A gente pode dar vários conselhos aos outros, mas sempre pecaremos em alguma coisa. Aquele velho ditado: "casa de ferreiro, espeto de pau", já me vestiu lindamente em vários momentos da vida. Dia desses estava conversando com uma amiga e disse a ela que não deixasse de ter convívio social por causa do relacionamento dela. Logo eu que deixei de fazer inúmeras coisas para estar ao lado do meu ex-namorado, logo eu que não aproveitei meu aniversário - um dos dias mais especiais da minha vida - porque ele não se importou em "estar" ao meu lado, logo eu que desmarquei passeios, cinemas e saidinhas, porque queria ficar com ele.

Amar é realmente uma delícia, mas viver para isso é uma loucura. Olho para trás e penso que à época aquilo para mim parecia o correto. Hoje olhando a situação por um outro prisma percebo o quanto negligenciava a minha vida em prol de quem, em determinados momentos, não se importava realmente com os meus sentimentos. Deixar de aproveitar o aniversário e me trancar em um quarto, chorando, talvez tenha sido um dos piores episódios da minha vida amorosa até aqui. Descobrir que essa pessoa me traía naquele dia, então. 

Acontece que a gente ama, porque nascemos para o amor. E infelizmente ou felizmente enxergar com a razão nem sempre é possível. Mas de tudo o que aprendi até aqui, se me permitam aconselhar, eu afirmo: não desmarque seus compromissos por causa de uma pessoa. Não seja tão disponível. Nenhuma relação deve ser o centro da sua vida. Cada pessoa deve ter um momento sozinho, para curtir os amigos e espairecer. O amor é livre e pede a liberdade de ser e estar em qualquer lugar.

Estar ao lado de quem amamos é maravilhoso e quando se ama então, é divino! Entretanto, a gente precisa ponderar um pouco, pois até amor em excesso faz mal. Você pode ler esse texto e pensar: "ela está dizendo isso, porque foi traída". É, muito provável que você tenha razão. Porém, como sou da vibe que prega a resiliência tenho a política de pegar os limões que a vida me dá e fazer deles limonada. Dessa relação carrego comigo não apenas decepções e rancores, mas aprendizados que levarei para a vida. E o maior deles, talvez, é que nenhuma relação deve ser maior do que o apreço e o amor que temos por nós mesmos.

Ninguém vale a nossa paz.
Ninguém.