terça-feira, junho 02, 2026

Foi então que vi você.


Ontem ouvi alguém dizer que atraímos aquilo em que pensamos. Que os pensamentos têm força, que a mente chama para perto aquilo que insiste em habitar o coração. Talvez por isso eu tenha passado boa parte do dia mergulhada em perguntas sem resposta, revivendo silêncios, repassando lembranças e tentando compreender os porquês que ainda permanecem suspensos no tempo.

Foi então que vi você.

Não por muito tempo. Apenas o suficiente para que algo dentro de mim se movesse. E, de repente, senti uma tristeza serena, dessas que não chegam fazendo alarde, mas se acomodam devagar no peito. Tentei desviar o olhar. Tentei convencer a mim mesma de que já havia virado a página. Afinal, é isso que fazemos quando a vida segue, não é? Viramos páginas, fechamos capítulos, guardamos histórias em alguma gaveta da memória.

Mas como se esquece alguém que admiramos profundamente? Como se abandona o carinho construído em tantos momentos, em tantas conversas, em tantos sonhos compartilhados, mesmo que apenas em pensamento?

Você parece distante agora. Como uma cena antiga vista através de uma película cinematográfica embaçada, com cores desbotadas pelo tempo. Ainda assim, existe algo que permanece. Um afeto silencioso. Uma chama pequena e discreta que insiste em arder, não com a intensidade de antes, mas com a teimosia das coisas que foram verdadeiras.

Quando te vi, por um instante, quis acenar. Quis sorrir. Quis agir como quem reencontra alguém querido depois de uma longa ausência. Mas me contive. Entre o desejo e o gesto existe um espaço onde moram as dúvidas, e eu permaneci ali.

Às vezes me pergunto do que exatamente sinto falta. Talvez seja do amigo que perdi pelo caminho. Talvez das conversas que não tivemos. Talvez da presença que costumava ser tão natural. Ou talvez eu sinta falta daquilo que imaginei que poderíamos ter sido. Da história que nunca chegou a existir por completo. Do amor que eu acreditava ver crescer, ainda que lentamente, ainda que sem garantias.

E essa talvez seja a parte mais difícil: não sofrer pelo que acabou, mas pelo que nunca chegou a acontecer. Pela possibilidade interrompida. Pela promessa silenciosa que existia apenas no território das esperanças.

Não há como saber o que sentirei no próximo encontro. Não há como prever se a dor será menor, se o tempo terá cumprido seu papel ou se o coração ainda encontrará maneiras de se surpreender. Algumas ausências não desaparecem; apenas aprendem a ocupar menos espaço.

Mas a idealização do quase... essa tem um jeito peculiar de permanecer. Porque o quase não tem fim definido. Não conhece despedidas claras. O quase continua vivendo na imaginação, inventando futuros que nunca chegaram, criando diálogos que nunca aconteceram, alimentando perguntas que talvez jamais tenham resposta.

E talvez seja justamente por isso que ele dói tanto.

Porque às vezes é mais fácil aceitar o fim de uma história do que conviver com a saudade daquela que nunca teve a chance de começar.

sexta-feira, maio 29, 2026

Lembrei de como amar você era fácil.


Essa semana apareceram nas lembranças fotos da nossa viagem. Eu estava com meu celular antigo e parei para olhar nossas fotos. Não consigo deletar fotos antigas, principalmente aquelas que exalam felicidade. Sei colocar cada história em seu devido lugar, assim como sei dar importância a cada fase da vida.

Olhei aquelas fotos sem o saudosismo de antigamente. Vi duas pessoas felizes. Vi suas linhas de expressão tão bonitas, linhas de quem ri com gosto, de quem era feliz e merecia ser. Já faz dois anos daquelas fotos… como o tempo passou rápido. E, ainda assim, consigo sentir o que existia ali: o riso genuíno por bobagens, as conversas sobre amenidades, as fofoquinhas institucionais. Tudo parece distante e, ao mesmo tempo, incrivelmente vívido.

Lembrei de como amar você era fácil. Você era feliz. Ouvir sua voz pausada me fazia bem. Era bom escutar curiosidades sobre coisas que eu jamais procuraria saber sozinha: você sendo professor, falando com entusiasmo, e eu te olhando atentamente, ouvindo e admirando sua inteligência. Uma vez você disse que eu realmente te ouvia… mas como não ouvir alguém tão vivo, inquieto e de olhos tão curiosos?

Vi aquela cachoeira gelada, a parte funda, e lembrei de mim dizendo: “se você se afogar, não vou te salvar, porque não sei nadar” kkkkkk. E você ria enquanto flutuava de costas naquela água gélida, ouvindo os passarinhos cantarem. Tanta coisa era bonita ali. Seus olhos molhados, nossos cabelos pingando, o abraço tentando aquecer nossos corpos enquanto maio já trazia o frio de junho e julho.

Naquelas fotos, vi duas pessoas felizes, contentes com a vida, despreocupadas. Vi você me abraçando, beijando o topo da minha cabeça, com um semblante tão leve, tão contente.

As lembranças vieram sem que eu procurasse. Foi o destino quem trouxe dessa vez. E, curiosamente, não doeu. Fiquei feliz em rever o seu sorriso e em saber que, em algum momento da vida, nós fomos verdadeiramente felizes.

quarta-feira, março 25, 2026

Deve ter sido amor.


Eu ainda lembro do silêncio depois que você foi embora. Não era um silêncio vazio, era cheio de tudo que a gente não disse. Como se as palavras ainda estivessem no ar, procurando onde pousar, sem encontrar.

Ficaram os detalhes. A luz entrando pela janela do jeito que você gostava, o lado da cama que demorou a esfriar, a sensação estranha de que, por um tempo, tudo fez sentido. E fez mesmo. Eu não posso fingir que não fez.

Eu achei que era pra sempre. Naquele momento, eu tinha certeza. Era confortável, era certo, era tão fácil acreditar que a gente tinha encontrado exatamente o que todo mundo passa a vida procurando. E talvez a gente tenha encontrado. Só não soube o que fazer com isso depois.

Agora eu fico aqui, revisitando pedaços. Não pra tentar voltar, mas porque eles ainda vivem em mim de algum jeito. Como uma música que toca baixo na memória, insistindo em lembrar que foi real. Que existiu.

Eu sei que acabou. Eu sei que não cabe mais. Mas tem dias em que eu quase consigo tocar aquilo que a gente foi. E dói perceber que não está mais aqui.

E mesmo assim, eu não consigo chamar de engano.

Deve ter sido amor.

Só já não é mais.

segunda-feira, março 02, 2026

Debaixo da mesa.


Quantos sinais ainda serão necessários para você entender que essa pessoa não é pra você?

Porque a verdade, aquela que dói admitir, é que ninguém muda só porque você ama muito. Ninguém se transforma porque você decidiu ter paciência infinita, porque fez promessa, novena, oração ou pediu que alguém intercedesse, explicasse, traduzisse aquilo que você sente. Amor não é um idioma difícil. Quem quer entender, entende. Quem se importa, percebe.

Você tenta justificar. Tenta acreditar que falta apenas mais uma conversa, mais um gesto, mais um esforço seu. Como se existisse uma combinação perfeita de palavras capazes de abrir os olhos de alguém que escolhe não ver. Mas se ele não consegue enxergar a sua dor quando ela aparece no seu silêncio, no seu cansaço, no jeito que você já não ri como antes, não será pela boca de terceiros que ele compreenderá. Não será pelo conselho de amigos, pela intervenção de familiares ou pelos apontamentos de quem está de fora.

Porque o problema nunca foi falta de explicação. Foi falta de disposição para olhar.

E enquanto você insiste, começa a acreditar que o mundo está contra você. Que as pessoas que alertam são pessimistas, frustradas ou incapazes de entender o tamanho do que você sente. Mas, às vezes, quem está fora consegue ver com mais clareza justamente porque não está emocionalmente envolvido. Quem olha de longe percebe aquilo que você já normalizou.

Se você conseguisse sair, nem que fosse por um instante, do lugar onde está emocionalmente sentada, veria a cena inteira.

Veria que não está em uma mesa compartilhando um banquete de amor. Está embaixo dela, tentando se alimentar das migalhas que caem. Agradecendo por restos. Celebrando pequenas gentilezas como se fossem provas gigantes de afeto. Diminuindo suas necessidades para caber no pouco que é oferecido.

E o mais doloroso não é a escassez do outro. É o quanto você foi se convencendo de que aquilo bastava.

Você, que sempre soube amar com inteireza, começou a negociar o mínimo. Passou a chamar ausência de fase difícil, frieza de jeito dele, descaso de momento complicado. Foi se adaptando, se moldando, se silenciando, tudo para não perder alguém que nunca fez o mesmo esforço para não perder você.

Existe um ponto em que insistir deixa de ser amor e passa a ser abandono de si mesma.

Porque esperar que alguém mude para finalmente te amar do jeito que você merece é viver em suspensão. É adiar a própria felicidade apostando em uma versão futura que talvez nunca exista. É permanecer presa à esperança enquanto a realidade, todos os dias, mostra exatamente quem aquela pessoa é.

Os sinais não faltaram. Eles vieram em promessas não cumpridas, em conversas que não levaram a lugar nenhum, em lágrimas que você enxugou sozinha, em noites tentando entender o que mais poderia fazer para ser vista, escolhida, priorizada.

Mas amor não deveria ser um esforço solitário.

E talvez o maior sinal não esteja nele, esteja no cansaço que você sente. Na paz que nunca chega. Na sensação constante de estar pedindo demais quando, no fundo, você só queria o básico: cuidado, presença, reciprocidade.

Algumas pessoas não entram na nossa vida para ficar. Entram para ensinar o limite entre amar o outro e se perder de si.

E chega uma hora em que a pergunta deixa de ser “quando ele vai mudar?” e passa a ser “até quando eu vou aceitar viver assim?”.

Porque você não nasceu para disputar atenção, implorar compreensão ou sobreviver de migalhas emocionais. Você nasceu para sentar à mesa, inteira, respeitada, amada, ao lado de alguém que nunca precise ser convencido do seu valor.

sexta-feira, setembro 26, 2025

O tempo que cura.


Quando estamos imersos em uma situação, não conseguimos enxergar nada além dela, daquela dor quase lancinante que nos corta por inteiro, daquela vontade de abraçar o outro e não deixá-lo partir, de ter um truque na manga que reverta tudo. Mas, quando alguém quer ir embora, não há nada que possamos fazer. O que nos resta é aceitar, mesmo com o coração triste, e seguir em frente, catando os caquinhos que sobraram dentro de nós.

Meses atrás, ouvi tanto que um dia ia parar de doer. E toda vez que alguém dizia isso, eu sentia náusea. A ansiedade gritava dentro de mim. Eu não queria esquecer nem que passasse; eu só queria de volta aquilo que julgava ser meu, aquilo que me fazia feliz. A gente não consegue raciocinar direito quando está sofrendo. Eu não conseguia. Eu só queria de volta. Não queria que passasse, não queria um novo alguém, queria apenas ele.

E por um bom tempo vivi nessa ânsia, esperando uma mensagem, um sinal de fumaça… e nada. Nada. Nada. Os dias foram passando, as dores diminuindo, e a vida voltando ao eixo. Ainda doía demais pensar no que poderíamos ter sido, mas doía mais ainda lembrar do que éramos: dos dias felizes, das partilhas, dos sorrisos, dos jantares à mesa, de tantos momentos que enchiam meu coração e me diziam que eu poderia ser amada e que eu merecia.

Lembro de dizer às minhas amigas que me sentia como Bella Swan em Lua Nova, rasgando os calendários e sofrendo pela partida de Edward. Aquela cena, a dor era quase palpável. Só quem é millennial e viveu essa época sabe do que estou falando. E os dias correram. Mas, diferente de Edward, ele não voltou. E, ainda assim, os dias passaram a ser menos dolorosos. Aos poucos, passei a acordar sem tê-lo como primeiro pensamento. Os fins de semana voltaram a ter vida, e sentar à mesa já não me doía mais.

O tempo tem esse poder de ser remédio: cuidar de nós e reconstruir aquilo que foi demolido dentro de nós. Doeu muito, mais do que eu esperava e mais do que eu merecia. E aos poucos consegui enxergá-lo como ele realmente foi. Doeu tanto, sabe? E não, eu não merecia um desfecho tão ruim, um tratamento tão descartável. Mas, distante de todo o sentimento, consegui vê-lo de verdade. Não consigo mais procurar desculpas para humanizá-lo em cima da minha dor e, aliás, nem preciso.

Aos poucos, ele foi se tornando menos frequente nas minhas conversas. Como foi bom ter amigas que me deixaram esvaziar essa dor, que me ouviram e me abraçaram. Tantas vezes, aos prantos, eu dizia: “Amiga, obrigada por me ouvir. Isso dói tanto, tanto, que parece que meu coração está partindo ao meio”. E elas me ouviam. E me abraçavam. E enxugavam minhas lágrimas, uma, duas, três mil vezes. Ter esse apoio foi tão importante e necessário para que eu pudesse me curar. Aqui, eu afirmo: mulheres curam mulheres.

Esses dias, tive a certeza disso quando me deparei com ele no trânsito. Olhei e não senti. Não quis. Não amei. Era tudo o que eu precisava para entender que as cicatrizes, por mais profundas que sejam, um dia se fecham e deixam de doer.

A gente sempre acha que não vai aguentar, né? Até que a vida nos mostra, mesmo que leve um tempo, um ano, dois anos, que tudo passa. Até aquilo que achávamos que jamais passaria.

quarta-feira, abril 02, 2025

As estações que ficaram


Olhou pela janela e o vento frio atravessou a fresta da cortina, tocando sua pele como um aviso. Era abril, mas dentro dele ainda era agosto – aquele agosto pesado, meio úmido, que insiste em não passar. Tentou acender um cigarro, mas a chama do isqueiro falhou três vezes antes de pegar. Pensou que talvez fosse um sinal, desses que o universo manda quando a gente não quer escutar. Acendeu mesmo assim.

Lá fora, a cidade seguia seu fluxo indiferente. Carros apressados, gente distraída, buzinas cortando o silêncio da noite. Tanta pressa pra chegar onde? Ele não sabia mais se queria chegar a algum lugar. Ultimamente, tudo parecia um grande intervalo entre o que foi e o que nunca chegou a ser. A xícara de café esquecida na mesa, o livro aberto na mesma página há dias. Pequenos descuidos que denunciavam o caos interno.

Lembrou-se dela – sempre ela. Do jeito que ria jogando a cabeça para trás, das palavras cortantes ditas entre tragos e goles de vinho barato. Do silêncio que veio depois, pesado como pedra no bolso. Sentiu um gosto amargo na boca, não soube dizer se era da lembrança ou do cigarro. A verdade é que algumas pessoas se tornam uma estação inteira dentro da gente. E, quando vão embora, levam junto o verão, o outono, tudo.

Deu uma última tragada e apagou o cigarro na beirada do cinzeiro já cheio. Precisava dormir, mas sabia que o sono não viria. Não nessa noite. Olhou para o teto e sentiu um cansaço profundo – desses que não é físico, mas que pesa nos ombros como se fosse. Amanhã, talvez, o vento soprasse diferente. Talvez abril chegasse de verdade. Talvez ele, enfim, conseguisse seguir.

sexta-feira, janeiro 24, 2025

Hoje, não. Amanhã, quem sabe.


A vida é estranha. Muda numa velocidade que mal conseguimos acompanhar. Nos últimos anos, eu amei tanto uma pessoa que acreditava, com todo o meu ser, que o destino nos uniria para sempre. Até que, um dia, meus sentimentos começaram a mudar. Meu amor, que antes parecia tão imutável, se ressignificou.

Conversamos recentemente. Ele me disse, com uma sinceridade que quase doeu de tão bonita: "Eu ainda te amo como sempre te amei." E tudo o que consegui responder foi: "Eu também amo você, mas não da forma que você gostaria."

Havia um peso no meu coração enquanto eu dizia isso, quase como se fosse crueldade admitir que não amamos mais alguém que só quer o nosso amor. Mas, nos últimos tempos, venho refletindo muito. Eu quero viver de acordo com aquilo em que acredito: quero um amor que me faça suspirar, que me dê vontade de acordar todos os dias e acreditar que a vida vale a pena.

Sei que pode soar utópico, mas não quero estar com alguém se meu coração não arde mais por essa pessoa. Quero sentir aquele frio na barriga, aquela ansiedade gostosa de enviar um “bom dia”. Quero fazer uma vídeo chamada só para saber como foi o dia ou compartilhar uma fofoca boba. Quero alguém com quem eu possa ser completamente eu: para falar sobre astrofísica ou qualquer bobagem sem filtro. Alguém que me acompanhe em qualquer assunto e que tope qualquer aventura, porque o mais importante é estarmos juntos.

Às vezes me sinto ingênua ou idealista em relação ao amor romântico, mas acredito que a vida é rara demais e curta demais para não corrermos atrás dos nossos sonhos. Não quero viver um amor morno, porque sei o quanto meu peito clama por algo intenso e verdadeiro. Essas conversas difíceis me deixam ansiosa, apertam meu coração, mas não posso trair o que sinto. Não posso aceitar um amor que, mesmo que antes tenha sido tudo, hoje já não faz meu coração acelerar.

A vida é assim. Aqueles que acreditávamos que amaríamos para sempre acabam se distanciando, como uma cena de filme que desbota aos poucos. Amores vêm e vão, como marés que se retraem com o tempo. O amor muda também. É fluido, inconstante, e às vezes nos deixa perplexos.

Lembrei recentemente de uma frase que ouvi tempos atrás: “Sinto que, quando eu voltar para você, você não vai me querer mais, assim como já não quer mais essa pessoa que você amou.” Ri quando ouvi aquilo. Mas esta semana, pensando nisso, percebi que talvez seja verdade. Talvez chegue o dia em que eu realmente não queira. Hoje, não. Amanhã, quem sabe.

quinta-feira, dezembro 05, 2024

Sobre nosso sagrado.


O que está dentro de nós é intocável, sagrado, e ninguém tem o poder de macular ou modificar. Mesmo que o mundo nos ataque ou tentem nos manipular, a essência do nosso ser permanece preservada, pois, no fundo, nosso coração detém toda a verdade dos nossos sentimentos. Ele é o guardião das emoções mais profundas, onde a luz de nossas virtudes mais autênticas floresce, imune às intempéries externas.

Neste espaço sagrado, nada pode destruir aquilo que é nascido no coração de Deus. Ele é o criador da nossa essência, e, por mais que o mundo tente nos afastar da nossa verdade, a chama divina que habita em nós nunca se apaga. Nosso coração, guiado por Sua luz, é o lugar onde a paz e o amor se cultivam, mesmo em meio às adversidades da vida.

O apóstolo Paulo nos lembra em Filipenses 4:8 que devemos focar em tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, e de boa fama. Quando nossa mente se ocupa desses pensamentos, alinhados com o divino, somos capazes de enfrentar qualquer desafio com firmeza, pois nossa alma está enraizada no que é eterno e imutável. O mundo pode tentar lançar sombras sobre nós, mas a verdade e a bondade de Deus são mais fortes do que qualquer tentativa de destruição.

Portanto, mesmo diante das dificuldades, devemos manter o foco naquilo que realmente importa: o que é puro e verdadeiro no nosso coração, que é onde Deus habita. Nada do que é temporal pode modificar a paz e o amor que Ele semeia em nós. A cada momento, po
demos escolher permanecer firmes, nutrindo nossa alma com pensamentos que glorifiquem a bondade e a virtude, sabendo que o que é divino dentro de nós nunca será corrompido.

O mal, por mais que se apresente com suas artimanhas, nunca prevalecerá sobre aquilo que Deus já decretou que é para ser. O Senhor, em Sua soberania, já estabeleceu o propósito de cada vida, e nada neste mundo tem o poder de alterar o que Ele planejou. O que Deus iniciou em nós, Ele completará, pois Sua palavra é infalível e Seu amor é imensurável. O mal pode tentar nos desviar, mas a verdade divina e o destino que Ele nos reservou sempre prevalecerão.

quarta-feira, dezembro 04, 2024

O barco sempre pode voltar ao cais de onde partiu.



O barco sempre pode voltar ao cais de onde partiu. Em relações amorosas, muitas vezes nos sentimos como navegadores em alto-mar, buscando novas experiências, aventuras e, acima de tudo, a felicidade. Mas, assim como os navegadores sabem quando é hora de retornar, também precisamos reconhecer quando é o momento de voltar para onde nos sentimos seguros e amados. Às vezes, partir é necessário para crescer e aprender, mas isso não significa que não podemos voltar atrás quando percebemos que a verdadeira felicidade está no cais que deixamos.

Em um relacionamento, partir pode ser uma tentativa de encontrar algo que sentimos estar faltando. Podemos acreditar que a grama é mais verde do outro lado, que novos horizontes nos trarão a satisfação que buscamos. No entanto, ao nos distanciarmos, muitas vezes percebemos que a felicidade verdadeira reside nas pequenas coisas que deixamos para trás. O cais que abandonamos, cheio de memórias e amor, pode ser o lugar onde realmente pertencemos. Voltar para ele não é um sinal de fraqueza, mas sim de coragem e sabedoria.

Mudar de ideia não é algo a ser temido ou julgado. É natural e humano repensar decisões, especialmente quando se trata de amor e felicidade. As relações são complexas e, às vezes, precisamos de distância para entender seu verdadeiro valor. Ao voltarmos, trazemos conosco uma nova perspectiva, um renovado apreço pelo que realmente importa. Esse retorno ao cais é uma oportunidade de recomeço, de fortalecer laços e de construir um futuro ainda mais sólido e feliz.

Buscar a felicidade é uma jornada contínua, e cada um de nós tem o direito de navegar em diferentes direções até encontrá-la. Mas nunca devemos esquecer que o cais de onde partimos está sempre lá, esperando por nós. Ele representa a segurança, o amor e as memórias que nos moldaram. Ao perceber que o que buscamos estava sempre ao nosso alcance, podemos retornar, sabendo que o cais, com todos os seus tesouros, está pronto para nos acolher de volta e oferecer uma nova chance de felicidade.

segunda-feira, novembro 25, 2024

Portas que se fecham.


Ontem senti remorso por não te amar mais, mas ao mesmo tempo, me senti aliviada por não ser mais aquela que aguardava por você. Esperei tanto tempo, mas percebi que a vida tinha algo maior a me oferecer. Achava que o seu amor era tudo, mas percebi que as suas migalhas apenas forravam meu estômago. Sempre tive fome de mais e hoje, não quero me contentar com algo menos do que mereço. Meu coração se despedaçou ao te ouvir chorar, mas ao mesmo tempo, lembrei de tantas vezes que chorei por você. Desculpe se hoje não consigo me comover ao ponto de te deixar retornar, mas sempre tive aquela filosofia de que algumas portas se fecham para sempre depois que as atravessamos. A sua eu quis não só fechar, mas mudar a chave. Troquei a roupa de cama, esvaziei os cômodos das suas lembranças e limpei todas as gavetas. Outro alguém se acomodou e me mostrou o quanto é bom viver num sentimento doce e recíproco. Sim, você sabe que esse alguém também se foi e talvez por isso tenha a esperança de regressar. Acontece que as pessoas mudam, meus sentimentos mudaram, e não é a presença de alguém que me impede de te receber. É o amor que se resignificou a ponto de entender que realmente não era para ser.

quarta-feira, novembro 06, 2024

Sobre o amor que fica...

É difícil aceitar o fim de um amor que foi bom, daqueles que aquecem a alma e tornam os dias mais leves, mas que, por mãos que não pertencem a nós, se perderam no caminho. Há algo quase poético na maneira como o amor, quando é verdadeiro, deixa marcas indeléveis em nosso coração, mas também uma dor que insiste em permanecer, mesmo quando o fim já foi selado.

E, por mais que o tempo passe, não há como evitar os lembretes que surgem nas esquinas da vida. Um cheiro familiar no ar, uma melodia que soa por acaso, o simples gesto de preparar o prato que tanto amávamos. Cada um desses pequenos detalhes nos arrasta para um lugar distante, onde ele ainda está ali, perto, como se o tempo não tivesse ousado nos separar. Não importa quantas vezes tentemos seguir em frente, o outro sempre se esgueira nas frestas da memória, e em cada lembrança, o amor se refaz e se desfaz, com uma ternura que nos rasga por dentro.

E é impossível não sentir a ausência, como uma ausência palpável, cada vez mais pungente. Esperar uma mensagem e saber que ela não virá mais é como esperar por algo que sabemos que jamais acontecerá, como olhar para o céu e desejar um sol que já se pôs. Não haverá mais o toque suave das palavras de bom dia, o conforto nas conversas cotidianas, nem o riso compartilhado nas pequenas fofocas que eram só nossas. O silêncio que se instala é pesado, cheio de palavras não ditas, de gestos não dados. Cada espaço, antes ocupado pela presença dele, agora se esvazia, e o vazio toma conta de tudo.

Fica uma falta que nada pode preencher. Nenhum sonho, por mais belo que seja, consegue substituir o que foi perdido. A memória se torna uma sombra doce, mas vazia, que nunca preenche o espaço em branco deixado no peito. O lugar que antes era de risos e planos agora se torna um eco distante, uma saudade que insiste em se manifestar, sem saber onde se esconder. O que antes parecia futuro, agora é apenas passado, e no entremeio de todas as lembranças, a dor se faz presente, como uma presença invisível, que nos acompanha sem pedir licença.

E o que fica, afinal, é um deserto de emoções, onde a esperança se mistura com a saudade e o amor se dissolve na ausência. A dor de um amor que não pôde ser, que se perdeu por interferências alheias, vai se tornando uma cicatriz que não se fecha completamente. O tempo, como um rio lento, leva com ele os vestígios, mas a marca permanece. A saudade se torna uma companheira constante, que nos observa silenciosamente enquanto seguimos, sabendo que, mesmo quando a vida nos pede para seguir em frente, nunca poderemos apagar completamente o que o coração ainda guarda.

E assim, entre lembranças e silêncios, aprendemos a viver com o vazio, com o eco daquilo que fomos, e com a certeza de que, por mais que o tempo cure, alguns amores, simplesmente, não têm como ser substituídos.

quinta-feira, outubro 31, 2024

Mergulhar no amor é um ato de coragem.


Mergulhar no amor é um ato de coragem,
Uma dança entre o risco e a entrega,
Mas há um temor que sussurra em nossos ouvidos,
Ecoando as cicatrizes de amores rasos.

Ah, como nos ensinamos a hesitar,
A construir muros em vez de pontes,
Temendo que as ondas da paixão nos arrastem,
Que os ventos da vulnerabilidade nos despedaçem.

Mas, querido coração, escute:
Cada amor, mesmo o mais breve,
É uma gota de sabedoria no oceano da vida,
Um aprendizado que molda nossa jornada.

Deixe que o medo se disipe,
Como névoa ao amanhecer,
E permita-se sentir a profundidade,
A doçura do desconhecido que aguarda.

Mergulhe, sem reservas,
Em águas que podem ser geladas,
Mas que também trazem o calor de um abraço,
E a beleza de um olhar que realmente vê.

Cada mergulho é um poema não escrito,
Uma sinfonia de emoções a fluir,
E, quem sabe, nesse abismo profundo,
Você encontrará a luz que sempre buscou.

Então, não tema as sombras do passado,
Pois nelas, também há luz que brilha,
E ao se lançar nas profundezas do amor,
Você poderá redescobrir a si mesmo,
E o quão vasto é o universo de seu ser.

quarta-feira, outubro 30, 2024

Hoje você me dói um pouquinho.

A sensação que tenho é que você gostaria de apagar qualquer vestígio meu da sua vida, como se tivesse descartado todas as memórias e tudo o que dizia sentir. Às vezes, choro um pouquinho, triste por buscar respostas que nunca mais terei. Fico pensando se você me considera um erro, por isso virou as costas pra mim. Tento não pensar nos nossos dias, nem mesmo no último, que, apesar da dor, foi tão bonito e cheio de pertencimento. Queria que aquele momento não tivesse tido fim, mas compreendo que foi necessário.

Quando sento à mesa, penso em quantos jantares ainda compartilharíamos, nas conversas e nas fofocas governamentais que costumávamos fazer. Imagino como seria bom dividir uma carona para o trabalho, agora que temos o mesmo horário, ou almoçar de vez em quando para matar a saudade da sua presença. Esses "ses" me consomem, lembrando das coisas bonitas que viveríamos juntos e dos sonhos que tínhamos a compartilhar. Às vezes, minha mente diz que você me ignora porque me despreza, outras vezes, que tenta se distanciar porque a dor é tão intensa quanto a minha.

Já não te espero mais como antes, e peço desculpas por isso. Também me desculpo por não conseguir tirar você da minha mente e do meu coração. Às vezes, lembro de você me dizer que me amava, e continuo acreditando que foi real. Recentemente, uma amiga comentou sobre minha reação ao ouvir o áudio em que você dizia que me amava. Ouvi umas dez vezes, tentando entender, mas ouvir isso da sua boca, frente a frente, foi tão único e bonito. Nunca pensei em disputar quem diria isso primeiro; foi você quem o fez, como tantas outras coisas lindas.

E sim, eu te amo da mesma maneira, mas é uma dor profunda. Não sei o que fazer com esse amor que carrego no peito, nem com a bagagem que você deixou ao sair da minha vida. Hoje, essa dor está forte, e eu nem posso ter seu abraço para me consolar e me fazer acreditar que fui especial pra você. Só queria dormir e acordar desse pesadelo, com você na minha frente, dizendo que está tudo bem.

quarta-feira, outubro 23, 2024

Carta aberta.


Querido,

Às vezes, me pego a lembrar dos momentos que compartilhamos, e um sorriso surge em meu rosto. É incrível como a felicidade se esconde nas pequenas coisas, e ao nosso lado, essas pequenas coisas se tornaram grandes lembranças. Os jantares em que nossas mãos se entrelaçavam trouxeram uma sensação de conforto que não consigo esquecer. As conversas que fluíam naturalmente sempre me fascinaram; ouvir suas reflexões, seu olhar sobre o mundo, era um presente. A sua inteligência iluminava os meus dias e, de alguma forma, tudo que você dizia tinha um valor imenso. Ninguém nunca se sentiu enfadonho ao seu lado, e isso é um verdadeiro tesouro.

Lembro-me dos abraços que trocamos nas cachoeiras, com a água fresca envolvendo nossos corpos, e a risada contagiante que ecoava ao pularmos juntos as ondas da piscina. Esses momentos simples foram capazes de criar um universo particular onde a alegria era palpável. Estar ao seu lado era como flutuar; a leveza do nosso vínculo me fazia sentir que a vida poderia ser eternamente doce. Não importava se estávamos caminhando de mãos dadas pelas ruas ou apenas deitados, olhando nos olhos um do outro. Era uma conexão que trazia paz e segurança, como um abrigo em meio a tempestades.

Você trouxe luz à minha vida de uma forma que eu nunca soube que era possível. Sua presença era como o calor do Sol em um dia de verão, tornando tudo mais vibrante e cheio de vida. A felicidade que encontrei ao seu lado não era apenas momentânea; era um estado de ser. E, apesar dos desafios que enfrentamos, guardo esses momentos em meu coração, intactos, sem nenhuma mácula. Eles são uma parte fundamental de quem eu sou, e por isso sou grata.

Nos últimos tempos, aprendi a viver sem sua presença. O processo não foi fácil, mas, com o tempo, os dias começaram a se tornar mais leves e amenos. A dor da sua falta, embora ainda exista, já não pesa tanto. Estou começando a me permitir sonhar novamente, a acreditar que um dia encontrarei alguém que me faça sentir tão confortável quanto você me fez. Estou aberta ao que a vida tem a me oferecer, com um coração esperançoso.

As orações que tenho feito são por um futuro onde eu possa encontrar alguém que me faça sentir como você fez, alguém que reconheça e ame cada parte de quem eu sou. O desejo que carrego dentro de mim é que essa pessoa entenda a beleza da vulnerabilidade, que consiga valorizar as pequenas coisas que podem transformar o ordinário em algo extraordinário. Eu sei que mereço ser amada pelo que sou, e estou disposta a buscar isso.

Agradeço pelos momentos que vivemos, por cada risada, por cada olhar cúmplice. Mesmo que nossos caminhos tenham se distanciado, você sempre terá um lugar especial na minha memória. Que a vida continue a nos surpreender e a nos guiar para o que há de melhor.

Com carinho,
Pâmela

terça-feira, outubro 15, 2024

Doces memórias.


Quando eu era criança, meu pai tinha o hábito de nos trazer doces que se tornaram parte da minha infância. Ele comprava doce de abóbora em formato de coração ou amendoim torrado dos ambulantes que entravam no ônibus, oferecendo suas delícias. Essa memória é tão viva que, sempre que vejo um doce de abóbora, meu pai se materializa em minha mente, como uma sombra gentil, trazendo de volta aqueles momentos simples, mas cheios de significado. A imagem do seu sorriso e o carinho nos olhos são um presente que a vida me deu.

Da mesma forma, a música "Yesterday", dos Beatles, é um portal que me leva diretamente à minha mãe. É a canção preferida dela, e sempre que a ouço, visualizo seus cabelos longos e pretos, que lembram a asa de uma graúna, balançando suavemente enquanto ela estende as roupas no varal. Essa cena é como uma pintura em minha memória, vibrante e cheia de vida, onde a nostalgia se mistura ao amor. Quem mais consegue pegar essa referência? É engraçado como algumas situações e objetos têm o poder de nos lembrar de pessoas queridas. Eles agem como chaves que abrem cofres de recordações.

Recentemente, um colega de trabalho se aproximou de mim, e, ao sentir o perfume que ele usava, imediatamente reconheci aquele aroma familiar. Um instante foi suficiente para que uma imagem se formasse em minha mente, trazendo à tona a lembrança de uma pessoa específica, uma memória que eu pensava ter esquecido. Isso me fez refletir sobre como, em algum lugar, em algum momento, alguém poderá sentir um aroma e, assim, eu também estarei lá na mente dessa pessoa, materializada como uma lembrança viva. Essa interconexão das nossas vidas é fascinante.

Acredito que todos que passam por nossas vidas deixam um pouco de si, criando memórias que perduram. É uma verdade universal, um tipo de legado emocional que se entrelaça com nossas experiências diárias. Dias atrás, senti o cheiro de um Monange na embalagem azul e fui transportada de volta aos meus quatorze anos. Era como se o tempo não houvesse passado. A lembrança da adolescência, com suas inseguranças e descobertas, aflorou como um filme em que eu era a protagonista. O cheiro daquele produto me lembrou de momentos de autoafirmação e descoberta, das tentativas de me encaixar e da leveza de uma época que, de certa forma, era mais simples.

É curioso como nossa memória parece ser fotográfica, capturando detalhes que, em muitos casos, acreditamos ter esquecido. Mas será que ela não é, na verdade, um baú velho, repleto de recordações? Cada objeto, cada aroma, cada melodia se transforma em uma cápsula do tempo, guardando não apenas eventos, mas também os sentimentos que vivemos. Nossa memória é um mosaico composto por fragmentos de experiências, uma colcha de retalhos que nos define e nos liga aos outros.

A magia das memórias é que, assim como um doce de abóbora, elas têm o poder de adoçar a vida. Elas nos conectam a quem amamos e a quem perdemos, e cada vez que relembramos um momento especial, temos a chance de reviver a emoção daquele tempo. Talvez, por isso, busquemos incessantemente a companhia das pessoas que nos fazem bem, na esperança de criar novas memórias, enquanto relembramos as antigas.

Ao refletir sobre essas experiências, percebo que o ato de recordar não é apenas um movimento do passado, mas um presente que nos é dado a cada dia. As memórias são como os doces que meu pai trazia, pequenas delícias que se tornam grandes tesouros na nossa vida. E, assim, sigo minha jornada, entre lembranças e novas experiências, sempre atenta ao que o futuro pode me trazer, sabendo que cada aroma, cada canção e cada gesto pode me levar a um lugar especial onde as memórias vivem eternamente.

segunda-feira, outubro 14, 2024

Lembranças nunca se perdem...


Essa noite, mergulhei em um sonho que me transportou a um tempo distante, onde tudo parecia mais simples e leve. Nele, éramos jovens, e as lembranças se entrelaçavam como os fios do meu cabelo, longos e pretos, que você acariciava com tanta delicadeza. O cenário era familiar, um pátio da escola que ainda existe, mas que agora parece mais silencioso e solene sob o céu estrelado da noite.

Estávamos ali, eu e você, envolvidos em uma atmosfera que exalava inocência e amizade. O mundo exterior parecia distante, como se nada mais importasse naquele momento. A vida se resumia ao calor dos nossos corpos próximos, ao conforto da sua presença e ao suave toque das suas mãos nos meus cabelos. Eu te abraçava, sentindo o cheiro do seu perfume, enquanto você, com um gesto carinhoso, me cobria com sua blusa de moletom. Era um abrigo, uma proteção contra tudo que poderia nos perturbar, um símbolo da cumplicidade que existia entre nós.

As palavras não eram necessárias; conversávamos através de olhares e sorrisos, compartilhando segredos que apenas nós dois conhecíamos. Era uma conversa silenciosa, mas cheia de significados, onde cada silêncio carregava um peso de histórias e promessas não ditas. O pátio da escola era o nosso universo, e ali, sentados no banco naquela "área verde", éramos livres para ser quem realmente éramos. Não falávamos sobre o futuro, sobre as incertezas que ele trazia. O momento era apenas nosso, e isso bastava.

A nostalgia tomou conta de mim, trazendo à tona memórias de momentos compartilhados que, embora distantes, pareciam tão vívidos e palpáveis. Eram tempos em que a vida era mais colorida, mais cheia de possibilidades, e eu não podia deixar de sorrir ao relembrar tudo isso. Você sempre foi uma fonte de luz na minha vida, alguém que iluminava os meus dias, mesmo nos momentos mais sombrios. 

O sonho me transportou para um lugar onde éramos apenas duas almas conectadas, desfrutando da companhia um do outro. Era uma sensação única, um calor que emanava do fundo do meu ser, um desejo de congelar aquele momento e guardá-lo para sempre. O seu olhar me transmitia paz e confiança, e eu sentia que poderia ser eu mesma sem medo de julgamento.

Mas, como todo sonho, esse também começou a se dissipar com o tempo. O pátio da escola se tornava nebuloso, e as sombras se misturavam enquanto eu lutava para manter a imagem de você ao meu lado. A consciência de que o sonho estava chegando ao fim me deixava com um aperto no coração. Eu não queria acordar, não queria perder essa sensação de pureza e conexão que havia entre nós.

Quando finalmente abri os olhos, a realidade me acolheu de volta com seu peso familiar. O quarto estava quieto, e a luz da manhã começava a entrar pelas cortinas. O sonho havia se ido, mas as emoções que ele despertou permaneceram. Senti uma saudade profunda, uma nostalgia que me acompanhou durante o dia. O sonho me lembrou do valor da simplicidade, da beleza dos momentos compartilhados e da importância de valorizarmos as conexões que temos com as pessoas que amamos.

Às vezes, a vida nos leva por caminhos inesperados, nos afasta de quem amamos ou dos lugares que nos fizeram felizes. Mas sonhos como esse me fazem acreditar que essas lembranças nunca se perdem; elas permanecem vivas dentro de nós, prontas para serem revisitadas sempre que a saudade apertar. É uma forma de relembrar que, mesmo que os anos passem e a vida mude, a essência dos momentos compartilhados permanece imutável. 

sexta-feira, outubro 11, 2024

A polêmica da unha clara.

Acho que muita gente viu a história da moça que sempre ia ao salão e pedia para a manicure pintar as unhas de uma cor clara, porque queria estar preparada para quando o namorado a pedisse em casamento. A princípio achei que fosse zoação, mas ao assistir o vídeo percebi que realmente era real. Aquele vídeo tem tantas camadas, sabe? E me deixou extremamente triste por ela. Obviamente o cara sabe que o sonho dela é casar, mas não compartilha do mesmo desejo. Acredito que quando uma pessoa sabe o que quer, ela já faz um movimento para que isso aconteça. Qual é a chance de que ela, mesmo que case com esse rapaz, seja feliz? Eu acredito que ínfima. Nada que é forçado dá certo.

Ontem, enquanto lavava as louças, conversava com uma amiga e falávamos sobre a ideia de que as mulheres só serão felizes se casarem. Não demonizo essa ideia, obviamente. Até porque eu também gostaria de encontrar alguém bacana, com os mesmos ideais de vida, e dividir meus dias. Mas aqui falo sobre a necessidade de muitas em se casar mesmo vendo, em letras garrafais e pintado em neon, que aquela pessoa não se adequa àquilo que sempre sonharam. Antes de querer estar com alguém até o fim dos dias, é necessário observar se os dois são compatíveis, se os defeitos do outro são algo com que dá para conviver e não querer casar acreditando que no casamento será diferente.

Observo algumas amigas casadas desgastadas, envelhecidas pelas preocupações e pelo estresse. O casamento precisa ser algo harmonioso, uma grande parceria, para que nos momentos em que a rotina pesar, ela não seja massacrante. Ontem falávamos sobre a dádiva que é sermos livres, solteiras, ao invés de aprisionadas em um casamento por conveniência, sem amor e até mesmo abusivo. E aqui eu digo, mais uma vez, não sou contra o casamento e sim, gostaria de casar. Mas quero casar com alguém que me deixe ser quem sou, que não corte minhas asas e que, acima de tudo, consiga conviver e celebrar a pessoa incrível que sei que sou. E não alguém que me faça esquecer de mim mesma e me faça acreditar que sou uma pessoa difícil de ser amada.

Acredito que é essencial valorizar nossa individualidade e nossos sonhos, independentemente de estarmos em um relacionamento ou não. A felicidade plena vem de dentro, de estarmos em paz com quem somos e com nossas escolhas. Casar não deve ser uma busca desesperada, mas uma consequência natural de encontrar alguém que nos complemente e respeite nossas ambições. É importante lembrar que ser solteira também é uma escolha válida e digna, repleta de oportunidades para crescimento pessoal e liberdade. Então, que cada uma de nós encontre a felicidade em nossos próprios termos, seja ao lado de alguém ou em nossa própria companhia, sempre fiel ao que realmente somos e desejamos para nossas vidas.

quinta-feira, outubro 10, 2024

Sobre nossa criança ferida.


Muitas das situações ruins que vivemos na infância têm o poder de moldar nossa identidade de maneiras profundas e, às vezes, dolorosas. Cada palavra dura, cada olhar de desaprovação, cada momento em que nos sentimos insuficientes, são marcas que ficam gravadas em nossa alma. Essas experiências negativas, muitas vezes, nos transformam em adultos inseguros, roubando de nós sonhos que, em tempos mais inocentes, pareciam perfeitamente alcançáveis.

A insegurança que carregamos como adultos tem raízes profundas em nossos primeiros anos de vida. É difícil explicar como uma palavra ou ação, aparentemente insignificante para quem as diz ou faz, pode ecoar por anos dentro de nós. A criança que ouve repetidamente que não é boa o suficiente, que seus esforços são inúteis, cresce acreditando nessas mentiras. Essas crenças limitantes tornam-se verdades internas, bloqueando nossa confiança e capacidade de sonhar grande.

Desvencilhar-se do que nos aconteceu na infância é uma tarefa árdua. É um processo doloroso de confrontar nossas memórias, reconhecer o impacto delas e, finalmente, trabalhar para reescrever a narrativa que contamos a nós mesmos. Muitas vezes, vivemos no presente, mas nossas mentes e corações estão aprisionados no passado. É como se um pedaço de nós ainda estivesse naquela época, revivendo as mesmas dores e inseguranças, incapaz de seguir em frente completamente.

A luta para separar o passado do presente é contínua. Cada desafio que enfrentamos, cada decisão que tomamos, está tingida por essas experiências passadas. Isso pode nos levar a sabotar nossas próprias oportunidades, a desistir antes mesmo de tentar, porque a voz do passado sussurra que não somos capazes. Os sonhos que tínhamos, que brilhavam tão intensamente quando éramos crianças, muitas vezes se desvanecem sob o peso dessas inseguranças.

Mas há esperança. Reconhecer o impacto do passado é o primeiro passo para a cura. É necessário olhar para dentro e confrontar essas memórias, trazendo à luz as feridas ocultas que nos mantêm presos. É um processo que requer coragem e, muitas vezes, ajuda externa, seja através de terapia, amigos compreensivos ou práticas de autocuidado.

À medida que trabalhamos para nos libertar dessas correntes invisíveis, começamos a redescobrir nossos sonhos. Podemos aprender a acreditar novamente em nossas capacidades, a ver o mundo não como um lugar cheio de armadilhas, mas como um campo de possibilidades. O caminho para a segurança e para a realização dos nossos sonhos pode ser longo e cheio de obstáculos, mas é uma jornada que vale a pena.

No final, é possível viver no presente, verdadeiramente livre do passado. Não se trata de esquecer o que aconteceu, mas de transformar a dor em força, a insegurança em autoconfiança, e os sonhos roubados em realizações possíveis. É uma transformação profunda, onde deixamos de ser prisioneiros do passado para nos tornarmos arquitetos do nosso próprio futuro.

quarta-feira, outubro 09, 2024

Acima de tudo, nunca se abandone.


Ao longo da vida, enfrentamos uma série de abandonos. Pessoas que amamos podem nos deixar, oportunidades podem escapar por entre nossos dedos, e sonhos podem parecer desvanecer. Cada um desses abandonos deixa marcas profundas em nossa alma, fazendo-nos questionar nosso valor e propósito. No entanto, há uma verdade inegável e poderosa: nunca devemos nos abandonar.

Em meio aos abandonos, é fundamental lembrar que somos a única constante em nossas vidas. Aquele que permanece, apesar de todas as adversidades, somos nós mesmos. Portanto, devemos nos tratar com a mesma compaixão, amor e respeito que desejamos receber dos outros. Não podemos permitir que as decepções e perdas nos definam ou nos afastem de nossa própria essência.

Quando tudo parece desmoronar, é o momento de olharmos para dentro e redescobrirmos nossa força interior. É importante cultivar um diálogo interno positivo, que nos incentive a seguir em frente, a acreditar em nossas capacidades e a valorizar nossas conquistas, por menores que possam parecer. Cada pequena vitória é um lembrete de nossa resiliência e capacidade de superação.

Também é crucial lembrar que, apesar dos abandonos, não estamos verdadeiramente sozinhos. Há sempre alguém, em algum lugar, que se importa. Pode ser um amigo, um familiar, ou até mesmo um desconhecido que cruza nosso caminho e oferece um sorriso. A conexão humana é um antídoto poderoso contra o sentimento de abandono.

Envolva-se em atividades que alimentem sua alma e tragam alegria. Redescubra paixões, busque novos interesses e permita-se explorar o desconhecido. A vida é cheia de possibilidades e oportunidades de recomeçar. Cada dia é uma nova chance de construir algo significativo e belo, independente do passado.

Lembre-se de que os abandonos não são um reflexo de sua inadequação, mas sim parte da jornada humana. Todos nós enfrentamos perdas e decepções, e é a maneira como reagimos a elas que realmente define quem somos. Abrace a dor, mas não se prenda a ela. Use-a como um catalisador para o crescimento e autodescoberta.

Acima de tudo, nunca se abandone. Mantenha viva a chama da esperança e da autoaceitação. Você é digno de amor, respeito e felicidade. Não permita que os abandonos da vida ofusquem sua luz interior. Continue a trilhar seu caminho com coragem e determinação, sabendo que, apesar de tudo, você sempre terá a si mesmo. E isso, por si só, é uma razão poderosa para continuar lutando e acreditando em um futuro melhor.

segunda-feira, outubro 07, 2024

A luz que sou


Para ler ao som de Unwritten de Natasha Bedingfield

Em meio às tempestades da vida, quando a mente se torna um campo de batalha, é fácil esquecer quem realmente somos. Os percalços nos fazem questionar nosso valor, mas é nesse exato momento que devemos nos lembrar da luz que brilha dentro de nós. Sou feita de histórias, de experiências e de amores que deixaram marcas profundas. Cada cicatriz conta uma parte da minha jornada, e cada lágrima derramada é um passo em direção ao crescimento.

Não posso deixar que as vozes da dúvida ofusquem a beleza que carrego no coração. Existe um amor incondicional que pulsa em mim, um amor que não se limita ao romantismo, mas se expande para todas as coisas e pessoas que valorizo. Essa força interior é um testemunho da minha importância, não apenas para mim, mas para aqueles que cruzam meu caminho. Eu sou boa o suficiente, e isso não depende da validação externa.

Acredito no amor, não apenas como um destino, mas como um caminho repleto de aprendizagens. Mesmo quando o verdadeiro ainda não chegou, a esperança é uma chama que nunca se apaga. É na espera que me descubro, que me acolho e que me permito sonhar. Estou aberta ao que o universo tem a me oferecer, na certeza de que o amor que busco virá para se acomodar nessa imensidão que sou.

Continuarei a cultivar a fé, a bondade e a resiliência, lembrando-me sempre de que, mesmo nas sombras, sou digna de amor e alegria. Cada dia é uma nova oportunidade de florescer e de ser a melhor versão de mim mesma. E assim, com o coração repleto de luz, sigo em frente, firme na crença de que sou suficiente e que o amor verdadeiro está a caminho ✨