Não lembro quantos shots de tequila bebi quando você se foi. Lembro apenas que fui amparada por uma amiga, enquanto tentava usar o toilet. Lembro dela olhando em meus olhos dizendo: "você não vai beber mais". Não lembro de muita coisa daquela noite, mas lembro que você mandou um "oi, sumida" para tentar me convencer que sentia a minha falta. Tentou justificar os seus erros e as decisões que havia tomado. É o melhor para nós dois, você dizia. Você sempre fez questão de deixar solto no ar que me amava e que se não ficássemos juntos era para o meu bem. Você dizia que eu era a pessoa certa na hora errada e quando fosse o tempo certo a vida cruzaria nossos caminhos novamente. 

Não lembro de muita coisa daquela noite, repito. Mas eu me recordo de cada lágrima que derramei por você, de cada fim de semana que me isolei dentro do meu quarto escuro, de quantas vezes eu não quis existir porque a dor me consumia demais. Você me fazia acreditar que eu era alguém difícil de ser amada e que as minhas qualidades eram um peso para você. Dizia que para estar ao meu lado você precisava mudar, mas que não era capaz disso. Não naquele momento. Então, você se foi e me deixou com meus pedaços no chão.

Olho para a mensagem piscando em meu celular e o seu "oi, sumida", e me pergunto até onde vai o teu cinismo em achar que eu realmente estava sumida de você. Estar longe de você é, sem dúvida alguma, uma das maiores bençãos recebidas até aqui. Estar longe de você é sinônimo de paz e tranquilidade. Estar longe de você é algo que pretendo manter até o fim da minha vida. É o melhor para nós dois, meu bem. Acredite.

E por acreditar nessa verdade eu só te peço uma coisa: esquece meu telefone, meu nome e que você já teve algo comigo. Esquece que algum dia eu te amei e que estive entre os seus braços. Esquece a minha fisionomia, a minha voz e tudo o que vivemos. Esquece que a vida cruzou os nossos caminhos e esquece, pelo amor de Deus, que existe a possibilidade de sermos amigos. 

Porque não tem.
Esquece.