"O amor é nobre demais para ser mendigado".
Eu me chamo Antônio.

Eram dias insuportáveis aqueles que vivi à tua espera. Aquela sensação de que o fim estava próximo não me abandonava, mesmo que você viesse todos os dias, bater o velho e bom ponto, só para me dizer que ainda se importava. Eu te enviei o sms não mais criando expectativas, bem, na verdade, enviei enterrando essa relação falida que vínhamos mantendo há anos. O mal de quem ama, ou pensa que ama, é acreditar que as pessoas mudarão em nome de um pretenso amor. Quantas centenas de dias eu carreguei comigo a esperança de que nós vingaríamos? Que não era hora de desembarcar e que talvez eu devesse esperar mais uma estação.

Que tipo de amor é esse que se contenta com mensagens diárias, com ligações rápidas e se esquece que o contato físico é que nos tornam realmente um par. Há algum tempo venho repetindo na cabeça uma velha, sábia e até batida frase que li em um livro recém-adquirido: “o amor é nobre demais para ser mendigado”. Desde então me vejo sentada na porta da sua casa, com uma latinha esticada em sua direção aguardando suas migalhas de amor. É cômica, hilária e trágica essa constatação de que – embora esteja me relacionando com alguém – eu estou solitária, mais sozinha que um solteiro em plena segunda-feira.

Nós só aprendemos o real valor de um conselho quando temos que usá-lo a nosso favor. Às vezes me pego olhando para o espelho repetindo tudo aquilo que digo às minhas amigas. A vida é tão clichê no final das contas. É como se nossas recomendações vestissem tamanho único. Tudo aquilo que lhe digo me serve também. Então, me deparo com outro ditado popular, um provérbio, que diz: “em casa de ferreiro o espeto é de pau”. E sorrio. Sorrio de mim, para mim, para minhas colocações e meus conselhos. Eu me vejo encurralada. Como se a vida fosse um labirinto, só que ela não é.

Depois de uma reflexão sobre a vida, uma análise crítica sobre esse nós que estamos sendo, uma lida em alguns textos de autoajuda – sim, às vezes a gente precisa – eu te dou cantar branca para abrir a porta e sair por ela. Pode ir, meu amor. Mas vá embora e esvazie todas as gavetas, olhe debaixo da cama e recolha seus chinelos, pegue a sua escova de dente e seu creme de barbear, mas, por favor, não diga que não dei sinais, que não lutei pelo que poderia ser. 

E a você, leitor, finalizo esse texto fazendo uma prece: "desejo que você se encontre, antes de encontrar alguém com quem dividir a vida".