quarta-feira, março 25, 2026

Deve ter sido amor.


Eu ainda lembro do silêncio depois que você foi embora. Não era um silêncio vazio, era cheio de tudo que a gente não disse. Como se as palavras ainda estivessem no ar, procurando onde pousar, sem encontrar.

Ficaram os detalhes. A luz entrando pela janela do jeito que você gostava, o lado da cama que demorou a esfriar, a sensação estranha de que, por um tempo, tudo fez sentido. E fez mesmo. Eu não posso fingir que não fez.

Eu achei que era pra sempre. Naquele momento, eu tinha certeza. Era confortável, era certo, era tão fácil acreditar que a gente tinha encontrado exatamente o que todo mundo passa a vida procurando. E talvez a gente tenha encontrado. Só não soube o que fazer com isso depois.

Agora eu fico aqui, revisitando pedaços. Não pra tentar voltar, mas porque eles ainda vivem em mim de algum jeito. Como uma música que toca baixo na memória, insistindo em lembrar que foi real. Que existiu.

Eu sei que acabou. Eu sei que não cabe mais. Mas tem dias em que eu quase consigo tocar aquilo que a gente foi. E dói perceber que não está mais aqui.

E mesmo assim, eu não consigo chamar de engano.

Deve ter sido amor.

Só já não é mais.

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