Permita-se sentir


A gente paga de superado, que resolve bem o passado e adora mudanças, mas a verdade é que a gente morre de medo do novo. Desiludidos a gente canta alto que está bem e sabe seguir em frente, mas fica apavorado quando novos caminhos aparecem. Na verdade, muitas vezes, a gente nem abre as portas, assustados, sem coragem pra sair daquele quarto que a gente já conhece tão bem. 

E se der errado de novo?
E se eu perder tempo de novo? 
E se eu me machucar de novo? 
Ah, o novo!

É inquietante. 

A gente que só quer a paz de ficar onde se conhece, mesmo que seja dolorido, mas é uma dor conhecida pelo menos. A gente esquece que o novo traz novas experiências, sensações, oportunidades. 

A gente precisa é jogar essa armadura pesada de acreditar que já sabe onde tudo vai dar, porque não se sabe. Deixar a vida acontecer de outras formas que não foram planejadas na nossa planilha falida de felicidade calculada, deixar de fazer birra dizendo que as coisas só serão boas se forem do jeito que sonhamos, se estiverem dentro daquele molde limitado que criamos de suposta perfeição. 

O novo pode vir nos dizer que pode não ser do nosso jeito, nem na nossa hora, nem como prevíamos, que pode não estar dentro de nosso padrão de idealização, mas pode nos fazer rir de novo, pode trazer aquele brilho no olhar de volta, pode fazer o coração cansado, desacreditado, bater forte sem motivos.

Aquelas bobagens que trazem alegria à vida, sabe? 
Aquelas que se perderam com o tempo, com as coisas velhas.



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