tanto que fui capaz de construir uma mentira.

Por que você está triste? Eu quem deveria estar triste. Você diz que eu não sou mais como antigamente, mas eu apenas deixei de ser seu fantoche! Você diz que eu não te amo mais, mas não... eu ainda te amo, mais do que imagina, mas eu não quero lutar por um amor que nem existe.

Se você me amasse pelo o que sou, talvez tudo isso tivesse dado certo. Eu te amei tão loucamente que fui capaz de mudar só para virar seu brinquedo. Mas... agora eu não quero mais... Desculpe... Eu apenas estou cansada desse falso amor!

Sobre a autora: 
RAÍSSA SOBRINHO é estudante do 8° ano do Colégio Ofenísia Freire, em Aracaju-Se. Tem 12 anos e um gosto pela escrita desde muito cedo. Fã de K-Pop, dança contemporânea e mangás, já há algum tempo se arrisca no mundo das letras, mas, depois que teve contato com o seu professor de História da Arte, Vitor Vilas Bôas, autor do Diálogos Vitruvianos e colunista do AEB, Jornalismo de Boteco e aqui de nosso site, aceitou encarar o desafio de publicar um dos seus textos.

segunda-feira, março 09, 2015

Como crianças.

Nós temos que resgatar em nós a valentia de criança. Aquela que nos permitia cair diversas vezes, mesmo com arranhões, e correr atrás de nossos sonhos. Pôr a vida em alvo e atirar nela se preciso for. Vestir armadura e se embrenhar nas batalhas diárias da vida. A gente tem que ter coragem diante das dificuldades e enfrentá-las, mesmo sentindo que não conseguiremos. Um capitão não abandona um barco que afunda. Por que abandonaríamos as nossas vidas no ápice de um, possível, naufrágio? A vida é boa demais para deixarmos que os dias sigam sem cor e vida. Caminhe, mesmo que lento, mas dê passos à felicidade. Todos buscamos uma fórmula para endireitarmos a nossos caminhos segundo nossas vontades, mas pouco observamos que a vida se esvai, entre os dedos, enquanto quebramos as nossas cabeças. Viver nunca se tratou de matemática e exatidão. O amor não habita nas exatas.

terça-feira, janeiro 07, 2014

Sobre decência.





Jamais conseguiria manter um relacionamento baseado na imposição de força, de uma disputa para que saber quem é o mais forte na relação. Acredito que o que mantém um casal é o equilíbrio. Não há que se pesar sempre as decisões, não há que haver uma quebra de braço. Não consigo, sinceramente, entender como alguém consegue viver desse modo. Onde um tenta, de todas as formas, subjugar o outro. Fazendo com que as suas decisões sejam sempre manipuladas de acordo com o seu desejo. É indecente. Não há como associar a palavra amor em um contexto em que se encontre os termos: “manipulação, massacre, astúcia desmedida.”


Enoja-me a capacidade que algumas pessoas têm ao assumirem o papel de mártires, fazendo com que o outro seja massacrado ao imaginar o quão ‘culpado’ foi por cometer determinado ‘delito’. E me impressiona, de fato, a inocência e até mesmo ingenuidade deste ao vestir o papel de criminoso e aceitá-lo como se realmente o fosse. O problema nessa história toda é entender que o amor é capaz de nos levar ao céu e em segundos ao inferno. Você se torna alvo fácil do outro diante de sua falácia, de sua psicologia reversa. E outro agravante nisso tudo é que sabemos o que nos faz mal, mas nem sempre conseguimos cortar o mal pela raiz. Existe ‘amor’ que é pior que erva daninha.

terça-feira, maio 21, 2013

O quarto dele.





A janela não denuncia que o Sol há muito se aproxima, mas os pássaros insistem em avisar que o dia já está nascendo. Olho para o relógio sobre a cabeceira e vejo os ponteiros se movimentarem preguiçosamente e acredito, talvez, que ele seja nosso cúmplice e queira estender um pouco mais o nosso encontro. Tudo que me cerca é de alguma forma familiar, apesar de não ter objetos meus, sinto que até o travesseiro se molda ao meu desejo de ficar. A respiração dele é tão calma, tão serena que me leva a imaginar o que se passa em seus sonhos. Não desejo que ele acorde, não naquele momento, quero apenas observá-lo. E assim faço.


O dia, aos poucos, anuncia sua chegada pelas frestas da janela sem persianas do quarto dele. Estou sonolenta e perdida em meus pensamentos. Queria, de alguma forma, parar de existir para o mundo e viver somente aquele instante. Como se pudesse envolver nossas vidas em uma redoma de vidro e recriar as nossas vidas ali. Sem trânsito, sem trabalho, sem os estudos que me deixam tão distante dele. Só queria. 

Olhando-o ali tão indefeso e quieto, sinto que poderia observá-lo apenas por horas a fio. Deixar os seus braços envoltos a minha cintura, naquele abraço leve e inocente que somente ele tem a me oferecer. Não há como não amar aquele menino de sorriso largo e coração grandioso. Não há como não querer que sua mão esteja estendida para me ajudar atravessar a rua. E em meio a tantos desejos e sonhos eu só quero que ele continue ali: deitado e indefeso. À espera de um mundo ao qual somente nós pertencemos.

quarta-feira, março 20, 2013

Alguém que eu costumava conhecer.


Now and then I think of when we were together
Like when you said you felt so happy you could die
Told myself that you were right for me ♫♪♪
Gotye.



Estava sentada  na calçada tentando lembrar quantas vezes quis te dar o céu, quis ouvir a sua voz do outro lado da linha e dizer:"oi, vem me ver". Acontece que as ligações não foram feitas e as tentativas de reaproximação foram todas desastrosas. Lembro também de todas as vezes que ensaiei versos para te apaixonar, mas descobri que só os poetas é que entendem a sutileza dos versos. Lembrei também de quantas vezes eu quis uma conversa clara e sincera, mas hoje compreendi que o ditado:"quando um não quer, dois não fazem" não foi escrito por qualquer motivo. 

Eu estava aqui com meus fones de ouvido olhando para o céu nublado e percebi que o meu coração esteve por um tempo assim, com nuvens cinzas, pesadas e que a qualquer momento eu poderia "chover". Eu me vi mergulhada, por um tempo, em um mar de tristeza e compreendi que ela pode ser viciosa e se não tomarmos cuidado aos poucos ela se alastra pelo corpo como uma trepadeira em busca de apoio. E, ainda inerte, nos pensamentos, um lapso de lucidez me abraçou e entendi que não fazemos sentido algum e, eu admito, estou feliz por ter acabado. 

Eu não preciso mais saber dos seus dias e você me deu isso sem pedir. Eu suporto os dias sem saber se você está feliz ou não, eu caminho bem sem ter você "ao meu lado", é fácil agir como se nada houvesse acontecido e pensar que tudo o que passou não foi nada. Eu nem sequer preciso saber se você almoçou, se foi ao trabalho ou se ficou irritado com alguém, eu nem sequer preciso do seu amor. De vez em quando eu penso em todas as vezes que você me magoou, e em todas as vezes que eu quis enxergar somente o bom em você, mas a gente cansa de ficar interpretando a pessoa o tempo todo. A gente cansa de amar sozinho e não ter a mão do outro para amparar. E hoje, diante de toda essa idiotice que vivi só me resta a dizer: "agora você será apenas alguém que eu costumava conhecer". De volta a realidade, beibe. De volta.

terça-feira, outubro 02, 2012

Do amor e suas bobagens.


Ouvi dizer que as praias de Moçambique são belíssimas. Ela suspira enquanto continua a frase: - você poderia escrever cartas e colocar em garrafas jogando-as no mar ou então pode fazer algo mais direcionado, enviar um cartão-postal para seus amigos, de modo que eles pensem: “cara, esse moleque é doido, vai ser comido por leões.” É. Todo mundo acha que o fato de você estar na África te coloca em uma Savana, assim como todos acreditam que morar em Brasília te faz vizinho do Presidente. E então eu tomei uma dose de vodca. E sorri. Não dava para dizer que não iria enviar cartão-postal a ninguém, eu não era dado a manifestações de afeto. Achava aquilo tudo muito falso e sentimentalóide.

– Sim. As praias de Moçambique são lindas. Por fim falei. E enquanto ela acendia mais um cigarro eu pensei: “cara, como é sexy o jeito que ela acende o cigarro.” Estávamos mais ou menos em paz até então. E eu previa que a conversa humorada duraria poucos minutos, tempestade a vista era o que denunciava a cor de seus olhos. Eu lembrava de Alceu Valença, de Zé Ramalho e recordava o movimento estudantil e como ela era bonita quando abraçava alguma causa. Que ela tomava café como alguém que estivera há 3 dias sem tomar água no deserto do Saara. Que por vezes suas unhas escorriam sangue enquanto conversava nervosamente com alguém. E que ela (...) poxa, ela tinha um olho verde e outro castanho.

– Veja se as conchas da África são bonitas e... – Eu não entendia sequer uma palavra. Ela tinha covinha apenas na bochecha esquerda e uma pinta acima dos lábios estilo Marylin Monroe. E meu coração estava batendo, como diz a música, zabumba bumba esquisito dentro do peito. E embora houvesse sinais para ficar. A cabeça, comandante geral, apressou-me os passos e sem dar tempo ao coração agir “desferiu-lhe” em sua testa um beijo de adeus. Afetuoso. Não o suficiente para lhe dizer que eu era seu.

sábado, julho 30, 2011

Tarde junho.





Desde que ele entrou em sua vida o mau-humor foi passear n'outro canto. Há dias que não escurece, que a noite vem experimentando a solidão. Porque para ela o sol sempre está apontando no horizonte desde que ele começou a fazer parte do universo dela. A mente dela navega além-mar durante as horas que permanece estudando na biblioteca central. Já não há como negar que ele mexe. Sim, mexe e muito com a sua cabeça, quiçá coração. E enquanto ela caminha para sua casa, atravessando a rua ela pensa: "meu Deus, como alguém pode nascer uma única vez e ser dotado de tantas qualidades?" - E ri de si mesma com tal interrogação.


Ela, que não conhecia o amor antes de avistá-lo nos olhos azul-piscina dele. Que aprendeu a aprecia o algodão doce do seu Zé da esquina ao lado, que entendeu que o mundo estava além dos seus livros de anatomia animal, essa mesma menina conheceu novos sabores e experimentou vários cheiros daí então. Ele que com seu jeito doce, tímido e incauto de ser conquistou cada milímetro do seu coração, que por vezes mostrava-se gélido, tornando-o aquecido, quente como o Sol das dez da manhã.


A moça de olhos rasos começou a compreender que crescia dentro de si um sentimento inexplicável, talvez não tivesse sentido qualquer sensação parecida até conhecê-lo. Talvez não. Tinha absoluta certeza disso. E ela permitia afogar-se naquele mundaréu de emoções, aquela tempestade de sentimentos indecifráveis e por incrível que pareça, embora a confusão estivesse plantada em seu peito ela só conseguia sorrir e sentir-se feliz com cada faísca de ilusão e amor-recíproco que nascia entre eles.


E desse amor que nasceu insuspeitado, nasceu uma das mais belas histórias de amor já contada. Uma história de superação, recheada daquela velha pieguice que adoramos tanto ler. Afinal o amor é piegas.



Àqueles que sentem saudade do Evan e Alice. Um livro incompleto. Por enquanto.