terça-feira, agosto 27, 2013

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Não consigo escrever uma linha sequer a você. É, bonito, meu coração endureceu e o sentimento se perdeu em alguma veia aqui dentro. Sumiu.

terça-feira, junho 11, 2013

Não dito.

Texto em parceria com a escritora Maria Fernanda Probst.


Olhei-o pela octogésima vez. Durante semanas, ele fora deliberadamente gentil e doce e fofo e carinhoso e apaixonado comigo, me levando à bares, cinemas e bancos de praça. Eu me envolvia na velocidade da luz, porque não sei me envolver de maneira lenta. Triste mania de me jogar de cabeça em tudo que me convidam: me convidam para um relacionamento bobo, ok, mas me jogo de cabeça, alma e coração e, no caso dele que foi deliberadamente gentil e doce e fofo e carinhoso e apaixonado comigo, não podia ser diferente. Eu já o amava, e olhei-o pela octogésima primeira vez no meio daquele filme e engoli duzentas e trinta e duas vezes o “eu te amo” que queria dar um jeito de escapulir dos meus lábios.

O amor não é escambo – eu pensei. E enquanto eu meditava isso, pensava se era capaz de ouvir um: “valeu” ou algo do tipo: “que bom”. As pessoas não aceitam facilmente a rejeição e por que eu seria diferente? Eu ensaiava as palavras e os meus lábios entreabriram-se diversas vezes enquanto ele, com os olhos fixos no telão, sorria até perder o ar. E então eu analisava o efeito que o “não amar” dele surtiria sobre mim e sabia que o meu coração pesaria. E eu o olhava pela octogésima terceira vez.

Subitamente, ele pegou-me o olhando e riu. Puxou minha mão até seus lábios, beijou-a docemente e sorriu-me com os olhos nadando em estrelas. Derreti-me inteira e engoli as ditas palavras junto com o turbilhão de borboletas que se alvoroçaram cá dentro, deixando-me inebriada em felicidade palpável e notória. Virei-me, antes que fosse tarde demais, para o filme que não roubava nem um pouco a minha atenção.

O filme nada me atraia, isso era fato, mas pude notar alguma semelhança entre a personagem e eu. Ela também tentava confessar o amor e sempre era impedida. Ora pelo cara que cuspia, verborragicamente, vários empecilhos. Ora por ela mesma que se via tentada a dizer e sem coragem quando era possível. E enquanto via aquela situação só pude concluir, mentalmente, é claro: “como é difícil expressar o que sentimos.” E quando resolvi olhá-lo pela octogésima quarta vez ele me sorriu dizendo: “bobagem dele e dela não perceberem que amor é convivência, que ele se prova nas atitudes, no dia-a-dia e não apenas em um simples e formal: eu te amo. Nós, querida, não precisamos de verbos para amar um ao outro e ainda assim nos amamos. Profundamente.” Eu por minha vez apenas assenti. E senti.

sexta-feira, maio 31, 2013

2.190 dias

Eu disse sem pretensão alguma: “são apenas 2.190 dias. Apenas dias sem importância”. E ele não pôde ler as minhas entrelinhas. Talvez as minhas metáforas sejam tão enfadonhas quanto a programação de domingo da Tv aberta. Ou então ele não queira ler o que está evidente. Ou então [...]

Acontece que as interrogações já foram respondidas, mas a minha cabeça insiste em abrir brechas e exceções. Tolice! Eu repito diversas vezes, mas os meus ouvidos não fazem questão de ouvir. De que adianta, me diga, você tecer vários poemas dentro de si e sonhar com uma pessoa que não quer te estender a mão? E de que adianta você se interrogar tanto em frente ao espelho se as respostas não existem?

Foram apenas 2.190 dias – inexatos. O bastante para dilacerar meu coração devido a minha falta de coragem. O suficiente para me sufocar todas as vezes que eu ouvia o nome dele e minha cabeça devaneava: “por que eu deixei ele partir?”. Então você se dá conta que não é era realmente para ser. A inexatidão de sentimentos não permitiu que o amor se cumprisse ali. Não estou dizendo que o amor de fato existiu, mas que ele poderia sim ter existido se houvesse brecha, se houvesse um terreno fértil para que ele se plantasse. Não houve.


Apenas 2.190 dias. 

quarta-feira, maio 29, 2013

A delícia de você ser quem é.

“Também acho uma delícia quando você esquece os olhos em cima dos meus.”
Chico Buarque


A confusão aconteceu quando os meus passos começaram a vacilar. Eu tentei não olhar para trás e, de alguma forma, aceitar que os nossos destinos não estavam destinados a se cruzarem. E, então, em meio ao caos e a turbulência que se instalava dentro de mim, percebi que você não era passagem. Senti que o seu olhos haviam ancorado em meu coração e presa me mantive sem nenhuma resistência. Permaneci.

Tu não sabes a explosão que me causas com esse olhar sereno que me invades, com a tua voz que de tão macia - aveludada -, torna-se tangível, com o amor que surge dos teus lábios quando você fala sobre o que há em teu coração. E eu mergulho nessa imensidão de sentimentos, nesse turbilhão de sensações que desconcerta até o meu caminhar, na tua simplicidade que me comove e apaixona a alma. 

Quando teus olhos pousam sobre os meus não há texto, verso ou prosa suficiente para definir o que sinto. É vulcão em erupção e acrescentando, doçura, apenas  te digo: que delícia você ser quem é.

terça-feira, maio 28, 2013

Do inesperado.

Em parceria com a bonita da Juliane Rodrigues.


Eu não pretendia encontrar o amor ali e, ainda assim, em meio a tantas equações e orações subordinadas ele me apareceu. E sem pretensão alguma ele se alojou em meu coração. Foi necessário apenas algumas palavras bobas de adolescentes açucaradas. E, antes mesmo que o visse, meu coração já havia escancarado as portas para que ele viesse. E veio.

Primeiro dia de aula, expectativas, ansiedade, coração acelerado, uma curiosidade aguçada por querer saber, ver e conhecer o menino, que antes mesmo de nos encontrarmos, já despertava em mim o sentimento mais bonito. Borboletas no estômago se ouriçaram no momento em que o vi entrar vindo em minha direção. Mal sabia eu que dali, daquele dia em diante o destino se encarregaria de unir os nossos caminhos.

Com o passar dos dias eu me encantava mais, ao observá-lo. Olhos escuros, sorriso largo e um jeito meio desengonçado que acabou chamando minha atenção. Definitivamente eu não me reconhecia mais, tudo em mim parecia estar mudando, sentia como se estivesse a ponto de explodir, frenética. Sabe o contato visual? Então, acho que a partir do dia que o vi, conheci o verdadeiro significado dessa expressão.

Amor à primeira vista existe? Até o presente momento não acreditava. E achava uma babaquice toda essa história de que o cupido vem e solta a flecha, de que o amor vem e nos assalta. Mas era impossível lembrar de todos os meus conceitos, ideologias, diante daquele sorriso que era capaz de derreter uma geleira. O meu coração encontrava-se em estado de liquidificação. Eu sentia que era ele, só podia ser ele.

terça-feira, maio 21, 2013

O quarto dele.





A janela não denuncia que o Sol há muito se aproxima, mas os pássaros insistem em avisar que o dia já está nascendo. Olho para o relógio sobre a cabeceira e vejo os ponteiros se movimentarem preguiçosamente e acredito, talvez, que ele seja nosso cúmplice e queira estender um pouco mais o nosso encontro. Tudo que me cerca é de alguma forma familiar, apesar de não ter objetos meus, sinto que até o travesseiro se molda ao meu desejo de ficar. A respiração dele é tão calma, tão serena que me leva a imaginar o que se passa em seus sonhos. Não desejo que ele acorde, não naquele momento, quero apenas observá-lo. E assim faço.


O dia, aos poucos, anuncia sua chegada pelas frestas da janela sem persianas do quarto dele. Estou sonolenta e perdida em meus pensamentos. Queria, de alguma forma, parar de existir para o mundo e viver somente aquele instante. Como se pudesse envolver nossas vidas em uma redoma de vidro e recriar as nossas vidas ali. Sem trânsito, sem trabalho, sem os estudos que me deixam tão distante dele. Só queria. 

Olhando-o ali tão indefeso e quieto, sinto que poderia observá-lo apenas por horas a fio. Deixar os seus braços envoltos a minha cintura, naquele abraço leve e inocente que somente ele tem a me oferecer. Não há como não amar aquele menino de sorriso largo e coração grandioso. Não há como não querer que sua mão esteja estendida para me ajudar atravessar a rua. E em meio a tantos desejos e sonhos eu só quero que ele continue ali: deitado e indefeso. À espera de um mundo ao qual somente nós pertencemos.