quinta-feira, janeiro 07, 2010

Quando ele dorme lá em casa;


“Quando ela dorme em minha casa
O mundo acorda cantando...”
Zeca Baleiro/Fausto Nilo



Vês que objetos e seres inanimados tornam-se adjetivos em minha boca a fim de dar-te poesias inúmeras. Visto tempestades inteiras, banho-me com luzes vindas do céu, vejo-te em luzinhas que sonham em serem estrelas, vejo o esconde-esconde de vaga-lumes que brincam à noite e tudo me traz você. Porque quando você dorme em minha casa eu só quero te olhar e fico enraivecida quando o sono me vem pregar peça privando-me de te olhar os movimentos adormecidos, a respiração leve e os cabelos negros que ficam sobre os olhos. É que deitar a cabeça sobre teu peito me é reconfortante, ouvir cada batida dele traz-me alegria tamanha que poderia congelar o tempo, fazer que as horas, segundos, que o ponteiro continuasse parado ali. Só para te ter em minhas mãos, nos meus braços a noite inteira como deve ser. Porque quando você dorme em minha casa o sol amanhece sorrindo e os meus pés enroscados nos teus já não são frios.

Eu queria tanto dizer: “eu te amo”. Sem aspas, entrelinha queria dizer abertamente para que tu dormisses todos os dias aqui comigo. Mas a garganta se fecha e eu apenas pigarreio. E tu, doce, não me vês tal qual sou em minhas noites insones. Impaciente, inquieta, observadora e principalmente apaixonada. Irrevogavelmente. E esse abajur que ilumina metade da tua boca me vem provocar a loucura. E enquanto a música toca baixinho na rádio Consuelo Velázquez cantando “Bésame Mucho” eu te peço piedosamente que continues aqui dormindo para que os teus beijos tão meus estejam sempre ao meu alcance. É que a noite quando tu dormes até os grilos cantam afinados e o tique-taque do relógio parece dançar compassado com as batidas de meu coração. O mundo inteiro canta teu nome.

E então eu vou observando tudo que está ao nosso redor, reunindo diversas palavras e olhando no espelho vou ensaiando como eu te digo para que não soe fácil e muito menos falso. Que seja verdadeiro, assim como o que eu sinto aqui dentro. Para que não te assuste, para que tu não fujas de mim e permaneça aqui mesmo que meio grogue de sono, com os cabelos desgrenhados. E então quando os teus olhos abriram de manhã, amor. A única coisa que escapuliu dos meus lábios foi: "bom dia". Acredito que os meus olhos já te disseram inúmeras vezes o que minha boca insiste em não dizer.

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Falar de amor não é amar, não é querer ninguém.

Eu fixava os meus olhos naquele “A” vermelho enorme e a figura que o ilustrava eram duas pessoas em um abraço afetuoso e diziam que o “A” era de amor. Então, em minha cartilha eu aprendi o significado da palavra. Achei que amar era apenas abraços e à medida que fui crescendo aprendi que havia outros sentimentos e ações interligados a ela. Descobri então o beijo, o afago e infelizmente a dor. E eu imaginei que amar era mais isso. Descontentamento. Porque eu amava com os meus lábios, muitas vezes, mas meu coração não sentia. E então eu feria.

E o tempo foi se passando e acabei descobrindo várias derivações da palavra e quanto mais eu conhecia, mais mergulhava naquele mundaréu de sentimentos. E então eu ouvi o primeiro: “eu te amo.” Mas eu não acreditei. E quando eu disse a três anos que eu amava alguém soou falso. E senti vazio depois disso. Porque eu vi que realmente lia muito sobre o amor, mas eu não sabia de fato o que era. E então eu te conheci. E eu não queria amar ninguém porque sempre me achei superior quando falava de amor, pois conseguia falar de dor sem sentí-la de fato. E você apareceu na minha vida e os meus pés começaram a pisar cuidadosamente, porque no dia que eu conversei com você eu já sabia que me apaixonaria. E algum tempo depois eu vi que não estava errada. Só que hoje os meus pés já não sabem onde pisar, já não quer pisar em lugar algum, porque você me machucou.

E eu vi que falar de amor não é amar. Por que diabos você veio naquela noite de Maio? E por que diabos você destruiu aquilo que eu inventei para nós. Você me quis ferir e eu senti muito – tanto que o dia que estava quente e claro naquela manhã que tinha tudo para ser de festa acabou tornando-se nebulosa e minha cama estava tão aconchegante que eu quis ficar ali deitada com as minhas lágrimas e soluços, mesmo com o sol a pino. Tudo tornou-se frio porque eu lembrava de cada caractere. E então as minhas convicções tornaram-se falhas, desacreditei naquilo que tinha em mente de que eu te amava só em palavras porque era bonito te escrever, mas eu já não quero escrever sobre você e ainda assim eu te amo. Eu me recuso a pensar em você, eu já não sonho mais com você, meu coração não acelera mais só de ouvir teu nome e ainda assim eu sei que amo você. E pela primeira vez na vida, em 23 anos, eu tenho certeza de que o que falo é real. Não é fantasioso. Não está apenas em poemas e contos que você não é somente personagem e combustível para os meus textos. Que você é o amor que eu sempre quis, mas que me magoa terrivelmente. Sim. Magoa quando bem quer.


“Dias esquecidos
No verão que eu inventei
Eu sei que você vive
Das mentiras que eu acreditei.”
Capital Inicial

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terça-feira, janeiro 05, 2010

Ocre.

Eu preciso da nicotina em minhas veias, porque me entorpece deixando-me mais leve. Eu necessito dessa dose a mais, porque ela emaranha os meus sentidos separando o que é real do fantasioso. Está vendo? Na verdade eu sempre precisei daquilo que é palpável e que você não pôde me dar. E em cada tragada e gole eu te encontro. E você me é melhor assim: “engarrafado”. Porque eu te bebo e vou sentindo você deslizar dentro de mim.

E meu batom, que outrora era cor-de-rosa, hoje é vermelho. Porque vermelho é a nova cor para mim, nada de azul que me remetem ao céu, de verde esmeralda que me lembra a verde grama, do marrom que me lembram os teus grandes olhos. Nada disso. Quero o vermelho que dá raiva no touro, que o incita ao ódio, que machuca e fere. Porque nada mais me importa, sabe. Porque eu não sinto, mesmo sentindo. Porque há em mim um misto – que não é bom. É nada, misturado com coisa nenhuma, enroscada em ausência. É oco, é árido. Terra seca sem vida. E eu gosto, quer dizer, assim prefiro.

Porque azul me dá náuseas, verde não me comove e o marrom tampouco me importa agora. Porque você para mim era caixa de lápis de cor e hoje só quero saber de canetas. Isso. E embora você não tenha culpa, eu me tornei assim, amarga. E a minha cor de hoje é ocre.
E não queira saber o que essa cor significa pra mim.

(Postagem coletiva de amanhã nesse blog - Post Coletivo. Visite e saiba como participar.)

segunda-feira, janeiro 04, 2010

(...)

Esse é meu terceiro cigarro em menos de 4 horas. Eu sei que você diria para mim: “você acha isso bonito?” Eu parei de fumar desde que te conheci, porque eu precisava te impressionar. E você me achava inconseqüente. Aprendi a beber socialmente, porque as minhas doses de tequila te assustavam. Aprendi a conter meu riso, a falar mais baixo, a ser mais dama. E você dizia: “és diamante, doce.” E eu me deixei ser moldada, por tuas mãos. Porque era necessário ser tua, porque você me falou de astronomia e me ensinou que a vida era curta, e você aprendeu a ser imprudente comigo. E eu deixava as minhas coisas espalhadas pela tua casa, você aprendeu a ser desorganizado comigo, eu te implicava com o cabelo arrumado bagunçando-o com as minhas mãos enquanto fazíamos brigas de travesseiro.
E por que você foi tão idiota a ponto de partir?

Eu ignoro a placa que diz: “é proibido sentar.” Porque eu preciso sentir o vento batendo em meu rosto neste lugar. E eu não entendo o motivo de você ter me deixado assim. Algumas pessoas passam e olham assustadas, devem pensar que eu vou pular. Mas eu só desejo ficar com os meus pés dependurados aqui nessa cerca. E ouvir o som do mar cantando, aquelas ondas que batem nas pedras. E eu me lembro de você dançando comigo na chuva porque eu pedi e você usava terno e acabava de vir de uma audiência, éramos tão cúmplices. E todas as loucuras que eu impunha você aceitava, mesmo com toda minha loucura.

E eu vou pensando essas coisas aqui, vendo a água que é escura. Talvez haja um buraco aí embaixo. Igual o que sinto agora dentro de mim. Por que você me deixou? Seu idiota.
E eu fico imaginando se devo ou não pular. Assim como você fez. Deixando-me aqui, somente com a dor. Você foi muito egoísta em me deixar aqui, sozinha, com frio. Egoísta por tentar acabar com a dor em você, infligindo-me uma maior. Estúpido. E sempre que me perguntam porque eu bebo e fumo tanto digo meu namorado terminou comigo, porque eu não consigo simplesmente aceitar que você se matou.

sábado, janeiro 02, 2010

Serafim;

Desferiu um golpe, o primeiro, acertou a sua mão esquerda que sempre lhe afagava os cabelos com cafunés deliciosos. Profundo. E ela olhava-o atônita, sem acreditar o que acabara de acontecer. Puxou a mão junto ao peito e gritava-lhe, não palavras horrendas como se pode imaginar, mas palavras amenas tentando acalmá-lo. Mas ele não a ouvia. Rasgou-lhe a blusa de cetim e cortou seu ombro, aquele que por muitas noites lhe servia de porto, onde ele dormia aninhado a ela. Ela não lutava mais e não pensava em correr, porque sabia que eles eram um só. Que o amor que havia dentro dele iria gritar a qualquer momento, acordando-o, mostrando que havia ferido a própria carne. Mas Serafim continuava gritando que não agüentava mais, que a mulher lhe havia maltratado com a sua indiferença nos últimos dias, e que ela merecia todo aquele tratamento porque ela o ferira antes. Pegou o vaso com as magnólias que enfeitavam a mesa da cozinha e as jogou contra a parede, espatifou-se. E então ela chorou.

Ele não era anjo – pensou. E as suas lágrimas lavavam o sangue de sua bochecha, de um vermelho que não remetia a paixão. Era dor. E ela não entendia o porquê daquela situação, o que lhe causara o que tinha feito para que o amor tivesse se tornado fúria. Não quis se aproximar. E antes de sair da cozinha disse: - É injusto o que está fazendo comigo. Eu sempre quis o teu bem, te fazer feliz com meus gestos, quis te amar. E eu não sei o que houve, qual deslize cometi e você me vem ferir. E ele nada disse. E um último golpe desferiu na moça de olhos amendoados, acertando-lhe o coração – aquele que ela o depositara com tanto cuidado e ele sentiu. Sentiu que as suas pernas ficaram trêmulas, que estava sufocando, a cabeça começou a girar como uma labirintite aguda e sentia o gosto do sangue nos lábios e a moça com os olhos arregalados olhava-o e ele não entendia porque estava sentindo aquilo e ela lhe disse: - No coração, bonito, havia apenas você.
Desfaleceu. Ambos.
"Para o doce do Rodrigo que me deu ideia da história.
Amores vem e vão e teu coração logo será ocupado.
Te amo, amigo."

sexta-feira, janeiro 01, 2010

Fechando o ano.

Todos fazem promessas e mais promessas. Alguns arriscam em dizer que serão pessoas melhores e até se esforçam para que isso aconteça. Eu, porém, apenas digo: errarei mais do que errei esse ano. E cantarei aquela canção do Zeca Pagodinho: “deixa a vida me levar, vida leva eu.” Porque eu sou do tipo que não cumpre promessas, que é inconstante ao extremo e que não leva ao pé da letra juras. E então eu acho graça toda essa crendice de que se eu usar uma determinada cor de roupa atrairá bons fluídos. Aquele lance do amarelo-dinheiro, laranja-alegria é tudo mentira. Confesso que em 2006 eu usei rosa e pra quem não sabe é a cor do romance. Enfim, até que encontrei o romance só que o cara era um crápula e definitivamente eu apaguei 2006 da minha mente. Tudo bem, esse lance da cor pode ser considerada uma meia-verdade embora eu continue não acreditando.

Esse ano eu não prometi nada a ninguém. Talvez tenha feito pequenas promessas – e tenha esquecido elas, claro. Não passei em nenhum concurso, não me esforcei para passar e nem fui chamada nos que passei ano passado. Escrevi muito. Comecei a escrever três livros e estou com uma ideia de um quarto, mas nunca consigo terminá-los. Fiz mais blogs do que deveria e tenho condições de cuidar. Fiz vários amigos. Conheci pessoas maravilhosas na internet e fora dela. Namorei – Terminei - Namorei – Terminei – Er...então. Magoei muita gente, me magoaram bastante. E não coloco isso em balança alguma, assumo os meus atos e erros. Briguei muito, me decepcionei, decepcionei muita gente. Pedi desculpas, fiquei calada. Comprei vários livros. Deixei alguns embalados em minha prateleira. Li 12 horas sem parar um Best-seller aí – que dou um doce se alguém adivinhar qual é. Perdi um primo-irmão e o meu coração dói só de lembrar isso. Porque eu o perdi para sempre, entende.

E em 2010 eu prometo ser mais doce e severa. Não esperar tanto das pessoas e não me doar mais do que o necessário. Estudar um pouco mais, afinal pretendo usar meu diploma para algo. Estudar música. Ler um pouco menos. Dar mais atenção a minha família. E quem sabe dar uma nova chance ao meu coração. Mas como eu disse no início eu não sou boa de cumprir promessas, então.

Feliz 2010 a todos.