Eu não queria


Eu queria ouvir a nossa canção e não sentir vontade de chorar compulsivamente. Queria chegar em casa, deixar o celular sobre a cômoda e colocar a minha série preferida em dia. Queria não ter esse desejo absurdo de te contar os meus dias e te fazer participar da minha vida. Queria não sentir essa vontade de te marcar em cada meme idiota que desliza em minha timeline ou te mandar gifs de casais em seu inbox. Eu queria não desejar ser a primeira a dar bom dia por não saber se mando um emoji de coração ou apenas um ponto de exclamação. Queria não sentir que estou sozinha neste sentimento que era tão nosso e hoje parece ser tão meu.

A nossa vida se desenhou apressada demais. Éramos um, passamos a ser dois, não soubemos o que fazer com a intensidade daquilo que abrigávamos no peito. A gente se teve ferozmente e, talvez, tenhamos descido ladeira abaixo com nosso sentimento. Batemos de frente com um muro de concreto. Quebramos o que era bonito e tentamos consertar aquilo que quebramos. A cola foi pouco, o remendo muito mal feito, passamos a ser um novamente. Você sendo você. Eu sendo eu. Abríamos espaço para o outro entrar e mal passávamos pela porta. O espaço ficou pequeno demais ou será que agora há espaço em excesso? 

Eu não queria sentir saudades do que éramos ou ter meu coração partido em mil pedaços. Não queria brincar dizendo: "você jogou meu coração no moedor de carne". Escondendo, atrás de minhas gargalhadas, uma verdade tão dolorida e cruel. Eu queria olhar para dentro de mim e dizer que está tudo bem. Mas não como alguém que consola só para o outro não chorar; mas como quem tem a certeza de que a tempestade realmente está indo embora. Como alguém que de binóculo vê, grita e celebra a chegada de um barco a terra firme.

Eu não queria.

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