Eu tenho aprendido a amar em meio a desesperança.




As definições do amor são - na maioria - apenas teorias. A gente ouve, lê em alguns livros, e acredita conhecer um pouco sobre ele. Acontece que a gente não descobre o que é amor através de trechos que grifamos em nossos livros prediletos ou, tampouco, em filmes que se tornam campeões em bilheteria. Descobrimos o que é amor é na rotina, no dia em que o outro quer ficar sozinho e, mesmo sem entender, a gente fecha a porta e aguarda pacientemente do lado de fora. Entendemos melhor o que é amor quando abraçamos o outro enquanto a dor o assola, quando as dúvidas permeiam a mente, quando ele não sabe se deve ficar ou partir.

Amar requer aquela paciência que está descrita em Coríntios 13, que muitas vezes achamos que é utópica. Conseguimos distinguir, separar a paixão do amor, quando sabemos compreender o coração do outro, quando damos espaço mesmo sabendo que podemos não caber novamente ali. Amar, no final das contas, e, em alguns momentos, dói de uma forma tão absurda que nos questionamos se o sentimento tem ou não serventia, se ele vale todas as noites em claro, todos os pensamentos marteladores, e somos imediatamente surpreendidos com a afirmativa de que vale sim. 

Eu, por exemplo, tenho descoberto o amor no meu silêncio, ao renegar as minhas vontades, deixar de lado os meus ímpetos e rompantes de desespero. Tenho aprendido a confiar em meu destino, a caminhar sem medo do que a vida tem reservado para mim, pois não adianta me esparramar no chão como uma criança birrenta e gritar aos céus meus desejos. A vida não funciona assim. As pessoas não são os brinquedos que olhávamos nas prateleiras e levávamos para casa. Assim, também, não é o amor.

O amor é livre para ir e vir, mesmo que isso nos doa e por um momento nos roube o entendimento. Amar é, muitas vezes, não saber onde se pisa e ainda assim continuar andando. É acreditar que - verdadeiramente - aquilo que é nosso nos encontra ou reencontra. E a gente percebe, ao final, que anda amando e já sabe muito sobre o amor quando dá o outro o céu inteiro para voar livre e desimpedido, quando começamos a compreender as suas questões e desatamos os nós esperando que eles se tornem laços.

Eu tenho aprendido a amar em meio a desesperança.

Fotografia: Théo Gosselin.

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1 comentários

  1. Sabe Flor, estou vivendo um momento assim também. Descobrimos o que é o amor, exatamente nestas horas.

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