Você me prende contra a parede e eu não desejo me desprender de seus braços. A tua respiração me arrepia a pele e o meu coração bate descompassado. Meu interior é a Sapucaí tomada por várias escolas de samba. Você me beija os lábios e eu perco os meus sentidos. Já não sei se é domingo ou  terça-feira. Sei apenas que os dias se encurtaram e a saudade ficou para trás. Ali, no vão que separa o banheiro do teu quarto. 

Você me olha nos olhos e eu vejo o meu reflexo em tua íris. Sou vontade velada, desejo de estar e permanecer junto e dentro de ti. Você me abraça as pernas, abarca minhas coxas e já não sei onde começo e termino. Sei que é bom te ter ali tão íntimo e tão vivo em mim. Você me puxa os cabelos e já não consigo evitar minha respiração sôfrega que implora por mais força.

Você me encaixa em seu colo e minhas pernas tremem. Eu que sempre fui dona da razão e do controle me vejo descoordenada e sem domínio sobre o que vejo, sinto e faço. O vai e vem dos nossos quadris me faz desejar nunca mais sair dali. Você me toca os seios e os tem para si; e eu te olho nos olhos dizendo que sim, são teus. Todos teus. 

Você me abraça manso e diz que o relógio corre devagar quando estamos longe. Eu te abraço ainda mais forte e peço que ele ande vagarosamente enquanto nos amamos. Você me tem em seus meios e eu já não sei onde estamos. Sei apenas que a saudade é tempero, rio e digo que precisamos - vez em quando - de distâncias.

Você me olha nos olhos com doçura e eu percebo que de lascívia eles mudaram para ternura. Vejo o quanto é bom ser amada nos teus olhos castanhos e nas tuas mãos de músico. Você me beija a testa e me diz que a vida é pequena demais para a gente refrear o amor. Eu te olho nos olhos e apenas concordo. Você me olha, mais uma vez, e bem baixinho me diz: como é bom te ter aqui na minha casa, na minha vida e no meu coração.