Nós temos que resgatar em nós a valentia de criança. Aquela que nos permitia cair diversas vezes, mesmo com arranhões, e correr atrás de nossos sonhos. Pôr a vida em alvo e atirar nela se preciso for. Vestir armadura e se embrenhar nas batalhas diárias da vida. A gente tem que ter coragem diante das dificuldades e enfrentá-las, mesmo sentindo que não conseguiremos. Um capitão não abandona um barco que afunda. Por que abandonaríamos as nossas vidas no ápice de um, possível, naufrágio? A vida é boa demais para deixarmos que os dias sigam sem cor e vida. Caminhe, mesmo que lento, mas dê passos à felicidade. Todos buscamos uma fórmula para endireitarmos a nossos caminhos segundo nossas vontades, mas pouco observamos que a vida se esvai, entre os dedos, enquanto quebramos as nossas cabeças. Viver nunca se tratou de matemática e exatidão. O amor não habita nas exatas.
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segunda-feira, março 09, 2015
quinta-feira, setembro 26, 2013
Esvazie os cômodos
Cuidado com a carência. Ela pode ser uma arma engatilhada
na sua cabeça sem que você perceba. Algumas pessoas leiloam seus corações com o
intuito de se livrar do rótulo de solteiro. Dê seu coração a quem você acha que
merece. Àquele que faz seus olhos brilharem quando passa, à moça que com
carinho te veste de gentilezas desinteressadas, ao rapaz que com um bom dia
consegue acelerar o teu coração. Não entregue a qualquer um ou porque acha que
ninguém jamais te amará. Não dê motivos para que os outros acreditem que seu
coração é um objeto. Não dê.
O problema é que abraçamos a primeira oportunidade de
abandonarmos esse título e pouco nos importamos se estamos preparados ou não.
Limpe a casa. Organize todos os cômodos do seu coração e aguarde o momento
certo. O ditado que diz que devemos cuidar de nosso jardim para atrairmos as
borboletas é verídico. Não há como receber um visitante sem condições de
recepcioná-lo, acolhê-lo. Ele sairá batendo a porta em questão de tempo apenas
por causa de sua desorganização.
O amor não tem que ser desesperado. Ao contrário, devemos
deixar que ele surja aos poucos. Que ele nasça insuspeitado e sem razão de ser.
Assim como as lianas que aos poucos se enroscam à árvore que desejam viver,
‘namorar’. O amor deve ser aguardando, mas para que isso aconteça devemos dar
espaço para que ele cresça em nós. Não há como ele sobreviver em nosso interior
como se vivesse espremido em uma despensa.
Por isso eu digo: esvazie os cômodos, limpe todas as
gavetas, desfaça-se daquilo que não lhe cabe. Deixe os sentimentos antigos de
lado, não se atemorize com o passar do tempo, não seja afoito. O amor surgirá
quando menos você esperar. Assim como uma borboleta que pousa sem prévio aviso
em nossos ombros. Paciência é uma virtude. Se é.
quarta-feira, maio 29, 2013
A delícia de você ser quem é.
“Também acho uma delícia quando você esquece os olhos em cima dos meus.”
Chico Buarque
A confusão aconteceu quando os meus passos começaram a vacilar. Eu tentei não olhar para trás e, de alguma forma, aceitar que os nossos destinos não estavam destinados a se cruzarem. E, então, em meio ao caos e a turbulência que se instalava dentro de mim, percebi que você não era passagem. Senti que o seu olhos haviam ancorado em meu coração e presa me mantive sem nenhuma resistência. Permaneci.
Tu não sabes a explosão que me causas com esse olhar sereno que me invades, com a tua voz que de tão macia - aveludada -, torna-se tangível, com o amor que surge dos teus lábios quando você fala sobre o que há em teu coração. E eu mergulho nessa imensidão de sentimentos, nesse turbilhão de sensações que desconcerta até o meu caminhar, na tua simplicidade que me comove e apaixona a alma.
Quando teus olhos pousam sobre os meus não há texto, verso ou prosa suficiente para definir o que sinto. É vulcão em erupção e acrescentando, doçura, apenas te digo: que delícia você ser quem é.
sexta-feira, maio 03, 2013
O que eu não sei dizer
Cada voz que canta o amor não diz
Tudo o que quer dizer (...)
Lulu Santos
Lulu Santos
Você é (...)
Dois dias já se passaram e a vontade de te escrever machuca o meu peito. Não há adjetivos que lhe caibam e até pensei em inventar alguma palavra para te definir. Tudo é tão estranho. Os dias passam e parece que os nossos pés caminham na mesma direção, mas quando nos aproximamos há uma abismo imenso a nos separar. Fechei os olhos por alguns minutos e busquei na cabeça o que você é para mim e, confesso, que ainda não sei. Acho que você está me doendo um bocado hoje e tudo sem pretensão. Acho que as pessoas me doem muito e a maioria das vezes a culpa é minha. Ando tentando criar alguns versos daqueles bem doces para te entregar, assim como quando alguém faz uma cesta de doces e entrega a pessoa querida, mas o meu coração parece travar e a cabeça não corresponde.
Você é (...)
Todas as vezes que penso em te definir, a frase é completada por reticências e eu queria que desse vez tivesse um ponto final. Aquela história clichê, mas que toda menina sonha, de "felizes para sempre". E então eu vejo que anda bagunçando a minha cabeça e percebo também que eu não consigo organizá-la. Você é (...) eu não sei o que você é. Quem você é. O que você quer ser. A única coisa que sei é que minhas linhas andam bem tortas e as palavras andam bem desalinhadas. Eu queria te dar algo bem bonito, dar meu coração em um papel cor de rosa ou até mesmo na minha agendinha de papel reciclado, mas eu não posso. E eu não sei o motivo.
quinta-feira, novembro 08, 2012
Dormência
“Eu
sei que há algo sagrado e reservado
E
recebido somente por mim.”
Semisonic.
Essa dormência
aqui dentro é boa, moço. Porque ela está amarrada em uma vontade doce de abraçar
o mundo, desde que tu vieste aqui pintar arco-íris em meu coração. Existe uma alegria
cá dentro impossível de não sentir. Não há como evitar. Não há como não querer.
Porque ela faz com que milhões de borboletas dancem em meu estômago ao som de bateria
de escola de samba. Porque a boca seca toda vez que tu vens carinhosamente me contar
do teu dia e em seguida ouve, pacientemente, o meu.
É coisa pouca,
moço. É coisa pequena. Mas penso que a vida é construída dessas pequenas miudezas
que ninguém comenta. Essas coisas “pequenas” que nenhum jornal tem vontade de noticiar.
Como quando alguém ajuda um velhinho atravessar a rua, alguém estende a mão a um
irmão de rua ou quando a lagarta no fim do seu ciclo de transformação sai do casulo
e vira borboleta. Tudo isso é tão lindo e ninguém noticia, não é? Só que eu vejo, moço. Eu sinto. De uma forma tão
desesperada cada gotinha de amor espalhada por aí. Absorvo tudo.
Acho que
ninguém vai entender, porque eu mesma não entendo, como tudo está tão agitado e
quieto ao mesmo tempo dentro de mim. Como eu não consigo pensar em você com a
constância que desejaria e ainda assim sei que tu estás cá dentro guardadinho.
Como você não vem a minha mente enquanto deito a cabeça sobre o travesseiro
para dormir e ainda assim sei estás alojando-se dentro de mim. E embora haja
tanta confusão dentro de mim, eu vou caminhando devagarinho, apreciando cada
gesto, porque eu sei que há algo sagrado e reservado, e recebido somente por
mim.
quinta-feira, agosto 16, 2012
Quando o paraíso teve que esperar.
Foi tão súbita a sua chegada que ela mal pôde encontrar ar. Sua respiração trêmula ficara segundo após segundo entrecortada. Ele é tão bonito! - Pensara em voz alta. Talvez alta demais, tanto que fora obrigada a desviar o olhar por medo de entregar a sua inquietação. Ela brincava com a borda da taça de vinho que ele oferecera, tentando não revelar a sua curiosidade. Um homem que falava sobre cinema, rock n'roll e cantava em uma banda de hardcore vestido, estupendamente, em um terno Armani.
Ela pensava: - Ele não existe, não existe, não existe. - E, sim parecendo ouvir os pensamentos dela chamou-a junto a sacada do prédio. A noite morria macia lá fora e podia-se ver o céu pontilhado de pequenos cristais, belas estrelas namoradeiras. E olhando os olhos da moça amendoados dissera:
- Você gosta da Lua?
- Sim. Mas prefiro as estrelas. E você?
- Tanto faz. Acho que dependendo do contexto elas são apenas expectadoras.
- E que contexto seria esse?
- Vinho, jazz, você e eu. Essas coisas que se tornam bonitas quando se tem poesia na alma.
(Silêncio)
- Que foi?
- Nada. Só poetizando você por dentro. Assim como o jazz.
- Você não deveria me dizer essas coisas.
- Por quê?
- Porque não tenho alma de poeta. E porque eu sinto vontade de responder, mas tenho medo de parecer idiota.
- As respostas nem sempre precisam ser verbalizadas, moça. Tome mais vinho.
(Silêncio)
Os cômodos estavam todos vazios. Não perceberam que aos poucos todos os convidados haviam indo embora, os olhos dela fixaram a porta indicando que também era hora de partir. Tocava "Forever Young" do Alphaville e por fim ela gargalhou:
- Bons momentos?
- Não é isso. Só queria dançar assim como a música pede.
- Elegantemente?
- Do modo que conseguirmos.
- Dancemos.
E em seu ouvido ele cantava, docemente - como podia -, "Heaven can wait we're only watching the skies." - É hora de ir, compreendo. Mas só se quiser ir. - Ele falou.
- Sim. Eu fico. - Ela respondeu.
Ela pensava: - Ele não existe, não existe, não existe. - E, sim parecendo ouvir os pensamentos dela chamou-a junto a sacada do prédio. A noite morria macia lá fora e podia-se ver o céu pontilhado de pequenos cristais, belas estrelas namoradeiras. E olhando os olhos da moça amendoados dissera:
- Você gosta da Lua?
- Sim. Mas prefiro as estrelas. E você?
- Tanto faz. Acho que dependendo do contexto elas são apenas expectadoras.
- E que contexto seria esse?
- Vinho, jazz, você e eu. Essas coisas que se tornam bonitas quando se tem poesia na alma.
(Silêncio)
- Que foi?
- Nada. Só poetizando você por dentro. Assim como o jazz.
- Você não deveria me dizer essas coisas.
- Por quê?
- Porque não tenho alma de poeta. E porque eu sinto vontade de responder, mas tenho medo de parecer idiota.
- As respostas nem sempre precisam ser verbalizadas, moça. Tome mais vinho.
(Silêncio)
Os cômodos estavam todos vazios. Não perceberam que aos poucos todos os convidados haviam indo embora, os olhos dela fixaram a porta indicando que também era hora de partir. Tocava "Forever Young" do Alphaville e por fim ela gargalhou:
- Bons momentos?
- Não é isso. Só queria dançar assim como a música pede.
- Elegantemente?
- Do modo que conseguirmos.
- Dancemos.
E em seu ouvido ele cantava, docemente - como podia -, "Heaven can wait we're only watching the skies." - É hora de ir, compreendo. Mas só se quiser ir. - Ele falou.
- Sim. Eu fico. - Ela respondeu.
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