Amor 2 em 1.



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Faz do meu corpo uma escultura a ser moldada por um oleiro. Pega meu seio, adentra os meus meios e me descobre por inteiro. Desvenda os meus caminhos com os teus lábios e faz da tua boca conhecedora de meus labirintos. Me diz que o tempo é agora e me olha nos olhos. Me faz promessas enquanto me beija, vagarosamente, o ouvido. Me tenha em teus braços enquanto me conta das tuas constelações preferidas. Me apresenta o céu que há em tua íris e o universo que se esconde dentro de ti. Me apresenta ao paraíso. 

Faz da tua mão pouso para minha. Me tira o ar, me rouba o fôlego, não desgruda de mim. Joga as roupas pelo chão, sem cerimônia e sem demora. Deixa que a vida se bagunce com as peças espalhadas na cerâmica azul anil da sua tia avó. Me tira a calma. Me leva ao céu. Me mostra que o tempo é relativo quando estamos no abraço um do outro. Me diga que os problemas da vida são irrelevantes quando a tua boca encontra a minha, quando teu corpo navega o meu.

Me faz de sete, dez, quinze mares e me desbrava. 

Me deixa confusa e me faz perder a noção de onde começa tu e termina eu. Faz de mim a tua cama, a tua comida e a tua sede. Faz de mim a tua vontade preguiçosa de levantar às dez da manhã. Me diz que ainda é cedo, mesmo o sol queimando lá fora. Me diz que ainda é cedo, mesmo o seu telefone avisando que tem reunião em uma hora. Me fiz que ainda é cedo, mesmo tudo apontando que não. Me diz que ainda é cedo, mesmo indo contra a razão.

Me diz que a vida é bonita e que vale a pena sonhar. Que sonhos se tornam tangíveis se a gente realmente, com o coração, acreditar. Me pinta nos olhos promessas, me entrega nas mãos realizações. Me leva para tua casa e diz que ela é minha. Me dá a chave da porta e me mostra a tua cozinha. Me leva embora de casa e diz que essa, em que eu vivo, já não é minha. Faz de mim tua morada, tua casa e tua vida.

Me faz de céu e me viaja. 


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