quarta-feira, maio 25, 2016

Resenha: Por Lugares Incríveis - Jennifer Niven


O livro conta a história de Theodore Finch e Violet Markey, dois jovens completamente diferentes, que viram na morte o caminho para aliviar as dores de seus traumas. 

Violet é uma garota popular, que perdeu a irmã mais velha em um acidente de carro. Além da dor e o vazio, ela ainda carrega a culpa pelo que aconteceu. Por esta razão, abandona seus hobbies e passa a contar os dias invés de vivê-los com plenitude. Finch teve uma infância difícil no ambiente familiar, tem um comportamento atípico e, por isso, acaba sendo alvo de piadas e apelidos na escola. 

Os dois têm seus caminhos cruzados quando, na torre do sino do colégio, se encontram prestes a pular. A partir deste momento, aqueles que buscavam na morte uma solução, encontram um no outro motivos para seguirem vivendo. 

Finch e Violet iniciam uma jornada pelo estado onde moram, para fazer um trabalho de geografia. Pela aproximação acabam criando um laço de amizade muito forte, compartilhando segredos, sentimentos e medos de uma forma muito espontânea e verdadeira.

Compreender a dor de Violet e apaixonar-se por esta personagem é fácil. Mas compreender os sentimentos de Finch é um tanto complicado, embora apaixonar-se por ele seja algo inevitável. Certamente é o tipo de pessoa que eu teria gostado de encontrar.

O tema central do livro é o suicídio na adolescência, mas os outros temas que orbitam em torno deste, como bullyng e depressão me levaram a refletir na importância de enxergarmos com mais generosidade e altruísmo as necessidades daqueles que estão à nossa volta. 

Tocante e apaixonante, Por Lugares Incríveis se tornou um dos meus favoritos.

Resenha por Viviane Marinheiro.

quarta-feira, maio 11, 2016

Você merece alguém que...


Você merece alguém que seja antes de tudo o seu amigo. A amizade é a maneira mais bonita e verdadeira de se amar alguém. Quando somos amigos de quem amamos compartilhamos mais que momentos românticos. Dividimos a vida e os pequenos detalhes dela. Não precisamos manter um sorriso falso nos lábios para agradar o outro. Podemos expressar o que há em nós. Dividir a bagagem e, com ajuda do outro, nos livrarmos dos excessos. Viver ao lado de um amigo é saber que nos dias maus haverá sempre um ombro para encostarmos nossas cabeças, um cafuné enquanto soluçamos baixinho com nossas lágrimas ou, quem sabe, um chocolate quente miramos o nada.

Você merece alguém que abrace a tua história do jeito que ela foi escrita. Alguém que não queira modificar seus hábitos, que aceite que você tem defeitos e compreenda a humanidade que há em você. Que saiba ler o teu silêncio e se importe; mas que seja capaz de te dar espaço quando você precisar. Alguém que consiga preencher as lacunas de uma conversa cansativa com um simples olhar. E, que ao tocar os teus dedos te faça cócegas no coração.

Você merece alguém que te levante quando o seu desejo for mofar no sofá. Que te diga o quão você está bonita, mesmo que o espelho te prove o contrário. Que te abrace pelo meio da cintura e faça uma dancinha esquisita. Que te derrube na cama com uma guerra de travesseiros. Que te mostre que a loucura da vida de adulto pode ser amenizada com alguns goles de café, pipoca e o seriado preferido.

Você merece alguém que te presenteie com uma trilha sonora. Que te acorde de manhãzinha e te convide a assistir o nascer do sol. Que deite na grama contigo enquanto observa e tente decifrar quais constelações estão mais visíveis no céu. Alguém que te pinte mil estrelas nos olhos, que beije o Universo que há neles e te diga, te prove, te convença, que o céu que há em nós é mais belo do que aquele que nós enxergamos.

Você merece alguém...
Eu desejo que você tenha alguém...
Eu espero que você encontre alguém...

Alguém que te faça esquecer todos os outros que atravessaram o teu caminho.

Fotografia: Maud Chalard

segunda-feira, maio 02, 2016

365 dias que eu te encontro



Perdi as contas de quantas vezes iniciei este texto. E, percebi que nem sempre sou dona das palavras. Agora, por exemplo, elas me escorrem pelos dedos. Feito água que colhemos com as mãos em um rio. Há 365 dias fiz a melhor escolha da minha vida: bater na porta do seu coração. Eu me convidei, sem nenhum cerimônia, a adentrar os cômodos de sua vida. Eu não entendia o porquê daquilo. Da vida me esfregar a todo instante o teu sorriso em minha timeline. Confesso, ainda, que a insistência foi a responsável por me impulsionar a tocar a campainha. 

E eu bati.
E de repente você me abriu a porta sem questionamentos. Apenas abriu e, timidamente, eu me instalei ali. E por alguns longos meses me mantive, sem nenhuma querência, sem muitas manifestações, apenas fiquei ali: estática, imóvel e sem tanta importância. Até você me notar. Até eu te notar.

Eu que te amava por tabela, e não sabia, no sorriso de uma pequena de olhinhos puxadinhos. Hoje compreendo melhor os desígnios de Deus. Eu que te olhava vez ou outra e não entendia o porquê de sentir, em meu coração, que os lugares que você frequentava para mim eram familiares. Hoje entendo que o amor é um lugar, e que você hoje é minha casa.

A gente passa a vida inteira buscando alguém. Quando na verdade a gente é que deve se deixar encontrar. E eu te encontrei. Você me encontrou. Nós nos encontramos. Nos esbarramos nas uvas passas que as famílias colocam nas comidas natalinas, numa canção de Kid Abelha que sem habilidade eu toquei e te chamou atenção, nas fotos de pai e filha que enchiam os meus olhos de amor.

E nos encontramos, meu amor.
E hoje minha vida anda desnuda diante dos teus olhos e, acredito que a melhor forma de se amar alguém é se despindo por inteiro. Já não tenho roupas, meus chinelos estão espalhados pela casa, os meus óculos estavam na cômoda de manhã cedo e agora já não sei mais. A vida se desenha despreocupada. E os dias correm em passos miúdos e sorrateiros. 

E nos encontramos, meu bem.
Nas noites que avançam a passos largos. Nos sorrisos que você me dá e nos meus que te devolvo. Em nosso olhar fixo, e verborrágico, que nos falam mil palavras. Nos sonhos de criança que dividimos.  Na loucura quase que adolescente que compartilhamos. Nos planos de adultos que tecemos. Na vida que tão longe ainda esperamos.

São 365 dias que eu te encontro, meu amor.
E você me encontra.
E nos nós encontramos.

segunda-feira, abril 11, 2016

Meu melhor amigo é o meu amor


"Eu gosto de você, e gosto de ficar com você.
Meu riso é tão feliz contigo,
Meu melhor amigo é o meu amor."
Os Tribalhistas


Não me recordo muito bem como era vida antes de você existir na minha, e pouco me interessa lembrar que essa época existiu. Os dias correm despreocupados desde que você adentrou, sem cerimônia, em meus dias cinzentos. É como se a vida não tivesse pressa, é como se os dias não fossem mais contados. A única urgência que nos cabe, desde então, é a de nos encontrarmos, de nos amarmos dentro da íris do outro, de nos abraçarmos com o coração, de nos cuidarmos como os pais cuidam de seus filhos, como os avós dengam os seus netos.

A gente sempre espera que o amor seja um conto de fadas, daqueles que príncipes nos aparecem em cavalos brancos, que protegem donzelas indefesas, quando na verdade o amor é bem mais simples do que imaginamos. É um cuidado sem importância aparente, um beijo na testa na despedida para o trabalho, um desejo de bom dia, um recado de: "vê se come direitinho", é o olhar do outro invadindo os lugares mais recônditos do nosso ser.

E eu vejo, meu amor/amigo, que a gente se tem nessas pequenas coisas, naquilo que ninguém dá muita importância, no fixar de olhos que dizem mais que mil palavras, no cafuné gostoso que você me faz todas as noites, no canto de sua boca enquanto você me olha sorrir de suas piadas bobas, nas canções que Tiago Iorc toca como nossa trilha sonora. Eu te tenho, nós nos temos, nesses momentos que - aparentemente - são banais aos olhos dos outros, mas que, para nós, constroem as nossas vidas.

Fotografia: Maud Chalard.

sexta-feira, abril 08, 2016

Resenha: Proibido - Tabitha Suzuma



Avassalador. Nenhuma outra palavra pode definir essa leitura.

Lochan é um adolescente de 17 anos, inteligente, sensível, introspectivo e que tem problemas de relacionamento com qualquer pessoa que não seja da sua família. Em contrapartida, assume o papel de homem da casa, com a ajuda de Maya, sua irmã, uma jovem de 16 anos, extremamente madura, doce e delicada. Juntos, Lochan e Maya assumem o papel de pais dos três irmãos mais novos: Willa, Tiffin e Kit. Encobrindo o abandono da mãe para o serviço social, a fim de permaneceram juntos.

Dois jovens, marcados desde a infância pelo peso de responsabilidades competentes aos adultos. Encontram um no outro o apoio para encarar a realidade e dificuldades tão precoces para suas idades. Se tornando os únicos e melhores amigos um do outro, e despertando um sentimento que ultrapassa a cumplicidade comuns aos irmãos.

Comecei a leitura com certo receio, pois já conhecia o tema que seria abordado. Mas não foi somente o proibido relacionamento incestuoso que fez deste livro um dos mais tocantes que já li. A autora traz questões sociais muito fortes, contadas com muita sensibilidade e emoção, e te leva a pensar e repensar o conceito de certo e errado ao passo que as coisas vão acontecendo e, principalmente, que não é possível escolher a quem amamos. Embora culturalmente seja um erro, uma abominação, judicialmente um crime, o fato é que o amor está ali e precisa ser sentido e vivido na sua forma mais pura e generosa...

Apesar de ter sido devastada por este livro, foi maravilhoso ver a evolução dos personagens, o modo como o amor de Maya consegue tornar Lochan mais confiante e forte. O empenho dos dois para que os irmãos estejam juntos e felizes, apesar de tudo.

Proibido me tirou da zona de conforto literário, me tocando do início ao fim de uma forma muito intensa e especial. Sugiro àqueles que pretendem ler este livro, que o faça sem preconceitos e de coração aberto.

Resenha por Viviane Marinheiro.

segunda-feira, abril 04, 2016

Dissertando sobre o amor


Dissertamos sobre o amor com a facilidade de quem abre um miojo e após três minutos o tem preparado. A vida é um pouco mais complexa. Ela vai além das instruções que vêm no verso das embalagens, que encontramos nas gôndolas de supermercados. Ela não vem empacotada esperando apenas a nossa disposição em untar uma forma, despejar o conteúdo e desenformar o bolo. Seria maravilhoso, também, se a vida viesse em frascos de remédios com uma bula indicando a posologia, mas, mais uma vez, ela não vem assim de mão beijada.

Nós descobrimos a vida é no dia a dia, nas quedas diárias que levamos, no esfolar de joelhos, nas topadas que nossos “mindinhos” do pé dão nas cômodas de nossas casas. A vida é ardilosa demais, cansativa demais, dolorosa demais, misteriosa demais. E, ainda assim, é uma das maiores, melhores e fantásticas aventuras que nós somos presenteados todos os dias. Muita gente existe, pouca gente realmente vive.

Viver é um grande desafio. Todos os dias somos enviados às jaulas de leões. Nos tornamos protagonistas de séries policiais, dos filmes de Crocodilo Dundee, procuramos o amor – buscamos com tanto ardor – como quem busca o elixir da vida. Todos somos um pouco guerreiros, todos temos um quê de soldado. E, no final das contas, a busca pelo amor é isso mesmo: um campo de guerra. Você se vê, diariamente, exposto a vários situações difíceis, mas ao final da jornada, quando a bandeira branca é estendida, quando vemos o amor se rendendo a nós, percebemos  que correr com o peito nu em frente aos canhões não é loucura. Porque amar vale até a última gota de suor e loucura.

Fotografia: Maud Chalard.