O meu amor é um galeguinho carregando uma mochila de rodinha para a escola. Um menino que somente nasceu no coração. É uma casa com um jardim cheio de rosas e flores silvestres. E, um canteiro cheio de cheiro-verde e manjericão. O meu amor é um mapa mundi emoldurado em um escritório cheio de móveis rústicos. São facas artesanais que ganham vida na garagem da casa. O meu amor é um porta-retratos com a foto de uma moça de lábios vermelhos, olhar distante e apaixonado. O meu amor são várias cartas postadas, em diversas épocas, são declarações de amor feitas às escondidas em blogs secretos.
O meu amor é a admiração de meu pai e o respeito por alguém que acabara de conhecer. É um até breve sincero de quem realmente esperava um retorno. O meu amor é um almoço em família com vinagrete azedinha e o olhar dele me acompanhando pela cozinha. O meu amor é o sorriso dele ao me fitar, o abraço dele ao me agarras na sala, na cozinha, na área e no sofá. O meu amor é uma filmagem no carro deixando quem dirigia afobado. É um entrelaçar de dedos enquanto a noite vai banhando o Lago Paranoá.
O meu amor é um cafuné gostoso deitado no colo de quem se ama. É a volta da casa com forró no carro, é um caldo apimentado à noite e beijos que pareciam não ter fim. O meu amor é um começo que não tem fim. É um perder e encontrar-se ali. São os olhos miúdos a decifrar meu coração, meus olhos. São mãos a ler em braile o meu corpo. O meu amor é uma história que nasceu para morrer. Que trouxe vida até onde pôde.