O quarto dele.





A janela não denuncia que o Sol há muito se aproxima, mas os pássaros insistem em avisar que o dia já está nascendo. Olho para o relógio sobre a cabeceira e vejo os ponteiros se movimentarem preguiçosamente e acredito, talvez, que ele seja nosso cúmplice e queira estender um pouco mais o nosso encontro. Tudo que me cerca é de alguma forma familiar, apesar de não ter objetos meus, sinto que até o travesseiro se molda ao meu desejo de ficar. A respiração dele é tão calma, tão serena que me leva a imaginar o que se passa em seus sonhos. Não desejo que ele acorde, não naquele momento, quero apenas observá-lo. E assim faço.


O dia, aos poucos, anuncia sua chegada pelas frestas da janela sem persianas do quarto dele. Estou sonolenta e perdida em meus pensamentos. Queria, de alguma forma, parar de existir para o mundo e viver somente aquele instante. Como se pudesse envolver nossas vidas em uma redoma de vidro e recriar as nossas vidas ali. Sem trânsito, sem trabalho, sem os estudos que me deixam tão distante dele. Só queria. 

Olhando-o ali tão indefeso e quieto, sinto que poderia observá-lo apenas por horas a fio. Deixar os seus braços envoltos a minha cintura, naquele abraço leve e inocente que somente ele tem a me oferecer. Não há como não amar aquele menino de sorriso largo e coração grandioso. Não há como não querer que sua mão esteja estendida para me ajudar atravessar a rua. E em meio a tantos desejos e sonhos eu só quero que ele continue ali: deitado e indefeso. À espera de um mundo ao qual somente nós pertencemos.

Compar:

5 comentários

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. E é essa a cena dos meus dias ao lado dele, foi exatamente assim, na última noite que passamos juntos antes da minha viagem de volta. Fomos dormir tarde, eu, organizando as coisas e ele comigo. Eu, inquieta, com aquele dorzinha no coração na despedida do dia seguinte.

    Acordei antes do amanhecer e fiquei assim, quieta, observando-o dormir, tranquilo e a saudade já tomando conta de mim.

    Odeio despedidas, mas o nosso reencontro é melhor do que toda saudade que fica!

    Lindo texto, como sempre.
    Beijo sabor jujuba vermelha, Pam!

    :*

    ResponderExcluir
  3. Teu texto transborda amor, doçura e vontade de cuidar <3 ~ AMEI MUITO.

    ResponderExcluir
  4. Posts sempre lindos moça.
    Boa noite. "_"

    ResponderExcluir