É você


Eu perdi o controle, admito.
Às duas da manhã, depois de algumas doses de tequila.
Voltei para casa, numa tentativa desesperada de não te ligar.
Em vão.
Abri a gaveta do criado mudo, aquela que tem tranca.
Pedi para minha mãe esconder a chave, mas eu só estava enganando a mim mesma, pois sabia todos os esconderijos que ela usava.
Lá, embaixo dos envelopes inutilizados, estavam as fotos de nós dois.
Espalhei todas as lembranças pela cama.
Meu coração estava cheio, lotado de você.
De nós.
Me pergunto se, em algum momento, você já reviveu isso, ou só colocou tudo em uma caixa e jogou fora, porque essa não é a primeira vez que faço isso e nem sei se será a última.
Três doses de vinho depois e já são quatro da manhã.
Olho para o celular e reviso a mensagem que eu escrevi.
Apertei o botão de “enviar”.
Você não respondeu.
Provavelmente meu número nem deve mais estar salvo em seus contatos.
Admito que ainda preciso de você, que não acabou.
Choro com os olhos fechados, revivendo nossa história, como um filme.
Então a campainha toca.
São seis da manhã.
Com os olhos vermelhos e o café a caminho da boca, maquiagem e roupas de ontem, me encaminho até a porta.
E é você.
É você dizendo que prefere se magoar do que não estar do meu lado.
É você dizendo que podemos nos curar, que o fim foi um erro.
É você lá, na soleira da porta, dizendo que fomos, ambos, imaturos.
É você, com as mãos nos bolsos, dizendo que precisa de mim.
Sou eu, com os olhos embargados, abraçando​ você, dando e recebendo nós em troca.
Somos nós, dizendo pela primeira vez,
Eu te amo.




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