quarta-feira, maio 10, 2017

O meu amor é uma luta que eu perdi.


O meu amor é um galeguinho carregando uma mochila de rodinha para a escola. Um menino que somente nasceu no coração. É uma casa com um jardim cheio de rosas e flores silvestres. E, um canteiro cheio de cheiro-verde e manjericão. O meu amor é um mapa mundi emoldurado em um escritório cheio de móveis rústicos. São facas artesanais que ganham vida na garagem da casa. O meu amor é um porta-retratos com a foto de uma moça de lábios vermelhos, olhar distante e apaixonado. O meu amor são várias cartas postadas, em diversas épocas, são declarações de amor feitas às escondidas em blogs secretos.

O meu amor é a admiração de meu pai e o respeito por alguém que acabara de conhecer. É um até breve sincero de quem realmente esperava um retorno. O meu amor é um almoço em família com vinagrete azedinha e o olhar dele me acompanhando pela cozinha. O meu amor é o sorriso dele ao me fitar, o abraço dele ao me agarras na sala, na cozinha, na área e no sofá. O meu amor é uma filmagem no carro deixando quem dirigia afobado. É um entrelaçar de dedos enquanto a noite vai banhando o Lago Paranoá.

O meu amor é um cafuné gostoso deitado no colo de quem se ama. É a volta da casa com forró no carro, é um caldo apimentado à noite e beijos que pareciam não ter fim. O meu amor é um começo que não tem fim. É um perder e encontrar-se ali. São os olhos miúdos a decifrar meu coração, meus olhos. São mãos a ler em braile o meu corpo. O meu amor é uma história que nasceu para morrer. Que trouxe vida até onde pôde.

O meu amor é a insistência de que é para ser. É o coração tentando, inutilmente, confrontar a razão. O meu amor é a fé de que podemos tudo aquilo que desejarmos. É uma casinha que não chegou a ser planta. O meu amor é o desejo que ninguém mais me toque. Que não haja outro alguém, que não seja outro alguém. O meu amor é a vontade de ver teus olhos em um galeguinho e a vontade de dizer – mesmo contrariamente – que realmente só parece com você. O meu amor é uma luta que eu perdi. 



terça-feira, maio 09, 2017

Mais de mil quilômetros.



Dois mil e quinze.

Havia um rapaz que não sabia se ficava ou se ia embora.  Que não sabia se abraçava ou se soltava. Que não sabia se amava ou se estava ali somente. Havia um rapaz até um outro rapaz chegar. Eu achava que amava até esse rapaz chegar. A gente confunde muito o amor. Acreditamos que o amor é o desejo, a pele e sempre estar perto. Amor não é físico. Não somente. Amor é aquele bom dia com desejo de boa sorte em um encontro de escritores, é vibrar e ouvir atentamente cada palavra do final de semana, é sentir uma pitadinha de ciúme mesmo sem conhecer a pessoa direito. É dar conselhos sem esperar nada em troca. Sem desejar ganhar vantagem com aquilo. Só pra tirar um pouco da angústia do coração do outro.

Amor é Kid Abelha cantando ao fundo e virando legenda de foto. É dormir e acordar com o pensamento naquela pessoa. É dar bom dia ansioso e sorrir do outro lado da tela. É se ver mergulhando em um sentimento sem saber onde ele irá nos levar. Ninguém escolhe por quem se apaixonar. Se pudéssemos escolheríamos o mais fácil. O que é mais palpável. O que não requer muito esforço. Mas o amor não é assim. Ele escolhe alguém que está há mais de mil quilômetros de nós. Ele não entende as dificuldades, não entende os malabarismos e tampouco se importa com o amanhã. O amor não é cego. Ele enxerga além. Ele cria possibilidades. Ele transforma pequenos empecilhos em grandes oportunidades. Ele apresenta um horizonte azul e cheio de esperança.

Amor é fotografia com os olhos sonhadores. É sentir o amor na voz do outro. É dizer aos amigos: “eu me casarei com ela”. É não ter certeza do amanhã e ainda assim ter esperança. É perceber que encontramos o amor de nossas vidas, a alma gêmea separada, e saber que nem mesmo a distância fora capaz de escondê-la de nossos olhos. O amor é coisa mágica e a gente só percebe isso quando vê na íris do outro, pela primeira vez, o quanto se é amado e querido. É cantar: “não me mate dentro de ti”, como oração para que ela permaneça. É desligar às 3 da manhã ansiando pelo outro dia. É fazer carinho na tela do telefone e perceber que realmente há sentimento.

Amor é distância que maltrata. É sentimento que parece impossível às vezes. É olhar para as impossibilidades e chorar, sofrer e se ver perdido. É dar adeus uma, duas, três vezes e sempre voltar atrás. É abraçar quem amamos e se perder dentro dos braços. É beijar o outro e se transformar em um. É sorrir das mesmas piadas, é cafuné em um dia de domingo, é calor dos corpos em uma manhã ensolarada, é olho no olho quando se diz: “eu te amo”, é a gargalhada quando se descobre a inocência do outro, e a surpresa que se tem diante da falta de mácula.

Amor é cafuné de novo no lago, é andar de mãos dadas mesmo desengonçada, é dar palmada, é fotografia, é passeio na cidade ou simplesmente um domingo no shopping da cidade. Amor é estar dentro da vida do outro e não se sentir estrangeiro. É olhar para a vida de quem amamos e se sentir confortável ali. É uma promessa ao pai de quem amamos de que voltará em breve. É perceber que a vida já preparou tudo até ali. Ao amor não cabe a facilidade, infelizmente, mas cabe a batalha e a esperança. O amor não nos promete céus e terras. Mas nos promete condições para voar e caminhar. Só quem se dispõe a olhar para a vida com coragem é que saberá superar todos os obstáculos que ela nos impõe.


O amor não nos promete nunca facilidade, mas nos assegura – ao final da luta – a felicidade.


segunda-feira, maio 08, 2017

A vida requer movimento.


►Leia ao som de November Rain, Guns N' Roses◄

A vida não é um caminho reto e nós percebemos isso quando vemos os nossos sonhos saindo da linha. Ninguém é tão dono de sua vida e muito menos capaz de controlar o tempo. Nossos planos às vezes sairão fora do planejado, mas isso não é motivo para se desesperar ou desistir. Alguns caminhos parecem longos demais, desastrosos demais e complicados demais, mas tudo isso porque não conseguimos extrair dos erros, dos baques, o essencial à caminhada. Ter fé é combustível suficiente para realizar os nossos sonhos. Acreditar é necessário. 

A casa que você sonhou, o carro que você desde criança sempre quis, os filhos que vivem em sua mente, nada deles são realmente seus até que você os queira e batalhe por eles. Casas não caem dos céus, carros não encontrados na rua com a chave na ignição, filhos não são bonecos que se compram em lojas de brinquedos. Tudo isso e, muito mais, requer esforço, planejamento e, acima de tudo, esperança. Esperança em nós. Fé que conseguiremos. Força de vontade para buscá-los. 

A vida requer movimento. Ela pede que nós caminhemos, mesmo que estejamos desacreditados e feridos. Ela pede que olhemos com mais generosidade para nós mesmos, com mais complacência aos nossos medos e com mais mansidão para os nossos objetivos. Nada daquilo que surge em nossos coração é em vão. Toda semente que cai sobre o seu solo é capaz de germinar desde que a reguemos. Nenhum sonho é irrealizável. A própria palavra diz que nada é impossível àquele que crê.

Por isso eu digo: creia.

E apesar de saber que há dias que precisemos do silêncio, rever os nossos conceitos e olhar para dentro de nós, eu lhe digo: não é possível atravessar a vida com medo do amanhã. Não é possível agarrar nossos sonhos se não quisermos de fato. A vida corre depressa e se não corrermos atrás, andarmos lado a lado, veremos mais adiante que ela escorregou por entre nossos dedos. Que ela se apagou igual uma vela em uma noite fria de novembro.


quinta-feira, maio 04, 2017

Amor-próprio, menina!




Ela ainda guarda as recordações do relacionamento que acabou. Caixas estão guardadas em seu guarda-roupa com as lembranças de dias vividos. São fotografias, pelúcias e até papéis de balinha. Ela ainda os guarda na esperança de tê-lo de volta. Não há espaço em seu coração para o fim. Não há como acreditar que um “amor para sempre” tenha chegado ao fim. Ela olha para as lembranças do Facebook e as lágrimas escorrem copiosamente por sua fase. Ela olha para o canhoto do último show que estiveram e suspira com força. Tudo parece lembrá-lo: desde a fresta que entra pela janela, até o ar-condicionado super gelado. Ali, diante daquelas lembranças, a vida parece não ter sentido, o ar não parece respirável.

Tudo dói. Viver dói. Ser quem é, dói.

Ela ainda guarda em seu coração muito dele. E apesar de ouvir de todos que a vida segue, ela permanece ali: estática e sem vida. Tudo gira em torno dele. A música que toca no IPOD a transporta para dias mais felizes, a poesia que aparece em sua timeline a lembra que ele já não está mais lá. A vida a todo instante lhe diz que não, mas a sua consciência e o seu coração dizem que sim. Não há mais briga entre razão e emoção. Tudo é um emaranhado só. Tudo se tornou uma única coisa.

“Amor-próprio, menina.” Todos dizem. Mas ela insiste que já se ama o bastante e que as pessoas é que não veem os sinais. Ele a ama e só está desnorteado. Só precisa de um tempo para reconhecer que sempre a amou. Só precisa de um reencontro para perceber que ela é a mulher da vida dele. Só precisa que lhe caia a venda dos olhos. Só precisa que a vida lhe prove que ele estava errado quanto aos dois. Só precisa que ele assista um filme e que os personagens relembre a ele o amor dos dois. Só precisa.

A moça, colecionadora de lembranças, guarda consigo a certeza de um amanhã que não condiz com a realidade. Vive em um calendário passado. Sobrevive aos dias se alimentando de uma história que há tempos fora pontuada com ponto final. Ela vive de reticências. Vive de “talvezes”, de uma fé assombrosa e de um amor doentio. “Amor-próprio, moça.” Todos dizem. Mas quem vê de fora não consegue compreender o turbilhão que há dentro dela. Não consegue entender que tinha uma casa, tinha filhos, um casamento e uma vida feliz planejada em sua cabeça. Quem vê de fora só enxerga a casca.


Só que quem vê de fora, moça bonita, também vê que algumas histórias têm seu fim.


quarta-feira, maio 03, 2017

Não rola viver de talvez!



Quem me dera se quando eu fechasse meus olhos, todos os meus sonhos se tornassem realidade. Acho que já idealizei a pessoa na minha mente quinhentas vezes ou talvez mais. Essa coisa de ficar esperando, remoendo se a bendita pessoa não chega cria em nós uma danada de uma cobrança diária. Até chegar o momento que achamos que vamos pirar.
O cara do ônibus que não reparou como eu o olhava, o caixa do banco que não notou que eu faço hora só para que ele me atenda, aquele carinha que passou por mim na rua e era extremamente cheiroso, o carinha que eu beijei na balada e que nem se quer pegou meu telefone, tantos talvez, tantos que poderiam ter sido, que chega uma hora que a gente pira.
Temos a mania de depositar tanta fé nesse “ter alguém”, que em um determinando momento da vida, esquecemos de nós, de nos amar, e de ser quem somos. Não dá para viver esperando o outro chegar, porque aqui - na sinceridade - não sabemos o momento exato que ele chegará, E, pode ser que ele não chegue.
E, algumas vezes, depositamos tanto a nossa esperança em alguém que passa na nossa vida, que quando essa pessoa vai embora, nos fechamos novamente no nosso mundo. E ficamos ali, naquele casulo só nosso, numerando os nossos defeitos e rezando para quem quer que seja ou a hora que seja, que a próxima pessoa seja a certa.
Por isso, viva, sorria, chore e se permita, a vida é curta demais para viver no que não aconteceu, quando o “alguém chegar”, você vai ser capaz de entender, que simplesmente não era pra ter acontecido antes.


terça-feira, maio 02, 2017

A vida é trem-bala, parceiro.


 ►Leia ao som de Trem Bala, Ana Vilela◄

A vida passa depressa demais. Nascemos e antes que nossos pais curtam os nossos primeiros meses, lá estamos nós no jardim de infância. A vida corre depressa demais. De massinhas de modelar passamos a modelar com os vestidos de nossas mães. Trocamos as nossas bonecas e bolas pelas contas quilométricas de matemática. Deixamos para trás a meninice de dias regados de brincadeiras para abraçarmos – mesmo a contragosto – a responsabilidade de estudar rumo a um futuro desconhecido.

A vida caminha na velocidade da luz. E só percebemos isso quando nos vemos eufóricos pelo baile de formatura do ensino médio. O vestido vermelho não casou com os acessórios, o sapato não é confortável para a noite de dança e a insegurança da valsa salta à goela. A gente só percebe que o tempo passa depressa quando nos vemos nesses momentos decisivos. Quando nos deparamos com questões que decidirão o nosso futuro.

A vida é fugaz demais. E a gente só percebe quando do primeiro beijo nós pulamos para o beijo no altar. Quando de todos os “sims” que demos nos deparamos com o maior de todos. Quando olhamos para trás e percebemos que todas as desilusões, todas as vezes que colamos os nossos corações, fora necessário para chegar até onde chegamos. Ninguém chega à maioridade sem um arranhão. E, é nessa hora que a gente bendiz as cicatrizes e agradecemos a Deus por todas as quedas.

A vida é veloz demais e você só percebe isso quando entende que deveria ter amado mais quem estava ao seu redor. Que deveria ter ouvido os causos de seu avô e os conselhos de sua avó. Que poderia ter sido mais paciente e compreensiva com seus pais. Que deveria ter aproveitado mais os almoços de família e teria rido – mesmo sem achar graça – da piada do pavê que o tio faz todo fim de ano. Que você deveria ser mais parceiro e amigo dos seus irmãos.


A gente só percebe que a vida passa depressa, quando não há mais vida para viver.